Economia
IPCA-15 acelera para 0,70% em setembro, puxado pela energia elétrica e por passagens aéreas
Resultado veio acima do esperado pelo mercado, mas economista do banco BV atribui a alta a itens pontuais, sem sinal de piora generalizada nos preços
O IPCA-15 foi de 0,70% em setembro, segundo o IBGE, 1,10 ponto percentual acima da deflação de 0,40% registrada em agosto. No ano, o índice acumula alta de 3,82% e, em 12 meses, de 4,47%, acima dos 4,24% do período anterior.
Os nove grupos pesquisados tiveram alta no mês. Habitação foi o destaque, com variação de 2,07% e impacto de 0,31 ponto percentual, puxada pela energia elétrica residencial.
A energia subiu 7,42% após o fim da incorporação do Bônus de Itaipu nas contas de luz. Despesas pessoais também pesou, com alta de 0,96%, influenciada pelo reajuste de 14% no preço do cigarro.

IPCA-15 de setembro veio acima do esperado, mas sem alta generalizada, diz BV
O resultado ficou acima da previsão do mercado. “A gente tinha 0,59% e veio 0,70%, mas já era sabido que, neste mês, havia vários itens com peso relevante que poderiam causar algum tipo de distorção”, afirma Christian Meduna, economista do banco BV.
Segundo Meduna, a alimentação saiu da deflação puxada por produtos in natura, como tomate e batata, com forte correlação climática.
As passagens aéreas também contribuíram, ao reverter a queda de 13% do mês anterior para uma alta de quase 10%. Gasolina e etanol, que a expectativa era de queda, também surpreenderam para cima, somando cerca de seis pontos ao índice, segundo o economista.
Para Meduna, o grupo de serviços segue em patamar compatível com o esperado para o ano, e os preços industriais vieram até abaixo da previsão, mantendo a trajetória de desaceleração dos últimos meses.
“Foram várias coisinhas que pressionaram o índice, mas a leitura qualitativa não é tão ruim. Há uma descompressão de algumas pressões”, avalia.
Segundo ele, a expectativa é de desaceleração para cerca de 0,65% no fechamento de setembro, com o IPCA de 2026 seguindo projetado em torno de 5%.
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Imagem: Envato
