Institucional
Central do Varejo encerra cobertura da NRA 2026 e reúne destaques em evento exclusivo
Portal acompanhou palestras e visitas técnicas durante o maior evento de food service do mundo e agora reúne parceiros para traduzir as tendências ao contexto brasileiro
A edição 2026 da NRA Show, o maior evento de food service do planeta, realizado entre os dias 16 e 19 de maio em Chicago, chegou ao fim com 45 mil profissionais presentes e mais de 900 expositores de todo o mundo. A Central do Varejo realizou uma delegação que levou executivos brasileiros ao evento e acompanhou as principais palestras e experiências do salão.
O tema que atravessou praticamente todos os painéis desta edição foi a inteligência artificial, não como promessa, mas como ferramenta em operação. O que ficou evidente ao longo dos dias é que o setor está passando por um momento de transição: de pilotos e conceitos para implementações com resultados mensuráveis. E, ao mesmo tempo, cresceu a consciência de que a tecnologia sozinha não resolve nada: ela amplifica o que já existe na operação, para o bem ou para o mal.

A abertura que deu o tom
Antes de os painéis técnicos tomarem conta dos teatros do McCormick Place, a NRA Show 2026 abriu sua programação principal com uma keynote que colocou liderança e formação de pessoas no centro da conversa. No domingo (17), Michelle Korsmo, presidente e CEO da National Restaurant Association, apresentou uma leitura estratégica do setor e recebeu no palco o ex-tenista e empresário Andre Agassi para uma conversa sobre resiliência, propósito e desenvolvimento de equipes.
Korsmo abriu a sessão afirmando que os restaurantes funcionam como “incubadoras de liderança” nos Estados Unidos, espaços onde pessoas em início de carreira desenvolvem habilidades que carregam para a vida toda. Em seguida, conduziu o diálogo com Agassi, que falou sobre sua parceria de quase 30 anos com o chef Michael Mina. Segundo o ex-tenista, a relação começou após um jantar em San Francisco e evoluiu para uma sociedade com 60 restaurantes em Las Vegas. “Sessenta restaurantes depois e 30 anos depois, ainda gostamos um do outro”, afirmou.
Agassi também trouxe sua perspectiva como consumidor do setor. “Eu vou a um lugar novo e a comida é ótima, mas o serviço não é bom — talvez eu não volte. Se o serviço é ótimo e a comida está ok, eu dou outra chance”, disse, sintetizando em uma frase o que os operadores de sala repetem há anos: serviço supera receita no jogo da fidelização.
IA que funciona e IA que ainda promete
O painel da SpotOn, intitulado “AI That Works: Real Operators, Real Wins”, abriu a programação de segunda-feira com um diagnóstico direto: há um “AI gap” no setor, uma distância entre o volume de soluções oferecidas e o número de operadores que de fato economizam tempo ou dinheiro com elas. Os cases apresentados por Khara Mangiduyos, da Kalei’s Kitchenette, e Bruce Nelson, do Tempo Hospitality Group, mostraram aplicações concretas: identificação de desperdícios operacionais que geraram economia de US$ 2.000 em uma única unidade, e verificação automatizada de integridade de dados financeiros em operações com receita anual de US$ 60 milhões. Nelson resumiu o espírito do painel: “A IA não cria, ela apenas imita. Não quero que ela pense por mim.”
A Plainsight apresentou uma abordagem diferente: usar câmeras já instaladas nas cozinhas para detectar erros de pedido em tempo real, por visão computacional. A solução analisa os ingredientes de cada item e compara com o ticket de venda em cerca de três segundos, sinalizando erros antes que a sacola saia da cozinha. O dado que justifica o investimento: 61% dos clientes não retornam ao restaurante após receberem um pedido errado, e raramente comunicam o motivo. Para redes com mais de 2.000 unidades, uma taxa de erro de 5% pode representar até US$ 10 milhões em perdas anuais.

