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Fórum E-Commerce Brasil: tecnologia aposta em agentes de IA
Eitri, Wicomm, WPP e OminiChat compartilharam visões do futuro para a Central do Varejo e mais durante o evento.
A tecnologia se tornou o tópico do Fórum E-commerce Brasil de 2026: desde o momento de testes de novas inteligências artificial e novas formas de automatizar e melhorar a jornada do cliente, até novas formas de otimizar trabalhos de equipe.
Dentro desta categoria, a Central do Varejo conversou com quatro gigantes que apresentaram suas novidades durante toda a jornada do fórum, que ocorreu de segunda-feira (28) até esta quarta-feira (30).
OmniChat no Fórum E-commerce Brasil
A OmniChat triplicou as vendas de um cliente do setor de brinquedos no último trimestre, sem contratar reforço temporário, com um agente de inteligência artificial pelo WhatsApp.
O caso foi citado por Maurício Trezub, CEO da OmniChat, em entrevista exclusiva à Central do Varejo durante o Fórum E-Commerce Brasil 2026, no Distrito Anhembi, em São Paulo.
O resultado ilustra uma frente comum entre fornecedores de tecnologia no evento. Eitri, Wicomm e WPP Commerce também lançaram agentes de IA e aplicativos próprios e falaram à reportagem.
Segundo Trezub, o cliente citado é o maior grupo de brinquedos do país, com 300 lojas. Antes, o WhatsApp da rede roteava todo atendimento para o vendedor de loja, que dividia atenção entre o balcão físico e as mensagens.
Com a adoção do agente de IA da OmniChat, segundo o CEO, o atendimento pelo WhatsApp passou a ser resolvido em segundos, sem tirar o vendedor da loja física. A conversão no canal, de acordo com Trezub, saltou de 4% para 70%.
“Uma empresa que consegue triplicar as vendas em um canal sem aumentar a mão de obra é um resultado e tanto”, disse Trezub. O executivo tratava do desempenho da rede no quarto trimestre, período de Dia das Crianças, Black Friday e Natal.

O futuro é robotizado ou humanizado?
Questionado sobre a disputa entre atendimento humano e automatizado, Trezub disse que o consumidor prioriza a velocidade da solução, não o canal.
Segundo ele, a OmniChat hoje atende 500 clientes, dos quais 140 já usam agente de vendas por WhatsApp. Ainda assim, apenas 10% das conversas na ferramenta são hoje conduzidas por IA, contra 90% de atendimento humano.
Para Trezub, essa proporção deve se inverter nos próximos anos, sustentada pelo volume de investimento em laboratórios de inteligência artificial no mundo, hoje próximo de US$ 1 trilhão.
Segundo a OmniChat, a empresa também apresenta atualizações do Whizz Agent, em três frentes. A de pré-venda qualifica leads, a de vendas é treinada no catálogo de cada marca, e a de pós-venda trata trocas e devoluções.
Outro lançamento é o WhatsApp Coexistence (CoEx), que conecta o WhatsApp Business à API oficial sem trocar o número da loja, com relatórios gerados pela IA.
De acordo com a empresa, o estande da OmniChat recebe a série Talk Show & Tech Talk, com 11 casos de clientes como Kipling, Ri Happy, Decathlon e Tok&Stok. Trezub participa da plenária de Marketing e Vendas no dia 30.
Wicomm apresenta Ártemis para o Fórum E-commerce Brasil
A Wicomm apresentou a Ártemis, plataforma que centraliza automações, relatórios e agentes de inteligência artificial da consultoria em um mesmo ambiente, segundo a empresa. A ferramenta reúne módulos de CRO, produção de conteúdo, revisão técnica de SEO, teste A/B e pesquisas de front-end.
Em entrevista à Central do Varejo, Juliano Folino, partner e CRO da Wicomm, afirmou que a centralização em uma mesma base de dados amplia a profundidade das respostas geradas por IA. Segundo ele, antes esses dados ficavam fragmentados entre ferramentas diferentes, o que também gerava custo extra de horas de trabalho.
Questionado sobre a relação entre IA e atendimento humano, o executivo disse acreditar que a troca humana nunca vai acabar. Para ele, o crescimento da empresa está ligado a um atendimento de conta mais próximo e especializado por segmento.
O executivo citou a participação anual da empresa na NRF, em janeiro, como fonte de identificação de tendências. Segundo ele, mais da metade do conteúdo da edição deste ano já tratava de IA, incluindo compras feitas diretamente por agentes.
Para o executivo, frentes como teste A/B e CRO devem ficar cerca de 90% automatizadas por ferramentas em dois ou três anos, restando 10% de consultoria humana.
A plataforma foi construída pela empresa, que soma mais de 100 clientes e atua com marcas como Iguatemi, Rede Américas, Zema e Black Skull.
“Com a Ártemis, reunimos tecnologia e inteligência para tornar as operações de SEO mais eficientes e preparadas para uma nova realidade do mercado digital”, afirma Felipe Coelho, CEO da Wicomm.

