Economia
Atividade econômica no Brasil cai 0,7% em março, aponta BC
IBC-Br recua 0,7% em março após impactos da guerra no Irã. Fazenda eleva projeção da inflação para 4,5%.
A atividade econômica brasileira registrou queda de 0,7% em março, segundo dados divulgados pelo Banco Central (BC) nesta segunda-feira, 18. O resultado foi medido pelo Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br), indicador utilizado para acompanhar o desempenho da economia brasileira ao longo dos meses.
O recuo ocorreu no primeiro mês, marcado pelos efeitos da guerra no Irã sobre o cenário econômico internacional. De acordo com os dados do BC, todos os setores analisados apresentaram retração no período, incluindo arrecadação de impostos, agropecuária, indústria e serviços.
O setor de serviços teve o pior desempenho no mês, com queda de 0,8%. A retração acompanha o aumento das incertezas econômicas globais e a expectativa de desaceleração em diferentes mercados internacionais.
O cenário internacional impactando o Brasil
Segundo o professor do Instituto Brasileiro de Mercado de Capitais (Ibmec), William Baghdassarian, o cenário internacional influencia diretamente as expectativas de investidores e empresas, afetando decisões econômicas em diferentes países, incluindo o Brasil.
“O mundo inteiro acaba sendo afetado por isso. Essa forma de ser afetada tem efeitos em cadeia. Então, se você acredita que o combustível vai subir, você também acredita que a China vai ser afetada com isso. Se a China é afetada, a produção da China cai, ela importa menos. Logo, se ela importa menos, o Brasil exporta menos. Então, você tem todo um efeito em cadeia, não por causa da guerra em si, mas pela expectativa. “O medo de algo ruim acontecer é tão ruim quanto o algo ruim acontecer de fato”“, afirmou o professor.
O impacto das tensões no Oriente Médio ocorre principalmente por causa da pressão sobre os preços internacionais do petróleo e das preocupações em relação ao comércio global. A possibilidade de aumento nos custos de energia tende a afetar cadeias produtivas, inflação e investimentos em diversos países.
Apesar da queda registrada em março, o IBC-Br ainda acumula avanço de 1,8% nos últimos 12 meses, segundo informações do BC. O indicador é considerado uma prévia do Produto Interno Bruto (PIB), embora utilize metodologia diferente da aplicada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Além dos efeitos externos, Baghdassarian afirmou que o cenário político interno também pode influenciar o comportamento da economia nos próximos meses. Segundo ele, períodos eleitorais costumam aumentar as incertezas em relação às políticas econômicas e aos investimentos.
“Podemos ter, por exemplo, a resolução da guerra, mas, com o aumento da incerteza política, o efeito prático será zero. Em política pública, para você conseguir isolar um efeito é muito difícil”, declarou.
Dados do BC revisam projeção de inflação
Outro dado divulgado nesta segunda-feira foi a revisão da projeção oficial de inflação pelo Ministério da Fazenda. A estimativa passou de 3,7% para 4,5% em 2026, alcançando o limite máximo da meta definida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN).
A atualização foi apresentada no Boletim Macrofiscal da Secretaria de Política Econômica (SPE). Segundo o Ministério da Fazenda, a mudança reflete os impactos da guerra no Oriente Médio sobre os preços internacionais do petróleo, fator que pode pressionar os custos de combustíveis e outros produtos.
Os próximos resultados do IBC-Br e dos indicadores de inflação devem servir como referência para avaliar os efeitos da crise internacional sobre o desempenho da economia brasileira ao longo do ano.
*Com informações de Mercado & Consumo
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