Operação
Fusões e aquisições no Brasil tem menos operações, mas ticket médio maior
Número de transações caiu 30% nos cinco primeiros meses de 2026, enquanto o valor por empresa transacionada avançou 25%, segundo a TTR Data
O mercado brasileiro de fusões e aquisições (M&A) encerrou os cinco primeiros meses de 2026 com queda de cerca de 30% no número de operações, na comparação anual, segundo dados da TTR Data.
Em contrapartida, o ticket por transação com valor divulgado avançou cerca de 25%, indicando concentração de recursos em ativos maiores.
No período até maio de 2025, as transações com valor publicado (278 de um total de 789) somaram R$ 142,4 bilhões. No mesmo período de 2026, as transações com valor divulgado (240 de 557) atingiram R$ 153,2 bilhões.
Fusões e aquisições se concentram em empresas com escala e governança
Para Vitor Lourencini, vice-presidente da Acorn Advisory, o movimento reflete uma mudança no perfil das operações, e não uma retração do apetite dos investidores.
“O que estamos vendo não é uma retração do mercado, mas um processo de filtragem. Tivemos menos deals, mas com um ticket bem maior. O capital continua disponível, porém direcionado para empresas com escala, governança estruturada e capacidade comprovada de geração de valor”, afirma Lourencini.
Os setores de Tecnologia, Serviços Financeiros, Real Estate, Energia, Distribuição e Varejo concentraram as operações mais relevantes do semestre, segundo o levantamento. Fundos de Private Equity mantiveram o foco em ativos de maior porte.
Investidores da América do Norte e da Europa lideraram as aquisições no período, atraídos por valuations descontados em dólar e pela expectativa de mudanças na reforma tributária, segundo Lourencini.
A indefinição sobre a alíquota final dos novos impostos da reforma tributária adiciona incerteza às avaliações de empresas e ativos, segundo o executivo. A extinção gradual dos incentivos fiscais até 2033 separa os alvos de M&A em dois grupos: empresas dependentes de incentivos, que tendem a perder valuation, e empresas em setores beneficiados pela reforma.
Segundo Lourencini, o mercado de empresas de capital fechado concentra parte relevante das oportunidades, com destaque para empresas familiares de médio porte com geração de caixa consistente e estrutura de capital equilibrada.
Para o segundo semestre, ele projeta concentração de transações no trimestre anterior às eleições, em um cenário sem perspectiva de redução do custo de capital no curto prazo.
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Imagem: Freepik