Eitri aposta em app como agente de quarta geração
A Eitri apresentou sua visão de uma quarta geração de aplicativos de comércio. Nela, o app passa a atuar como um agente dentro do celular do consumidor, segundo Guilherme Martins, cofundador da empresa, em entrevista à Central do Varejo.
Segundo Martins, a Eitri já havia estruturado uma terceira geração de app commerce, dando ao lojista autonomia para tratar o aplicativo como extensão da marca, além de vitrine de compra.
Como exemplo da nova geração, Martins citou um caso de farmácia. Segundo ele, o agente lê a foto de uma receita médica e identifica o tratamento prescrito. A partir disso, sugere produtos e acompanha a adesão do paciente com lembretes.
Se a receita não traz a forma de uso do medicamento, o agente orienta o cliente a confirmar a dosagem com o médico. Martins afirmou que o processo segue protocolos do setor regulado de farmácias.
No setor de moda, a Eitri já opera prova virtual de roupa a partir de fotos, de acordo com Martins.
Sobre atendimento automatizado, Martins disse ter reservas quanto a assistentes conversacionais dentro do aplicativo. Segundo ele, a proposta da Eitri é fazer o app navegar e levar o cliente direto ao que precisa, sem reproduzir uma conversa de WhatsApp dentro do app.
O executivo comparou essa jornada a um atendente de farmácia guiando o cliente até a prateleira certa, em vez de apenas responder perguntas.
Sobre sazonalidade, Martins afirmou que a diluição da Black Friday em datas mensais torna o aplicativo próprio mais relevante como canal de retenção, com uso de favoritos e notificações push.
Segundo o executivo, um cliente do setor de brinquedos reduziu o investimento em aquisição paga por campanha ao nutrir a base própria pelo aplicativo, de cerca de R$ 300 mil para R$ 100 mil por ação.
Segundo a Eitri, a empresa construiu a terceira geração de app commerce SaaS no Brasil e atende operações que usam VTEX, Wake e Shopify. A companhia também lança no Fórum o programa App Growth, voltado a aquisição, engajamento e retenção de usuários de aplicativos.
“O consumidor compara a experiência de compra com os melhores aplicativos que utiliza diariamente, como plataformas de delivery e streaming”, afirma Guilherme Martins.

WPP Commerce quer unificar ecossistema fragmentado do varejo
A WPP Commerce, resultado da fusão entre Corebiz e Enext, apresentou no Fórum uma plataforma para dar visão unificada a operações de varejo espalhadas por múltiplos canais digitais. A informação é de Douglas Bortoliero, diretor de Estratégia de E-commerce da empresa, em entrevista à Central do Varejo.
De acordo com Bortoliero, o público-alvo são empresas com operações complexas. Alguns clientes somam até 40 canais de venda entre marketplaces, mídia paga e CRM, sem uma visão única desse ecossistema.
O executivo descreveu o modelo em três frentes, batizadas de 3C: motor comercial (software e descontos), motor de conversão (performance em marketplace) e motor de conexão, que une esses dados para orientar investimento por canal.
Segundo Bortoliero, a sazonalidade do varejo também mudou. Para ele, a Black Friday vem se diluindo em datas recorrentes ao longo do ano, como as datas duplas de junho a agosto. Isso exige antecipar demanda por categoria e período, como o pico de material escolar em julho.
Bortoliero também citou o TikTok Shop: a WPP Commerce foi a primeira a criar um conector para a plataforma no Brasil, antes de existir loja oficial do TikTok no país.
O executivo descreveu o canal como relevante para aquisição, mas com baixo controle de dados do cliente para o lojista, o que reforça a necessidade de canais próprios.

Sobre inteligência artificial, Bortoliero afirmou que o papel da consultoria é ajudar o cliente a definir estratégia antes da ferramenta. Segundo ele, muitas empresas hoje buscam tecnologia sem antes definir o problema que querem resolver.
Segundo a WPP Commerce, a empresa mantém estande de 80 m² no Fórum, com a presença de Felipe Macedo, CEO, e Bruno Cury, COO.
“Nossa participação será uma oportunidade para compartilhar experiências e mostrar como uma operação integrada pode gerar mais eficiência e crescimento para os negócios”, afirma Macedo. A companhia soma mais de 600 especialistas na América Latina, segundo a empresa.
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