O restaurante que age e a infraestrutura que viabiliza isso
O painel da Spectro Cloud com a AWS trouxe um conceito que deve ganhar força nos próximos anos: o restaurante agêntico, aquele em que sistemas de IA não apenas geram relatórios, mas tomam ações em tempo real. Justin Swagler e Deborah Matteliano Simeoni usaram o exemplo da Yum Brands, controladora de Taco Bell, KFC e Pizza Hut, para ilustrar como uma rede com mais de 40.000 unidades está desenvolvendo um “gerente geral digital” alimentado por IA. O pré-requisito técnico para tudo isso, segundo os palestrantes, é o edge computing, processamento instalado dentro dos próprios restaurantes, não dependente de servidores remotos. “Se esse sistema estiver cinco minutos atrasado, ele é essencialmente inútil”, afirmou Simeoni.

O Google encerrou a programação do Innovation Theater com uma demonstração ao vivo de seu agente de IA conversacional para pedidos: um sistema áudio-a-áudio, construído sobre o modelo Gemini, que já opera nos drive-throughs do Wendy’s e no aplicativo do Papa John’s. Dante DiCicco e John O’Reilly mostraram como o sistema processa pedidos complexos por voz, aplica descontos automaticamente, reconhece clientes cadastrados e muda de idioma quando necessário. Um dado da própria empresa reforçou a direção do mercado: um em cada seis buscas por alimentação nas plataformas do Google já é feita por voz ou imagem, não por texto.
Dados como fundação, não como destino
A Black Rock Coffee Bar, rede com quase 200 unidades no oeste dos Estados Unidos, apresentou um caminho que vai na contramão do que muitos operadores fazem ao crescer: menos dados, não mais. Jaclyn Nesemann, gerente de business intelligence da rede, descreveu como a empresa abandonou o modelo de fechamento mensal e relatórios empilhados em favor de um sistema de reporte semanal com métricas enxutas. O resultado foi uma redução na variância de custo de mercadorias de 1,7% para 1,5% e, mais importante, uma cultura em que os operadores começaram a antecipar problemas sem precisar recorrer à equipe central. Marc Cohen, da Restaurant365, deixou o recado: “Se sua casa não está arrumada, não adianta tentar implantar uma solução de IA. O resultado vai ser proporcional à qualidade da entrada.”
LTOs: a estratégia que não sai de moda
A sessão principal de segunda-feira reuniu as lideranças de Applebee’s, Whataburger e Lettuce Entertain You para um debate sobre ofertas por tempo limitado, e os números apresentados pela Technomic surpreenderam. O volume de LTOs entre os principais operadores do setor saltou de 16.000 em 2019 para quase 42.000 em 2025, crescimento de 157%. E clientes que adquirem um LTO gastam, em média, 26% a mais do que os demais, não porque o item é caro, mas porque acrescentam outros produtos ao pedido. Debbie Stroud, CEO do Whataburger, revelou que três dos itens mais pedidos pelos clientes fiéis da rede (o ketchup apimentado, o biscoito de frango ao mel e o patty melt) começaram como ofertas temporárias. Os consumidores pediram, os dados confirmaram, e ficaram.
Chicago falou. Agora, o Brasil ouve.
Toda a cobertura da NRA foi produzida diretamente de Chicago e está disponível na íntegra no portal Central do Varejo. Mas o trabalho não termina com o fim do evento.
No dia 2 de junho, uma terça-feira, a Central do Varejo realiza o Pós-NRA: uma imersão ao vivo, online e gratuita, com duas horas de debriefing direto para profissionais do food service brasileiro. O evento conta com o apoio do Ecossistema Goakira, do MBA USP-Esalq, da Abrasel e da AFRAC.
A proposta é simples: tendência global não é receita pronta. O que faz sentido para o Brasil, o que precisa de adaptação e o que ainda vai demorar, mas é bom já saber, são as três perguntas que vão guiar a conversa. Sem apresentações genéricas, só o que interessa para quem está no mercado todo dia.
O evento começa às 19h e é aberto a donos e operadores de restaurantes, bares e cafeterias, gestores de redes e franquias, profissionais de operações, marketing e inovação, fornecedores, investidores, consultores e educadores do setor. As inscrições podem ser feitas clicando no banner abaixo.
Veja como foi a cobertura da Missão Internacional da Central do Varejo para a NRA Chicago 2026 nas redes sociais e no portal.

Imagens: Central do Varejo/NRA
