Economia
Cesta básica no varejo: preço recua após meses de alta
Em julho, o valor caiu em 26 das 27 capitais pesquisadas pelo Dieese, mas Reforma Tributária, ruptura de estoque e marca própria seguem pressionando o varejo alimentar
A cesta básica no varejo é o conjunto de itens alimentícios usado para medir o custo de vida e o poder de compra do consumidor em cada capital brasileira.
O levantamento de referência é a Pesquisa Nacional da Cesta Básica de Alimentos, feita mensalmente pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) em parceria com a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).
O indicador cobre 27 capitais desde agosto de 2025, ante 17 até então. A cesta reúne de 12 a 13 produtos por região, entre eles arroz, feijão, carne bovina, leite integral, açúcar, café, pão francês e, no Sul e Sudeste, também batata e farinha de trigo.
Para o varejo alimentar, esse indicador funciona como termômetro de preço e de margem. Redes de supermercado usam a variação mensal da cesta para calibrar promoções, ajustar sortimento e negociar com fornecedores nas categorias de maior giro.
Preço da cesta básica no varejo cai em julho, mas ano segue em alta
Em julho de 2026, o valor da cesta básica diminuiu em 26 das 27 capitais pesquisadas, segundo o Dieese. As quedas mais expressivas ocorreram em Natal (-7,95%), Maceió (-7,87%) e Belo Horizonte (-7,44%). São Luís foi a única capital com alta, de 0,30%.
São Paulo seguiu com a cesta mais cara do país, a R$ 915,01, seguida por Cuiabá (R$ 881,27) e Florianópolis (R$ 860,73). Aracaju teve o menor custo, R$ 594,07.
Apesar do recuo mensal, o acumulado de 2026 segue positivo em todas as capitais. As variações no ano foram de 4,28%, em Campo Grande, a 15,68%, em Porto Velho, segundo o Dieese. Na comparação com julho de 2025, o preço subiu em 22 capitais e caiu em cinco.
O tomate puxou a queda de julho. O item recuou em todas as capitais, exceto São Luís, com retração de até 51,88% em Maceió, segundo o levantamento. A batata também caiu em todo o Centro-Sul, entre 15,55% e 31,12%, por causa da maior oferta da safra de inverno.
Para o varejo, o movimento de julho representa alívio pontual de curto prazo. O feijão carioca segue como o item de maior alta acumulada em 12 meses em praticamente todas as capitais, o que mantém pressão sobre a categoria de grãos.
Reforma Tributária redefine a cesta básica no varejo
A partir de 2027, a Reforma Tributária estabelece a Cesta Básica Nacional, lista de itens com alíquota zero ou reduzida de tributos.
A mudança altera o mix de produtos no ponto de venda e a disputa entre marcas líderes e marcas próprias dentro das categorias beneficiadas.
Para o varejo, a adaptação depende do saneamento do cadastro de mercadorias, incluindo NCM, CEST e alíquotas por item. Cadastro desatualizado resulta em perda de créditos fiscais e risco de autuação a partir de 2027.
Áreas além do fiscal também são afetadas pela mudança. Compras renegocia contratos considerando a nova carga líquida, enquanto Pricing recalcula margem por categoria em tempo real. TI, por sua vez, ajusta ERPs e PDVs para operar dois sistemas tributários durante a transição, segundo levantamento do setor.
Ruptura de estoque pressiona
Em fevereiro de 2026, o Índice de Ruptura da Neogrid atingiu 13,2% nos supermercados brasileiros, alta de 0,7 ponto percentual em relação a janeiro. O avanço foi puxado por itens da cesta básica, como açúcar, arroz, feijão, café, leite e ovos.
Os ovos tiveram o maior salto no indicador, com alta de 5,2 pontos percentuais, para 27,2% de ruptura. O leite UHT passou de 8,8% para 13,9% no mesmo período, segundo a Neogrid.
Robson Munhoz, Chief Relationship Strategist da Neogrid, associa o movimento à pressão sobre o orçamento das famílias nas categorias de maior recorrência de compra. A ruptura ocorreu mesmo com queda de preço em parte dos itens, o que aponta para um problema de abastecimento e não apenas de demanda.
Para o varejo, a falta de itens básicos na gôndola tem custo direto. O cliente que não encontra o produto de entrada muda de loja ou de categoria, o que reduz o tíquete médio e abre espaço para o concorrente.
