Comportamento
Consumidor reduz volume de compras, busca valor e muda hábitos de consumo, aponta Alvarez & Marsal
Levantamento mostra retração de gastos em quase todas as categorias, avanço de marcas próprias e uso crescente de IA na jornada de compra
A pressão financeira contínua tem levado o consumidor norte-americano a rever de forma estrutural como compra, quanto compra e quais critérios utiliza para decidir uma compra, segundo pesquisa da Alvarez & Marsal com mais de 2.100 consumidores nos Estados Unidos.
O levantamento mostra que os consumidores pretendem gastar menos em todas as categorias, com exceção de supermercados. Mesmo nesse caso, a expectativa maior de desembolso está ligada à inflação, e não a um desejo de consumo ampliado.
Para lidar com a pressão no orçamento, os consumidores têm migrado para varejistas mais baratos, reduzido volume de compra, ampliado o uso de marcas próprias e recorrido a ferramentas de inteligência artificial para descobrir produtos e encontrar melhores preços.
Segundo Chad Lusk, managing director da Alvarez & Marsal Consumer and Retail Group, o movimento não representa apenas contenção. “Os consumidores não estão apenas apertando os cintos — estão fazendo trocas calculadas. Estão comprando menos volume e mudando drasticamente suas rotinas de compra para esticar o orçamento”, afirmou. “Ao mesmo tempo, estão escolhendo investir em produtos que entregam diferenciação reconhecível e valor, mesmo em faixas de preço mais altas.”
A pesquisa aponta um descolamento entre estabilidade relativa na expectativa de renda e a disposição efetiva para gastar, sinalizando que muitos consumidores ainda sentem perda de poder de compra.
No supermercado, por exemplo, cresce a migração para redes mais baratas sem necessariamente abandonar marcas habituais. Hoje, 27% dos consumidores afirmam que pretendem manter as marcas, mas trocar por lojas de menor preço, ante 16% no segundo semestre de 2025.
Na categoria de beleza, 43% simplificaram suas rotinas. Haircare e skincare seguem mais resilientes, enquanto fragrâncias e maquiagem são tratadas de forma mais discricionária. O preço aparece como fator mais importante para 27% dos consumidores na compra de novos produtos de beleza, e a fidelidade às marcas vem enfraquecendo.
Entre os consumidores considerados mais sensíveis a preço dentro da beleza, 35% estão comprando menos itens e 65% mudaram de marcas, varejistas ou ambos para pagar menos.
No vestuário, a retração também é clara: 48% dos consumidores afirmam estar reduzindo gastos, enquanto 22% dizem priorizar valor e 14% preferem permanecer com marcas de confiança. Apenas uma pequena parcela continua elevando o tíquete ou comprando por impulso.
Segundo Casey Carlson, diretora da consultoria e coautora da pesquisa, 49% dos consumidores que pretendem gastar menos com roupas e calçados farão isso comprando menos peças. A tendência inclui foco em roupas multifuncionais, repetição de looks e consolidação de guarda-roupa.
“Os consumidores estão procurando itens que valham a pena. Isso significa menos compras por impulso, menos itens extras adicionados ao carrinho e um nível mais alto de justificativa para a compra”, afirmou.
Outro dado apontado pelo estudo é o crescimento da inteligência artificial como ferramenta de apoio à compra. Entre 25% e 41% dos consumidores já usam IA para descoberta de produtos, pesquisa e identificação de melhor custo-benefício em categorias como vestuário, beleza e supermercado. Entre millennials e geração Z, 64% afirmam pedir recomendações à IA e 66% dizem agir com base nessas sugestões.
Apesar disso, a loja física continua sendo o canal preferido para a compra final: 44% preferem concluir a aquisição presencialmente, contra 18% que optam pelo online. A preferência aparece em todas as faixas etárias e é ainda maior entre consumidores acima de 45 anos.
O estudo aponta que o consumidor está menos guiado por marca e mais orientado por funcionalidade, utilidade e percepção concreta de valor, exigindo reposicionamento de marcas e varejistas em preço, proposta e experiência.
Imagem: Adobe
Informações: Lisa Lockwood para Women’s Wear Daily
Tradução livre: Central do Varejo
