Economia

Copom reduz Selic pela terceira vez seguida, de 14,50% para 14,25% ao ano

Decisão foi unânime e veio após acordo de paz entre EUA e Irã aliviar pressão do petróleo; inflação de maio desacelerou para 0,58%, contribuindo para o corte

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Fachada do Banco Central do Brasil em Brasília; Selic; mercado

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central decidiu nesta quarta-feira (17) reduzir a taxa básica de juros da economia, a Selic, em 0,25 ponto percentual, de 14,50% para 14,25% ao ano. A decisão foi unânime e representa o terceiro corte consecutivo da taxa.

O cenário que abriu caminho para o corte foi influenciado pelo acordo de paz anunciado entre os Estados Unidos e o Irã no domingo (14), que reduziu as tensões no Oriente Médio e desobstruiu o estreito de Ormuz. Com isso, o preço do petróleo recuou no início desta semana, atenuando a pressão de alta nos combustíveis e, consequentemente, na inflação. O resultado do IPCA de maio, com alta de 0,58% (abaixo dos 0,67% registrados em abril) também foi considerado positivo pelos analistas e contribuiu para a decisão.

“O ambiente externo permanece incerto em função da indefinição sobre os termos do acordo para cessar os conflitos armados no Oriente Médio e as consequências dos efeitos já materializados desses conflitos até o momento, com reflexos nas condições financeiras globais. Tal cenário exige cautela por parte de países emergentes em ambiente marcado por elevação da volatilidade de preços de ativos e commodities”, afirmou o Copom em nota.

O comitê também destacou o cenário doméstico. “Em relação ao cenário doméstico, o conjunto dos indicadores mostra aceleração da atividade econômica no primeiro trimestre do ano, com setores mais cíclicos voltando a desempenhar papel significativo, e mercado de trabalho ainda com sinais de resiliência. Nas divulgações mais recentes, a inflação cheia e as medidas subjacentes aceleraram, distanciando-se adicionalmente da meta para a inflação, superando seu limite superior na última leitura”, informou o Copom.

Desde o início de 2025, com a adoção do sistema de meta contínua, o objetivo é manter o IPCA em 3%, com tolerância entre 1,5% e 4,5%. Para 2027, o mercado financeiro estima que a inflação ficará em 4,10%, acima da meta central. O Copom indicou que vai calibrar a Selic à medida que a inflação passe a convergir com a meta, lembrando que as mudanças na taxa demoram de seis a 18 meses para ter impacto pleno na economia.

Imagem: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil

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