Eventos
Tecnologia no franchising: Royal Face reduz no-show em 40% e aumenta ticket médio em 25% com IA
Rede com mais de 250 unidades apresenta no ABF Summit 2026 modelo de integração digital que conecta CRM, estoque e dashboards em tempo real
Tecnologia no franchising deixou de ser opção para se tornar condição de sobrevivência competitiva. Foi com essa premissa que Claudia Abreu, da Royal Face, maior rede de clínicas de estética do Brasil, apresentou o case da empresa no ABF Franchising Summit 2026, nesta segunda-feira (22), em São Paulo. Com mais de 250 unidades em operação, a rede implementou um modelo de integração digital que resultou em 40% de redução de no-show, 25% de aumento no ticket médio via upsell automatizado e 30% de crescimento em novos agendamentos.
O ponto de partida da apresentação foi o contexto do setor. O franchising brasileiro fatura R$ 301,7 bilhões, segundo dados da ABF. Pesquisa da Salesforce indica que 73% dos consumidores afirmam que a experiência digital influencia a decisão de compra. Levantamento da McKinsey aponta crescimento três vezes maior para redes que integram dados entre franqueador e franqueado. E o ChatGPT, segundo Abreu, ocupa hoje a terceira posição entre os maiores influenciadores de consumo, atrás apenas de amigos e família.
“O nosso cliente já é omni”, afirmou Abreu ao posicionar a digitalização como necessidade de negócio, e não como alavanca de crescimento opcional. “Não é mais uma questão de crescimento — é de necessidade de negócio. Se a gente não estiver, o concorrente vai estar.”
A executiva também trouxe ao debate uma distinção entre tecnologia e cultura. Citando Arie de Geus, ex-executivo da Shell, Abreu destacou que “a única vantagem competitiva que não expira é a capacidade de aprender mais rápido do que o mercado muda.” Para ela, dados não substituem o conhecimento aplicado — ampliam. E cultura vence a execução: “Podemos colocar a melhor plataforma do mundo, mas se o time não estiver engajado, não vai rodar.” Na mesma linha, definiu o perfil do franqueado que escala: “Não é o mais inteligente — é o mais conectado.”
O modelo tecnológico da Royal Face foi estruturado em quatro frentes. A primeira é a operação omnichannel, alinhada ao comportamento do consumidor que transita entre canais digitais e físicos sem distinção. A segunda é a estratégia de fidelização, motivada pelo aumento do custo de aquisição de clientes: para Abreu, fidelização deixou de ser opcional e recorrência tornou-se essencial. “O cliente fiel não volta por hábito, mas por lembrança. É importante se manter presente”, disse. A terceira é o estoque inteligente com notificações em tempo real, que impede tanto a perda de vendas por falta de produto quanto o comprometimento do giro por excesso. A quarta é a gestão por dashboards estratégicos, que permite monitorar expansão, inadimplência, performance por unidade e antecipação de tendências.

No campo da inteligência artificial, a Royal Face implementou CRM com qualificação automática de leads via WhatsApp, agendamento inteligente, geração de links de pagamento por Pix e cartão integrados ao fluxo de atendimento, upsell automatizado e gestão de recorrência — como o lembrete de retorno para aplicação de botox a cada quatro meses. Os resultados apresentados foram diretos: 40% de redução de no-show, 25% de aumento no ticket médio e 30% de crescimento em novos agendamentos.
A apresentação encerrou com a síntese que atravessou todos os pontos. Tecnologia, para a Royal Face, não é custo — é estrutura. E a integração entre dados, cultura e execução é o que determina se uma rede usa a tecnologia ou apenas a possui.
Por Patricia Cotti – Sócia-diretora da Goakira, Diretora IBEVAR, Colunista Central do Varejo, professora dos MBAs da FIA, ESPM, ESECOM e USP.

