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E-commerce brasileiro faturou R$ 208 bilhões no 1º semestre de 2026

Setor cresce 16,9% no período, mas ticket médio recua 13,3%; estudo da Confi e do E-commerce Brasil aponta migração para compras mais recorrentes e planejadas

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O e-commerce brasileiro faturou R$ 208,4 bilhões no primeiro semestre de 2026, alta de 16,9% em relação ao mesmo período de 2025. Entre janeiro e junho, o setor somou 756,7 milhões de pedidos, crescimento de 34,8%. Os dados são do relatório “Da Compra à Confiança — Panorama do e-commerce brasileiro no primeiro semestre de 2026”, divulgado nesta terça-feira (28) no Fórum E-commerce Brasil.

O estudo foi elaborado pela Confi, por meio da Neotrust e da Aftersale, em parceria com o E-commerce Brasil, com base em transações de mais de sete mil lojas e no perfil de mais de 85 milhões de consumidores digitais.

Apesar do avanço no faturamento, o tíquete médio recuou 13,3%, para R$ 275,50, e o número de itens por compra caiu de 2,25 para 1,97, queda de 12,4%.

“O avanço no faturamento do e-commerce foi sustentado principalmente pelo aumento da frequência de compras. Os consumidores passaram a fazer mais pedidos, com menos produtos por transação e menor tíquete médio, indicando uma migração para compras mais recorrentes e planejadas ao longo do semestre”, afirma Pedro Chiamulera, CEO da Confi.

“O aumento da recorrência das compras exige mais separação de mercadorias, embalagens, entregas, atendimento e gestão de trocas, elevando a pressão sobre toda a cadeia”, afirma Léo Bicalho, head da Neotrust.

E-commerce brasileiro deve faturar R$ 462,5 bilhões em 2026

O estudo projeta faturamento de R$ 254 bilhões para o segundo semestre, alta de 20% sobre o mesmo período de 2025. Caso se confirme, o setor deve fechar 2026 com R$ 462,5 bilhões, crescimento de 18,6% no ano.

“A vantagem competitiva deixa de estar apenas na aquisição de clientes e passa a depender da capacidade das empresas de executar bem toda a jornada, da experiência de compra ao pós-venda”, afirma Bruno Pati, CEO do E-commerce Brasil.

Na análise por categorias, Moda e Acessórios liderou o faturamento no semestre, com R$ 19,3 bilhões, à frente de Eletrodomésticos (R$ 19,2 bilhões), Saúde (R$ 15,5 bilhões), Eletrônicos (R$ 14,4 bilhões) e Telefonia (R$ 14 bilhões).

Saúde foi a categoria que mais cresceu no período, com alta de 45,8%, impulsionada pela venda de canetas emagrecedoras, que faturaram R$ 6,1 bilhões, alta de 213%. Em seguida vieram Casa e Construção (26,9%), Moda e Acessórios (23,1%) e Esporte e Lazer (20,9%).

Maio foi o mês de melhor desempenho, com R$ 38 bilhões em faturamento. O maior pico de vendas em um único dia ocorreu na data dupla 5/5, com 12,2 milhões de unidades vendidas e R$ 1,88 bilhão em faturamento, impulsionado pela proximidade com o Dia das Mães.

A Copa do Mundo influenciou o faturamento de televisores, que somou R$ 9,2 bilhões, alta de 28,9%, puxado pela busca por modelos de 50 a 59 polegadas e alta de 165,1% nas vendas de aparelhos acima de 70 polegadas. O e-commerce de vestuário esportivo cresceu 139,3% no semestre, para R$ 1,9 bilhão, com a categoria de camisas esportivas faturando R$ 1 bilhão, alta de 73,7%.

Consumidores também compraram mais de 82 mil álbuns e 720 mil pacotes de figurinhas no semestre, com média de 22 mil envelopes e 1,4 mil álbuns vendidos por dia nas três primeiras semanas após o lançamento.

No pós-venda, 58% das solicitações de devolução resultaram em estorno, e 42% foram convertidas em vale-compras. Os principais motivos para trocas e devoluções foram problemas de tamanho (55%), arrependimento (15%), defeitos (12%), expectativa não atendida (8%), problemas logísticos (5%) e envio de produto errado (5%).

As maiores taxas de devolução ocorrem em Calçados (16% a 20%), Moda Fitness (15% a 18%), Moda (12% a 18%) e Infantil (12% a 15%). Cama, Mesa e Banho (5%), Cosméticos (4%), Móveis (3%), Eletrônicos (2% a 5%), Pet (2% a 4%) e Livros e Papelaria (1% a 2%) têm índices menores.

“Durante muito tempo, a devolução foi tratada como um problema inevitável. Hoje, ela precisa ser tratada como parte estratégica da operação”, afirma Maurício Cwajgenbaum, head da Aftersale.

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