Comportamento

Kearney aponta estabilização do mercado global de luxo em 2026, com mudanças no comportamento do consumidor

Estudo indica crescimento entre 2% e 4% e avanço do uso de inteligência artificial na jornada de compra

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Kearney

A Kearney divulgou o estudo Global Luxury Industry Outlook 2026, que aponta uma fase de estabilização no mercado global de luxo. Segundo o levantamento, o setor passa a operar em um ritmo mais equilibrado, após um período marcado por reajustes de preços, revisões criativas e maior disciplina operacional.

A consultoria projeta crescimento entre 2% e 4% em 2026, abaixo das estimativas externas que variam entre 3% e 5%. Em 2025, o mercado global de bens de luxo alcançou cerca de US$ 530 bilhões. De acordo com o estudo, o momento atual representa uma recalibração do setor, com expansão desigual entre regiões, categorias e perfis de consumidores.

Entre os principais fatores apontados, Estados Unidos, Europa e China seguem como mercados centrais, concentrando escala e volume de consumo. Esses países devem sustentar o setor, sem atuar como motores de aceleração. Japão e Sudeste Asiático aparecem como polos de crescimento incremental, impulsionados por turismo, urbanização e aumento da base de consumidores de alta renda. Já o Oriente Médio exige acompanhamento diante de oscilações geopolíticas que podem impactar a demanda.

O estudo também destaca mudanças no comportamento do consumidor. Os públicos de altíssimo e alto patrimônio continuam responsáveis pela maior parte dos gastos, enquanto o consumidor aspiracional mantém participação, porém com maior cautela. Segundo os dados, 73% dos consumidores afirmam que aumentos de preços os levaram a reduzir ou reavaliar compras, enquanto 36% dizem comprar com menos frequência ou demonstrar menor interesse pelo segmento.

No desempenho por categorias, joias apresentam crescimento estimado entre 6% e 14%, associadas a atributos como durabilidade e valor simbólico. O segmento de luxo experiencial também mantém expansão, com crescimento de até 8% em hotéis e hospitalidade em 2025, além do aumento de mais de 60% no número de associados em clubes privados nos últimos cinco anos. Moda e artigos de couro registram avanço mais limitado, influenciados pela sensibilidade a preços e pela redistribuição de gastos.

A tecnologia aparece como um dos principais vetores de transformação. O estudo indica que 69% dos consumidores iniciam a jornada de compra de luxo no ambiente digital, enquanto 27% já utilizam ferramentas de inteligência artificial para pesquisar e avaliar produtos. Em 2026, o setor avança para o modelo de comércio orientado por agentes, com sistemas automatizados participando da descoberta, comparação e execução de compras.

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Outro ponto destacado é a renovação criativa nas grandes marcas. Em 2025, o número de trocas de diretores criativos foi três vezes superior à média de anos anteriores, indicando mudanças na estratégia das empresas. Para 2026, a Kearney aponta que o crescimento estará ligado à capacidade de gerar relevância contínua ao longo da jornada do consumidor, integrando produto, experiência e ecossistema.

Imagem: Divulgação

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