Economia
Reforma tributária pede planejamento no 2º semestre
Especialista alerta que empresas devem revisar processos e sistemas ainda em 2026, antes da implementação gradual da Reforma Tributária
A regulamentação da Reforma Tributária, portanto, inaugurou uma nova fase para as empresas brasileiras. Assim, o planejamento da reforma tributária se torna urgente já no segundo semestre de 2026, mesmo que a transição para o novo modelo seja gradual.
Quantas empresas serão afetadas pela mudança
Atualmente, o Brasil tem cerca de 25,2 milhões de empresas ativas, segundo o Mapa das Empresas do Governo Federal. Dentro desse total, cerca de 4 mil são empresas supermercadistas do varejo alimentar. Além disso, ao considerar todo o ecossistema do setor, incluindo grandes redes, supermercados independentes, mercados de bairro e atacarejos, esse universo ultrapassa 439 mil estabelecimentos no país, de acordo com a Associação Brasileira de Supermercados (ABRAS).
Nesse sentido, a adaptação envolve, sobretudo, mudanças na forma de recolher tributos. Ao mesmo tempo, ela exige ajustes em processos internos, sistemas, fluxo de caixa e governança fiscal.
Por que adiar o planejamento da reforma tributária é arriscado
Para a advogada Mérces da Silva Nunes, sócia do Silva Nunes Advogados e especialista em Direito Tributário, adiar esse planejamento pode, portanto, representar risco significativo. Segundo ela, a mudança vai muito além do recolhimento de tributos.
“A Reforma Tributária não exige apenas que as empresas paguem tributos de forma diferente. Ela exige uma mudança na forma de gerir o negócio. Quem deixar para se adaptar apenas quando as novas regras estiverem plenamente em vigor poderá enfrentar dificuldades operacionais, financeiras e de conformidade que, dependendo da situação da empresa, podem comprometer sua saúde financeira”, afirma.
Além disso, segundo a advogada, o Fisco deve intensificar o monitoramento das operações das empresas. Assim, cresce a exigência por organização contábil e fiscal.
“A tendência é de um monitoramento muito mais sofisticado das operações das empresas por parte do Fisco, reduzindo espaços para inconsistências entre documentos fiscais, movimentação financeira e apuração dos tributos. Isso exige organização e governança desde já”, explica.
Split payment altera o fluxo de caixa das empresas
Da mesma forma, a implementação gradual do split payment deve mudar o fluxo de caixa das empresas. Nesse modelo, segundo Mérces, a instituição financeira vai reter o valor correspondente aos tributos, como CBS e IBS. Em seguida, repassa esse valor à União e ao Comitê Gestor no momento da liquidação da operação. A empresa, por sua vez, recebe apenas o valor líquido da venda.
“Isso altera completamente a dinâmica do fluxo de caixa das empresas e exige planejamento financeiro, revisão de contratos, adequação de sistemas e maior controle sobre capital de giro. As empresas que não se prepararem poderão enfrentar dificuldades de liquidez”, diz Mérces.
Tecnologia é parte do planejamento da reforma tributária
Ainda segundo a advogada, a Reforma Tributária exige, principalmente, atualização de ERPs, revisão de cadastros, parametrização de documentos fiscais e treinamento de equipes. Ou seja, quanto maior a empresa, maior tende a ser essa complexidade.
“Quem iniciar esse processo apenas às vésperas da implementação corre o risco de enfrentar paralisações operacionais, autuações e aumento expressivo de custos”, alerta.
Por fim, Mérces resume o momento atual. Para ela, 2026 é, sobretudo, o momento de agir.
“2026 é o momento de diagnosticar riscos, revisar processos e construir um plano de adaptação. As empresas que enxergarem a Reforma Tributária apenas como uma mudança de alíquotas poderão ser surpreendidas por impactos muito mais profundos na operação. Em alguns casos, a ausência de planejamento poderá comprometer seriamente a continuidade do negócio”, conclui.
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