Economia
Crediário cresce 14,6% no primeiro trimestre, diz pesquisa
Com o cartão consumindo 54% do orçamento familiar e juros já comprometendo 6,3% da renda, o crediário avança como alternativa no varejo, com ticket médio de R$ 1.543, segundo a Top One Financeira, que já analisou mais de R$ 3 bilhões em crédito.
O crediário voltou a ganhar espaço no varejo brasileiro no início de 2026, em um cenário marcado pelo aumento do endividamento das famílias no cartão de crédito. Dados do Banco Central do Brasil indicam que o cartão já consome 54% do orçamento familiar no país, avanço significativo em relação aos 38,5% registrados em 2020. Além disso, os juros da modalidade passaram a comprometer 6,3% da renda dos consumidores, pressionando o planejamento financeiro doméstico.
Esse contexto tem influenciado mudanças no comportamento de consumo. Com o custo elevado do crédito rotativo e menor previsibilidade no uso do cartão, parte dos consumidores tem buscado alternativas com parcelas fixas e prazos definidos, como o crediário oferecido diretamente no ponto de venda. O movimento reflete uma tentativa de maior controle sobre o orçamento, diante de condições financeiras mais restritivas.
Levantamento da Top One Financeira mostra que o volume de vendas via crediário cresceu 14,6% no primeiro trimestre de 2026 na comparação com o mesmo período do ano anterior. O ticket médio das operações foi de R$ 1.543, indicando que a modalidade tem sido utilizada em compras de maior valor.
Apesar do crescimento na demanda, os critérios de concessão de crédito permaneceram estáveis. A taxa de aprovação não apresentou variação relevante no período, enquanto o comprometimento médio de renda dos consumidores ficou em 15,5%. Os dados sugerem que, mesmo com a expansão do crediário, as instituições financeiras mantêm uma política de análise mais rigorosa.
Segundo Vanderley Cardoso de Moraes, CEO da Top One Financeira, o avanço do crediário está diretamente relacionado ao maior uso do limite do cartão de crédito pelas famílias: “Com o cartão ocupando uma parcela cada vez maior da renda, muitos consumidores passaram a buscar no crediário uma alternativa para continuar comprando sem depender do limite disponível. Isso mantém o consumo ativo no varejo, mas exige análise criteriosa para que o financiamento siga compatível com a capacidade de pagamento e não amplie o risco de inadimplência”.
Ainda de acordo com o levantamento, 33,8% dos clientes elegíveis para obtenção de crédito foram aprovados no primeiro trimestre de 2026, nível semelhante ao registrado no mesmo período de 2025. O dado reforça a estabilidade na concessão, mesmo diante de uma demanda maior por financiamento no varejo.
Outro aspecto relevante é o perfil dos consumidores que recorrem ao crediário. Cerca de 80% das análises realizadas no período corresponderam a clientes em primeira compra. Esse indicador aponta para a entrada de novos perfis no sistema de financiamento, o que pode refletir tanto a busca por alternativas ao cartão quanto a ampliação do acesso ao crédito.
A manutenção da taxa de aprovação, mesmo com a maior participação de novos consumidores, sugere a existência de demanda reprimida por modalidades de financiamento diferentes do cartão de crédito. Ao mesmo tempo, o cenário exige cautela por parte das instituições, para evitar aumento do risco de inadimplência em um contexto de renda comprometida.
O crescimento do crediário ocorre em paralelo a um ambiente de crédito mais caro, especialmente nas linhas rotativas do cartão. Com juros elevados, o custo total das compras parceladas no cartão pode superar o de outras modalidades, incentivando a migração para opções com condições previamente definidas.
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