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Fraude no varejo: o que é, tipos e como prevenir

Como prevenir, identificar e entender que seu negócio é vulnerável para fraudes específicas dentro de sites e, até mesmo presencial? Entenda

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Fraude no varejo

O varejo brasileiro perdeu R$ 36,5 bilhões com furtos, fraudes e falhas operacionais em 2025, segundo a Pesquisa Abrappe de Perdas no Varejo Brasileiro, feita em parceria com a KPMG e divulgada em janeiro de 2026. O valor é R$ 1,6 bilhão maior que o registrado em 2024.

O levantamento ouviu 179 empresas em 24 estados, 43% delas com faturamento anual acima de R$ 1 bilhão. O índice médio de perdas caiu de 1,57% para 1,51% da receita líquida, mas o crescimento do número de participantes elevou o total em reais.

Fraude no varejo é o termo usado para descrever qualquer ato intencional de obter vantagem indevida contra um varejista ou um consumidor. Isso inclui furto, uso indevido de identidade, manipulação de pagamento e fraude cometida por funcionários.

O conceito reúne fraude física, dentro da loja, e fraude digital, ligada a e-commerce e meios de pagamento.

O que é fraude no varejo

Fraude no varejo ocorre quando alguém, de forma deliberada, causa prejuízo financeiro a um varejista ou usa dados de terceiros para obter produtos, crédito ou reembolso sem direito a eles.

A definição inclui furto interno, cometido por funcionários, furto externo, praticado por clientes ou terceiros, e fraude digital, que atinge compras online e meios de pagamento.

Segundo a Abrappe (Associação Brasileira de Prevenção de Perdas), cerca de 70% das perdas do varejo brasileiro em 2025 vieram de quebras operacionais, furtos internos e externos e erros de inventário. O restante se divide entre fraudes de pagamento, chargeback e outras causas específicas de cada segmento.

A fraude se diferencia do erro operacional pela intenção. Uma mercadoria perdida por erro de contagem de estoque é quebra operacional. A mesma mercadoria retirada de forma proposital por um funcionário, sem registro, é furto interno, uma das categorias de fraude no varejo.

Quanto o varejo brasileiro perde com furtos e fraudes

O prejuízo de R$ 36,5 bilhões apurado pela Abrappe e pela KPMG em 2025 equivale a 1,51% do faturamento líquido do setor. Farmácias e drogarias tiveram alta de 38,9% nas perdas, com furto de canetas de emagrecimento, dermocosméticos e produtos de alto risco.

Já a perfumaria teve queda de 56,6% nas perdas, atribuída a controles mais rigorosos na exposição de produtos, com venda assistida. Materiais de construção recuaram 14,9%, mas mantiveram acurácia qualitativa de estoque próxima de 50%, a mais baixa entre os segmentos pesquisados.

O levantamento também mediu ruptura comercial, quando o produto não chega à loja em volume suficiente, e ruptura operacional, quando o item está no estoque mas não na gôndola. As duas taxas subiram em relação a 2023, para 7,81% e 5,10%.

Furtos internos e externos seguem como o maior desafio transversal a todos os segmentos pesquisados pela Abrappe, agravados pela falta de investimento em tecnologia antifurto e pela exposição inadequada de produtos de alto valor.

Fraude no varejo

Quais são os principais tipos de fraude no varejo

A fraude no varejo se divide em quatro categorias principais, segundo o cruzamento de dados da Abrappe, da Serasa Experian e da ACFE (Association of Certified Fraud Examiners).

Furto interno. Cometido por funcionários, inclui violação de embalagens, contagem incorreta de mercadorias na saída e alteração de peso na pesagem. Dados da Abrappe mostram que o furto interno responde por 7,96% do total de perdas do varejo brasileiro.

Furto externo. Praticado por clientes ou terceiros sem vínculo com a empresa, é a categoria mais numerosa em volume de ocorrências, junto com quebras operacionais, segundo a Abrappe.

Fraude de identidade. Ocorre quando um criminoso usa CPF, RG, e-mail, fotos ou endereço de terceiros para abrir cadastros, aprovar compras ou acessar contas em nome da vítima.

As tentativas de fraude de identidade no varejo brasileiro cresceram 120,7% no primeiro semestre de 2026 frente a 2025, segundo a Serasa Experian, com 2.860.957 tentativas entre janeiro e junho.

Fraude de pagamento no e-commerce. Envolve cartões clonados, contas invadidas e chargeback indevido. A fraude no e-commerce brasileiro colocou R$ 573,1 milhões em risco no primeiro semestre de 2026, com 743.638 tentativas identificadas, uma a cada 21 segundos, segundo a Serasa Experian.

Como a fraude digital muda de perfil no e-commerce

O perfil da fraude no e-commerce brasileiro mudou de forma consistente no último ano. Segundo o Mapa da Fraude 2025 da ClearSale, o país registrou 2,8 milhões de tentativas de fraude no comércio eletrônico, somando R$ 3 bilhões em valores potencialmente perdidos, uma queda de 4,7% no montante total em relação a 2023.

Mesmo com o total menor, o ticket médio das transações fraudulentas subiu para R$ 1.072,33, alta de 9,8%. O dado indica que fraudadores passaram a mirar compras de maior valor, em vez de ataques em massa de baixo valor.

Categorias como beleza, calçados e saúde lideraram o volume de tentativas barradas pelo antifraude em maio de 2026, segundo a Serasa Experian.

