Eventos
Copa do Mundo 2026 impulsiona bilhões no setor de eventos
A Copa do Mundo 2026 injeta bilhões no setor de eventos, segundo relatórios da FIFA e uma projeção do Bank Of America.
A Copa do Mundo 2026 deve impulsionar um dos maiores ciclos de investimento em eventos, ativações e experiências de marca já registrados. Com a expansão do torneio para 48 seleções e expectativa de receitas globais superiores a US$ 10 bilhões, o campeonato é apontado por especialistas como um importante motor para setores como eventos, turismo, varejo, bebidas, tecnologia e serviços financeiros.
De acordo com relatórios da FIFA, a edição de 2026 deve gerar mais de US$ 2,8 bilhões em patrocínios e ultrapassar US$ 4,2 bilhões em receitas provenientes de direitos de transmissão. Além disso, um estudo de impacto econômico da entidade estima cerca de US$ 13,9 bilhões em gastos diretos relacionados ao evento, incluindo turismo, hospitalidade e ativações promocionais. O impacto econômico global pode chegar a US$ 80 bilhões.
Outra projeção, divulgada pelo Bank of America, aponta que a Copa do Mundo 2026 deverá injetar aproximadamente US$ 41 bilhões, o equivalente a cerca de R$ 225 bilhões, na economia mundial. Entre os segmentos beneficiados estão hotelaria, alimentação, entretenimento, turismo e eventos corporativos.
Segundo Evandro Monteiro, CEO da Origami Marketing e Eventos, os anos de Copa costumam representar um período de crescimento para o mercado de eventos devido à combinação de audiência elevada e forte engajamento do público.
“Durante a Copa, a atenção do público se concentra como em poucos outros momentos, com audiências massivas e altamente engajadas. Ao mesmo tempo, o componente emocional do futebol encurta a distância entre marcas e consumidores, influenciando diretamente decisões de consumo. Soma-se a isso o comportamento coletivo, com jogos assistidos em grupo, encontros e celebrações, que impulsiona a demanda por eventos, ativações e experiências compartilhadas”, diz.
Marcas utilizam a Copa do Mundo como plataforma de relacionamento
O histórico recente das competições mostra como grandes empresas utilizam o torneio para ampliar o relacionamento com consumidores e parceiros. Durante a Copa do Mundo de 2022, no Catar, a Budweiser investiu em fan zones, eventos simultâneos em diversos países e ações com influenciadores.
Mesmo diante das restrições para venda de bebidas alcoólicas nos estádios do país-sede, a empresa direcionou seus esforços para experiências realizadas fora das arenas, criando espaços voltados à convivência e à transmissão dos jogos.
No Brasil, a Heineken apostou em eventos exclusivos para clientes e parceiros, além de experiências abertas ao público em grandes centros urbanos. As iniciativas combinaram transmissões das partidas, encontros corporativos e integração com campanhas digitais.
Já o Itaú Unibanco tem utilizado o futebol como uma estratégia contínua de comunicação. Em períodos de Copa do Mundo, a instituição intensifica eventos presenciais e experiências voltadas para clientes, associando ações de relacionamento à sua atuação no setor financeiro.
Para Monteiro, os impactos dessas iniciativas vão além do período de realização dos jogos.
“Ciclos como o da Copa do Mundo aceleram a conexão entre marcas e público. Os jogos duram apenas 90 minutos, mas uma experiência bem executada pode gerar impacto por anos. Por isso, é fundamental aproveitar esse momento para investir em estratégias capazes de criar conexões reais, fortalecer relacionamento e gerar resultados concretos para o negócio”, afirma.
Brasil registra recorde no setor de eventos
O potencial de crescimento do mercado encontra respaldo nos números mais recentes do setor. Segundo o Radar Econômico da Associação Brasileira dos Promotores de Eventos (ABRAPE), o segmento de eventos e entretenimento movimentou R$ 25,33 bilhões apenas no primeiro bimestre de 2026, estabelecendo um recorde para o período.
A expectativa é que ciclos de grande visibilidade, como a Copa do Mundo 2026, ampliem ainda mais essa movimentação econômica, beneficiando empresas de diferentes portes, desde grandes organizadoras de eventos até fornecedores locais.
Entre os setores mais impactados estão bebidas, varejo, tecnologia e serviços financeiros. Dados da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel) mostram que, durante a primeira semana da Copa do Mundo de 2022, bares e restaurantes brasileiros registraram crescimento de aproximadamente 30% no faturamento. O resultado foi impulsionado por confraternizações, transmissões públicas dos jogos e ações corporativas ligadas ao torneio.
“Também ganham força as experiências exclusivas, especialmente voltadas à fidelização de clientes premium, com ações desenhadas para oferecer diferenciação e proximidade. Essa combinação amplia o impacto das iniciativas e prolonga seus efeitos para além do momento do evento”, complementa o CEO da Origami.
Tecnologia amplia papel dos eventos
Além do crescimento dos investimentos, a tecnologia tem transformado a forma como os eventos são planejados e executados. A tendência apontada por especialistas é que as próximas edições da Copa do Mundo tenham experiências cada vez mais conectadas a ferramentas digitais, análise de dados e inteligência artificial.
“A tendência para as próximas Copas do Mundo é de eventos cada vez mais integrados à tecnologia, dados e personalização. O uso de inteligência artificial, plataformas digitais e análise de comportamento permite compreender melhor o público, ajustar experiências em tempo real e direcionar ações mais personalizadas e individualizadas, com maior precisão e potencial de retorno para as marcas”, afirma.
Nesse cenário, os eventos deixam de funcionar apenas como espaços de exposição e passam a atuar como plataformas híbridas de relacionamento, geração de negócios e estratégias digitais integradas. Com apoio de inteligência artificial, análise de dados e ferramentas de interação em tempo real, empresas buscam criar conexões mais qualificadas e ampliar oportunidades de conversão e fidelização.
“Se antes os eventos eram planejados principalmente para dar visibilidade às marcas, hoje eles são avaliados com muito mais rigor”, explica o CEO da Origami Marketing e Eventos. “Nesse cenário econômico mais desafiador, as empresas buscam garantir retorno concreto sobre o investimento (ROI), integrar os eventos a outros canais, como digital e CRM, e medir com mais precisão os resultados gerados, como engajamento, geração de leads e impacto nos negócios”, conclui.
A tendência acompanha o avanço do marketing experiencial no mundo. Segundo o Business Research Insights, esse mercado deverá alcançar US$ 71,22 bilhões até 2035.
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