Economia
IGet de julho mostra recuperação parcial dos serviços e enfraquecimento do varejo
Indicador da Getnet e do Santander mostra recuperação parcial dos serviços em julho, enquanto o varejo mantém trajetória de queda
O IGet julho, índice econômico desenvolvido pela Getnet em parceria com o Santander, apresentou resultados distintos para a atividade econômica brasileira. Enquanto o setor de serviços registrou recuperação parcial em relação ao mês anterior, o varejo voltou a recuar e acumulou o segundo mês consecutivo de retração.
Os dados divulgados pela instituição mostram que os serviços cresceram 2,9% na comparação mensal, após forte queda em junho. Já o varejo ampliado apresentou retração de 0,1%, enquanto o varejo restrito registrou queda de 1,5%.
Segundo os analistas, a política monetária restritiva continua influenciando o desempenho da economia. Além disso, os estímulos fiscais iniciados no primeiro trimestre de 2026 vêm perdendo intensidade, contribuindo para uma expectativa de desaceleração da atividade no segundo semestre.
IGet julho: o que explica a recuperação dos serviços?
O setor de serviços foi o principal destaque positivo do IGet julho. O avanço observado em julho representou uma recuperação parcial após a queda registrada no mês anterior, embora ainda não tenha sido suficiente para devolver o índice aos níveis observados nos meses anteriores.
Os segmentos de alojamento e alimentação cresceram 2,9% no período. Já o grupo de outros serviços às famílias registrou alta de 3,1%, contribuindo para o desempenho positivo do indicador.
Apesar da recuperação mensal, a comparação com julho do ano anterior ainda mostra retração de 3,4% no índice de serviços.
Na avaliação dos economistas, o comportamento do setor demonstra que os efeitos da política monetária seguem presentes sobre os serviços prestados às famílias. O relatório também aponta que a resiliência do mercado de trabalho e os estímulos fiscais vêm perdendo força, o que tende a desacelerar a atividade econômica nos próximos meses.
Por que o varejo voltou a cair?
O varejo manteve a trajetória de retração observada no mês anterior. Em julho, o índice ampliado recuou 0,1%, configurando a segunda queda consecutiva.
No varejo restrito, a redução foi mais intensa, chegando a 1,5% na comparação mensal. Em relação ao mesmo período do ano passado, o índice ampliado acumula queda de 2,2%, enquanto o restrito registra retração de 9,5%.
O desempenho negativo ficou concentrado principalmente em segmentos ligados ao consumo de bens.
IGet julho: quais setores tiveram melhor e pior desempenho?
Entre os segmentos com maiores quedas aparecem móveis e eletrodomésticos, com retração de 4,4%, outros artigos de uso pessoal, que recuaram 2,1%, e supermercados, com queda de 1%.
Por outro lado, alguns setores encerraram julho com crescimento. Automóveis, partes e peças registraram alta de 2%, enquanto artigos farmacêuticos avançaram 1,9%.
Também apresentaram resultados positivos combustíveis, com crescimento de 1,7%, vestuário, que subiu 0,4%, e materiais de construção, com alta de 0,9% no índice ampliado.
Os números indicam que parte do varejo segue demonstrando maior resistência ao cenário econômico, apesar do recuo observado no índice geral.
O que os resultados indicam para a economia?
A análise do levantamento aponta que os resultados de julho refletem um ambiente econômico marcado por efeitos distintos entre os setores.
Mesmo com a recuperação parcial dos serviços, os economistas mantêm a avaliação de que a política monetária restritiva continua reduzindo o ritmo da atividade econômica.
O estudo também destaca que a perda de intensidade dos estímulos fiscais implementados no início de 2026 reduz o impulso sobre o consumo das famílias.

Leia também:
- Copom anuncia nova redução da taxa Selic, que passa a 14% ao ano
- Produção industrial recua 1,8% em junho e registra segunda queda consecutiva, aponta IBGE
- Abertura de MEI puxa alta de 2,9 milhões de empresas no 1º semestre
Imagem: Magnific
