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Aramis projeta R$ 3 bilhões em faturamento até 2030 com modelo de house of brands masculina

Richard Stad apresenta no ABF Summit 2026 a estratégia multicanal da rede, com três marcas, 130 lojas e expansão planejada por dados

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A Aramis fechou 2025 com 93% das vendas no canal físico, crescimento médio de 17% na receita líquida nos últimos três anos e operação distribuída entre lojas próprias, franquias, multimarcas e e-commerce. A visão declarada para 2030 é chegar a R$ 3 bilhões em faturamento e a um ecossistema de seis a oito marcas. Os dados foram apresentados por Richard Stad, CEO da Aramis, no painel “Gestão de Excelência para uma Expansão Sustentável”, realizado nesta terça-feira (23) durante o ABF Franchising Summit 2026, em São Paulo, com moderação de Claudia Vobeto, diretora de Capacitação da ABF e fundadora da Majô Beauty Clinic.

O grupo opera hoje três marcas — Aramis, Urban e Aramis Next — com mais de 130 lojas, mais de 1.250 pontos multimarca e 28 inaugurações previstas para 2026, sendo 15 franquias, 12 lojas próprias e um quiosque. O share de faturamento por canal em 2025 foi distribuído entre full price (30,7%), multimarca (24,9%), franquias (19,6%), outlet (15,1%) e e-commerce (9,5%).

Stad assumiu o comando da Aramis aos 29 anos, em um processo de sucessão que descreveu como menos turbulento do que o habitual. Filho do fundador, entrou na empresa aos 22 anos, começou no estoque e passou por marketing e multimarca antes de assumir a liderança. A transição foi construída sobre uma divisão de papéis entre pai e filho: o fundador como referência de produto e operação; Richard como responsável pelo crescimento. “Teve um pouco de sorte, porque sucessão pode ser um aspecto denso e não foi”, disse. Em 2012, trouxe um fundo de investimento para estruturar a governança — convicto de que gestão familiar e estrutura profissional não são excludentes.

Ao relatar as dores iniciais do processo de liderança, Stad organizou o aprendizado em camadas. A primeira foi a construção de uma cultura pautada em valores, o que exigiu desconstruir antes de construir. “Você não leva as pessoas para onde você não for. Primeiro você vai atrás dos seus valores e da sua essência”, afirmou. Para sustentar essa transição, reuniu funcionários antigos e novos: os primeiros para contar como chegaram até ali, os novos para explicar por que entraram e como somar. O NPS interno chegou a 84%.

A pandemia funcionou como ponto de inflexão. Até 2019, a Aramis crescia 14% ao ano de forma consistente — e foi justamente essa consistência que, segundo Stad, criou uma miopia operacional. “Quando você cresce com consistência, não enxerga os problemas da sua operação”, disse. Em conversas com outros executivos durante o isolamento, percebeu que a empresa precisava de um reposicionamento profundo. Em seis meses, lançou a campanha “Redescubra Aramis”: novo logo, novo mix, nova identidade. O piloto foi feito em uma loja de performance mediana. A loja cresceu. No meio da pandemia.

A Urban nasceu dessa mesma lógica de teste. Lançada em abril de 2025 no Shopping Morumbi, a marca foi construída do zero para avaliar se teria penetração por conta própria. O diferencial de loja — provador posicionado no centro do espaço — foi uma decisão deliberada para provocar o cliente a experimentar um produto diferente. A meta inicial era R$ 400 mil por mês. A loja hoje faz R$ 600 mil. “Quando a Urban começa a representar mais de 24% das vendas de uma loja, isso mostra que tem potencial para ter uma Urban independente”, disse Stad.

A estratégia de expansão multicanal da Aramis é orientada por dados cruzados entre canais. No multimarca, a rede sabe que ao atingir determinados indicadores em uma região, há espaço para uma franquia. Na franquia, o próprio CEO conduz a entrevista final com cada candidato. “Não trago nenhum franqueado onde eu não colocaria o meu próprio dinheiro”, afirmou Stad.

As duas macrovisões que orientam o crescimento do grupo são tornar-se a primeira house of brands de moda masculina premium do Brasil e construir uma plataforma de fashion data. Os cinco pilares que sustentam esse modelo são sourcing com parceiros internacionais, distribuição por lojas e multimarcas, base de 600 mil clientes ativos nos últimos 12 meses, plataforma tecnológica e fashion tech. “O segredo do ecossistema bem estruturado é entender momentos e perfis, e jogar com o ecossistema a favor”, concluiu Stad.

Por Patricia Cotti – Sócia-diretora da Goakira, Diretora IBEVAR, Colunista Central do Varejo, professora dos MBAs da FIA, ESPM, ESECOM e USP.

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