Economia
Inflação: IPCA-15 tem queda de 0,40% em agosto, aponta IBGE
Prévia da inflação oficial teve queda em agosto, enquanto alimentos, energia elétrica, passagens aéreas e combustíveis contribuíram para o resultado
O IPCA-15 registrou deflação de 0,40% em agosto, segundo dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta quarta-feira (26).
O índice é considerado uma prévia da inflação oficial do país. Com o resultado, o IPCA-15 acumula alta de 3,09% no ano.
Em 12 meses, o indicador acumula alta de 4,24%. O resultado representa desaceleração em relação aos 4,52% registrados no período anterior.
Em agosto de 2025, o índice havia registrado queda de 0,14%, também caracterizada como deflação.
A queda em agosto
A queda registrada pelo IPCA-15 veio abaixo das expectativas do mercado, segundo Bruno Perri, economista-chefe e sócio-fundador da Forum Investimentos.
De acordo com o economista, as projeções consideradas para o indicador apontavam desde uma alta de 0,25% até uma queda de 0,30%.
Perri avalia que a inflação menor do que a esperada pode influenciar os juros negociados pelo mercado para prazos mais curtos.
O comportamento recente dos preços do petróleo e a valorização do real também podem contribuir para esse movimento, segundo o economista.
A deflação de agosto foi concentrada principalmente nos grupos Habitação, Transportes e Alimentação e bebidas.
Habitação teve queda de 1,41%. Transportes recuou 1% e Alimentação e bebidas registrou baixa de 0,57%.
Os três grupos retiraram, respectivamente, 0,22, 0,20 e 0,12 ponto percentual do IPCA-15.
Os demais grupos apresentaram resultados que variaram entre a queda de 0,20% em Vestuário e a alta de 0,66% em Despesas pessoais.
O que puxou o IPCA-15 para baixo?
Em Habitação, a principal influência veio da energia elétrica. A conta de luz ficou 6,25% mais barata em agosto.
Sozinha, a energia elétrica retirou 0,26 ponto percentual do IPCA-15. A redução ocorreu após a inclusão do Bônus de Itaipu nas contas emitidas em agosto.
A bandeira tarifária amarela permaneceu em vigor no mês. Ela acrescentou R$ 1,885 à conta de luz a cada 100 kWh consumidos.
Em Transportes, o índice passou de alta de 0,11% em julho para queda de 1% em agosto.
As passagens aéreas recuaram 13,30%, enquanto os combustíveis tiveram redução de 1,43%.
Entre os combustíveis, o etanol caiu 3,63%, a gasolina recuou 1,23% e o óleo diesel teve queda de 0,71%.
O gás veicular foi na direção oposta e subiu 1,42%. As tarifas de táxi aumentaram 0,20%, influenciadas por um reajuste de 8,42% em Belo Horizonte.
Como os alimentos influenciaram o IPCA-15?
O grupo Alimentação e bebidas caiu 0,57% em agosto. O resultado foi influenciado principalmente pela queda de 0,97% nos alimentos consumidos em casa.
Para Bruno Perri, esse segmento foi um dos principais destaques do resultado por reunir produtos relevantes para o orçamento das famílias.
“O destaque mesmo vem para alimentação no domicílio. É um alívio bem legal, teve alguns itens importantes na mesa do Brasil que tiveram recuo importante, por exemplo, feijão carioca caiu mais de 2%.”
Entre os produtos pesquisados, o tomate caiu 27,38%, enquanto a batata-inglesa recuou 25,14%.
A cenoura teve queda de 17,05% e o café moído ficou 2,31% mais barato.
Na direção contrária, o leite longa vida subiu 3,41% e as frutas ficaram 3,11% mais caras.
A alimentação fora de casa aumentou 0,42% em agosto, abaixo da alta de 0,55% registrada em julho.
Os lanches subiram 0,75%, enquanto as refeições tiveram alta de 0,25% no período.
Quais grupos tiveram alta no IPCA-15?
Despesas pessoais registrou a maior alta entre os grupos, com avanço de 0,66%. O resultado foi influenciado pelo aumento de 5,56% nos preços dos cigarros.
Em Educação, os preços subiram 0,46%. Os cursos regulares aumentaram 0,52%, com alta de 0,58% no ensino fundamental e de 0,49% no ensino superior.
Os demais cursos tiveram alta de 0,36%, influenciados principalmente pelo aumento de 0,92% nos cursos de idiomas.
O grupo Saúde e cuidados pessoais subiu 0,40%. Os produtos de higiene pessoal aumentaram 0,47%, enquanto os planos de saúde tiveram alta de 0,42%.
A variação dos planos de saúde considera os reajustes autorizados pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS).
Para planos contratados após a Lei nº 9.656/98, o reajuste pode chegar a 5,11%, com aplicação entre maio de 2026 e abril de 2027.Para contratos anteriores à legislação, os percentuais autorizados foram de 5,52% e 6,20%, conforme o plano.
Com informações do G1
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