O segmento de eletrodomésticos, que liderava o ranking em 2025, perdeu espaço para produtos de ticket mais alto e maior liquidez de revenda, como canetas emagrecedoras.

Pesquisa da Mastercard sobre percepção de fraude na América Latina mostra que, no Brasil, compras e varejo são o tipo de fraude mais citado pelos consumidores, apontado por 37% dos entrevistados, na frente de golpes de investimento e criptomoedas, com 30%.

Como funciona a fraude interna cometida por funcionários

A fraude interna é uma das categorias mais difíceis de identificar porque parte de quem já tem acesso legítimo a sistemas, estoque e caixa. O Occupational Fraud 2026, relatório da ACFE que analisou 2.402 casos em 143 países, aponta que 41% das fraudes ocupacionais são cometidas por funcionários e outros 41% por gerentes.

Segundo o mesmo levantamento, esquemas praticados por profissionais com mais de dez anos de casa produziram perdas medianas de US$ 200 mil, valor superior ao de fraudes cometidas por funcionários mais novos na empresa. O tempo de acesso e a confiança acumulada ampliam a janela de ação do fraudador.

No varejo físico brasileiro, a Abrappe registra furto interno por violação de embalagens, contagem incorreta na saída de mercadorias e alteração de peso em produtos pesados no próprio ponto de venda. Segundo a associação, o furto interno responde por 7,96% do total das perdas do setor.

Como prevenir fraudes no varejo

A Abrappe e a KPMG apontam cinco frentes de prevenção usadas pelas empresas mais avançadas na gestão de perdas, com base na pesquisa de 2025.

São elas: integração da prevenção de perdas à governança de riscos corporativos, adotada por 62% das empresas; uso de inteligência artificial para detecção automática de padrões de furto, presente em 13,18% das operações; expansão da cultura de dados em estoque e supply chain; indicadores de desempenho específicos para perdas; e reporte direto da área ao CFO ou ao CEO.

No comércio eletrônico, a prevenção passa por autenticação reforçada no cadastro, validação de identidade em tempo real e monitoramento de dispositivo e geolocalização.

Rodrigo Sanchez, diretor de Autenticação e Prevenção à Fraude da Serasa Experian, afirma que a prevenção precisa ser tratada como estratégia permanente ao longo da jornada do consumidor, não como etapa pontual da compra.

Circuitos fechados de televisão e identificação por radiofrequência já são recursos básicos em praticamente todas as empresas pesquisadas pela Abrappe.

O avanço recente está em análise de vídeo, usada por 35,2% das empresas, e em inteligência artificial aplicada ao monitoramento do comportamento no ponto de venda.

Perguntas frequentes sobre fraude no varejo

O que é fraude no varejo?

Fraude no varejo é qualquer ato intencional que causa prejuízo financeiro a um varejista ou a um consumidor, por meio de furto, uso indevido de identidade, manipulação de pagamento ou ação de funcionários contra a própria empresa. O conceito reúne fraude física, dentro da loja, e fraude digital, ligada a e-commerce e meios de pagamento. Ela se diferencia do erro operacional pela intenção de causar o prejuízo, e não pela falha involuntária no processo.

Quais são os principais tipos de fraude no varejo?

Os principais tipos são furto interno, cometido por funcionários, furto externo, praticado por clientes ou terceiros, fraude de identidade, quando dados pessoais de terceiros são usados para abrir cadastros ou aprovar compras, e fraude de pagamento no e-commerce, que envolve cartões clonados e chargeback indevido. Cada tipo exige uma frente de prevenção diferente, já que os mecanismos de execução e os pontos de entrada no processo de compra são distintos entre eles.

Quanto o varejo brasileiro perde com fraudes e furtos por ano?

O varejo brasileiro perdeu R$ 36,5 bilhões com furtos, fraudes e falhas operacionais em 2025, segundo a Pesquisa Abrappe de Perdas no Varejo Brasileiro, feita com a KPMG. O valor equivale a um índice médio de 1,51% do faturamento líquido das 179 empresas participantes do levantamento, distribuídas em 24 estados. O total cresceu R$ 1,6 bilhão em relação a 2024, mesmo com queda percentual do índice.

Como identificar furto interno cometido por funcionários?

Furto interno costuma aparecer em violação de embalagens, contagem incorreta na saída de mercadorias e alteração de peso em produtos pesados no ponto de venda. Segundo a Abrappe, essa categoria responde por 7,96% do total das perdas do varejo brasileiro. A ACFE aponta que fraudes cometidas por profissionais com mais de dez anos de empresa tendem a gerar prejuízos maiores, porque o tempo de acesso amplia a janela de ação antes da detecção.

Como prevenir fraude no varejo digital?

A prevenção no e-commerce passa por autenticação reforçada no cadastro, validação de identidade em tempo real e monitoramento de dispositivo, rede e geolocalização durante a compra. Segundo a Serasa Experian, a prevenção precisa funcionar como estratégia contínua ao longo de toda a jornada do consumidor, e não apenas no momento do pagamento. Ferramentas de análise de dados e inteligência artificial ajudam a identificar padrões fraudulentos antes da aprovação da transação.

Qual a diferença entre furto e fraude no varejo?

Furto é a subtração de mercadoria sem pagamento, praticada por cliente, terceiro ou funcionário. Fraude é um conceito mais amplo, que inclui o furto e também a manipulação de sistemas, dados ou identidade para obter vantagem indevida, como abrir um cadastro com CPF de outra pessoa ou usar um cartão clonado. Todo furto é uma forma de fraude, mas nem toda fraude envolve a subtração física de um produto.

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