Operação
Faturamento das PMEs avança pelo segundo mês consecutivo
Serviços lideram com alta de 5,4% e registram melhor resultado em seis meses; infraestrutura volta a recuar com queda de 13,8%
A movimentação financeira média real das pequenas e médias empresas brasileiras avançou 3,6% em abril de 2026 na comparação com o mesmo mês de 2025, segundo o Índice Omie de Desempenho Econômico das PMEs (IODE-PMEs). É a segunda alta consecutiva do indicador, que acompanha empresas com faturamento anual de até R$ 50 milhões em cerca de 750 atividades econômicas nos setores de comércio, indústria, infraestrutura e serviços.
O resultado é sustentado por fundamentos como o mercado de trabalho aquecido, com taxa de desemprego em 6,1% no trimestre encerrado em março, menor nível já registrado para o período, segundo o IBGE, e a flexibilização inicial da taxa de juros. O Índice de Confiança do Consumidor da FGV também voltou ao campo positivo em abril, após recuos no primeiro bimestre.
“Em abril, as PMEs de Serviços passaram a ser o principal destaque, avançando 5,4% na comparação com o mesmo mês de 2025, iniciando o segundo trimestre com o melhor resultado do setor em 6 meses. Esse desempenho foi impulsionado por resultados consistentes em áreas relevantes com destaque para ‘Transporte’ e o segmento de ‘Saúde humana'”, afirma Felipe Beraldi, economista da Omie.
Setores
A indústria registrou crescimento de 4,9% em relação a abril de 2025, com desempenho mais heterogêneo entre os segmentos: dos 23 subsetores da indústria de transformação monitorados, 13 registraram crescimento, com destaque para produtos químicos, metalurgia e máquinas e equipamentos.
O comércio manteve a trajetória de recuperação, com alta de 1,1% na comparação anual. O resultado foi sustentado pelo atacado (+2,8%), que compensou a retração de 1,1% no varejo. Dentro do varejo, os destaques positivos foram artigos de relojoaria, produtos farmacêuticos e livros.
O setor de infraestrutura voltou a recuar em abril, com queda de 13,8% na comparação anual, após breve recuperação em março. O desempenho negativo foi puxado pela retração em obras de infraestrutura e serviços especializados para construção.
Apesar dos dois meses consecutivos de avanço, o cenário para as PMEs segue pressionado pela elevação das expectativas de inflação, especialmente em combustíveis, e pelo alto endividamento das famílias. A recuperação da confiança do consumidor e o programa Desenrola Brasil 2.0 para renegociação de dívidas são apontados como fatores que podem favorecer a trajetória positiva nos próximos meses.
Imagem: Envato
