Comportamento

Experiência sensorial no varejo: produtos que conquistam pela estética e narrativa 

Em um mercado com milhares de opções, estética, sensorialidade e construção de identidade transformam produtos em experiências únicas para os consumidores

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Em um mundo digital, com milhares de opções distintas para um mesmo produto, conquistar fidelidade e atenção dos consumidores se tornou muito mais difícil. Mesmo quando a oferta é para um item de nicho, as possibilidades ainda são muitas. No mercado de varejo, o desafio se torna ainda maior, e é justamente nesse cenário que características únicas se tornam diferenciais valiosos. Produtos personalizados ou com formatos não convencionais, como acessórios e outros itens inovadores, conseguem se destacar com mais facilidade na memória do consumidor.

A experiência do usuário, atualmente, é um dos principais atrativos do mercado e se tornou um pilar importante do marketing digital. Mais do que a funcionalidade do produto em si, tudo importa: a estética, a forma como ele é apresentado nas redes, a história que a marca conta por meio dele e como se diferencia dos concorrentes.

Segundo a pesquisa “Voice of the Consumer 2024”, realizada pela PricewaterhouseCoopers Brasil (PwC Brasil), que entrevistou mais de 20 mil consumidores em 31 países, quase 50% dos entrevistados afirmaram estar dispostos a compartilhar dados pessoais em troca de experiências mais personalizadas e serviços adaptados aos seus interesses. Tudo isso reafirma como a experiência do cliente se tornou um fator decisivo para a fidelização e a percepção de valor das marcas.

Como se destacar no mercado de varejo?

Muitas vezes, a curiosidade pode se tornar o princípio motor para uma compra. Fatores como qualidade, referência no mercado e interesse pessoal do cliente continuam norteando a busca por determinados produtos, mas, quando se pensa nos diferenciais que realmente convertem uma compra em um cenário com tantas opções, tudo o que chama a atenção por alguma característica mais sensorial leva vantagem.

Por isso, quando quesitos como formato, experiência de compra e estética dialogam diretamente com a narrativa contada pela marca, as chances de fidelização são muito maiores. O principal atrativo da aquisição passa a envolver também o que ser consumidor daquela companhia pode atribuir à imagem do próprio cliente, em um valor agregado muito maior do que o objeto por si só.

Assim, construir campanhas e estratégias que foquem no sensorial e em toda a jornada de aquisição faz com que um único elemento consiga se destacar e se afirmar como referência entre muitos similares em um mercado até mesmo saturado. 

Isso acontece, principalmente, quando é analisada não apenas a venda do produto, mas tudo o que é associado a ele. É vendida a emulação de uma estética, de sentimentos, estilos e sonhos – tudo que gera identificação pessoal. 

Fazendo com que o produto seja lembrado antes da função

Quando o cliente associa um sentimento ao produto, ele irá se lembrar mais facilmente daquele objeto. Além disso, quando a marca consegue elaborar, com tempo e repetição, estéticas relacionadas a um único item, todo o processo também flui mais espontaneamente.

Isso porque, antes mesmo do interesse na função prática do produto, o consumidor se lembra da estética construída em torno dele, e, ao querer também fazer parte das imagens e sensações que permeiam aquele objeto – que podem ir do clássico e retrô ao contemporâneo e disruptivo –, realiza a compra.

“Clientes encantados não apenas retornam, como também se tornam embaixadores da marca, atraindo mais consumidores e reforçando a posição da empresa no mercado”, explica Kelly Carvalho, assessora econômica da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP), em entrevista à revista Problemas Brasileiros.

“Perfume do sapatinho”, bolsas imitando caixas de leite e embalagens irônicas: quando o formato também influencia a experiência

Se o sensorial dita a compra, estímulos visuais marcantes são um dos primeiros impactos na hora de se lembrar de um produto famoso. 

Por isso, itens que dialogam entre contexto e mercadoria, como o “perfume do sapatinho”, por exemplo, além de bolsas e acessórios que imitam objetos de outros setores, realizando brincadeiras entre associações, e até peças que misturam realidade material e virtual, como óculos e relógios com funções digitais, criam uma ponte em que o próprio artefato já inicia uma experiência.

Aqui, a memória, a ironia e até mesmo o humor já criam associações e sentimentos que irão marcar e fazer com que cada cliente se lembre do item e da proposta do fabricante.

Assim, ao unir sentidos, associações e construção de autoridade, por meio de histórias, um produto pode existir para muito além de sua funcionalidade, construindo uma marca registrada no imaginário popular do mercado.

Conteúdo produzido por Conversion News
Imagem: vlada_maestro / iStock

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