Marca própria disputa espaço na cesta básica no varejo
O Atacadão lançou em fevereiro de 2026 a Bulnez, marca própria voltada a itens essenciais de alto giro, como água mineral, massas e produtos de limpeza. A marca está em 242 lojas da rede e deve chegar a cerca de 150 itens ao longo de 2026, segundo a companhia.
“A Bulnez nasce com um portfólio essencial, pensado para o dia a dia dos nossos clientes, com foco em qualidade e preço justo”, diz Marco Oliveira, CEO do Atacadão.
Segundo relatório da NielsenIQ divulgado em 2025, 69% dos brasileiros consideram marca própria uma alternativa às marcas líderes, e 72% avaliam esses produtos como opção de custo-benefício. Para o varejo, isso abre espaço de margem em categorias sensíveis a preço, exatamente as que compõem a cesta básica.
FAQ
O que compõe a cesta básica no varejo?
A cesta básica reúne de 12 a 13 alimentos por região, definidos pela Pesquisa Nacional da Cesta Básica de Alimentos do Dieese e da Conab. Os itens comuns às 27 capitais incluem arroz, feijão, carne bovina de primeira, leite integral, açúcar, café em pó, pão francês, banana e óleo de soja. No Sul e no Sudeste, a lista soma batata e farinha de trigo. No Norte e no Nordeste, entram farinha de mandioca e feijão carioca no lugar do feijão preto.
Quanto custa a cesta básica no Brasil em 2026?
Em julho de 2026, o custo variou entre R$ 594,07, em Aracaju, e R$ 915,01, em São Paulo, segundo o Dieese. A média das 27 capitais pesquisadas ficou acima de R$ 700 no período. O valor muda todo mês conforme safra, clima e demanda por proteína animal e grãos. São Paulo, Cuiabá, Florianópolis e Rio de Janeiro concentram as cestas mais caras do país.
Por que o preço da cesta básica caiu em julho de 2026?
A queda ocorreu porque o tomate e a batata recuaram em quase todas as capitais pesquisadas, por causa da maior oferta da safra de inverno. O tomate caiu até 51,88% em Maceió. Apesar do recuo mensal, o feijão carioca segue com alta acumulada de até 78,93% em 12 meses em algumas capitais, segundo o Dieese, o que mantém o custo total da cesta acima do registrado em 2025 na maior parte do país.
Como a Reforma Tributária muda a cesta básica no varejo? A partir de 2027, entra em vigor a Cesta Básica Nacional, lista de alimentos com alíquota zero ou reduzida de tributos. A mudança altera o mix de produtos vendido no ponto de venda e a disputa entre marcas líderes e marcas próprias nas categorias beneficiadas. Para o varejo, a adaptação exige atualização do cadastro fiscal de mercadorias antes da transição, sob risco de perda de crédito tributário e autuação.
O que é ruptura de estoque na cesta básica? Ruptura de estoque é a falta do produto na gôndola no momento em que o cliente procura por ele. Em fevereiro de 2026, o Índice de Ruptura da Neogrid chegou a 13,2% nos supermercados brasileiros, com destaque para ovos, em 27,2%, e leite UHT, em 13,9%. A ruptura em itens básicos tem custo direto para o varejo, porque o cliente que não encontra o produto muda de loja ou de categoria.
Marca própria é mais barata que marca líder na cesta básica? Marca própria costuma custar menos porque reduz gastos com publicidade e permite negociação direta com o fabricante. Segundo relatório da NielsenIQ de 2025, 72% dos brasileiros avaliam marca própria como opção de custo-benefício. O Atacadão lançou em 2026 a marca própria Bulnez para itens essenciais de alto giro, com previsão de chegar a cerca de 150 produtos ao longo do ano.
Qual cidade tem a cesta básica mais cara do Brasil? São Paulo tem a cesta básica mais cara entre as 27 capitais pesquisadas pelo Dieese desde o início da série ampliada, em agosto de 2025. Em julho de 2026, o custo na capital paulista foi de R$ 915,01. Cuiabá e Florianópolis aparecem na sequência, com valores acima de R$ 860. As cestas mais baratas do país ficam no Norte e no Nordeste, com Aracaju na ponta mais barata.
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Imagem: Envato
