Tecnologia
Líderes usam IA todos os dias, mas só 2% das empresas têm processos maduros
Levantamento com 171 profissionais mostra avanço do uso individual de inteligência artificial, enquanto empresas ainda estruturam governança e processos
O uso de IA nas empresas já integra a rotina de grande parte das lideranças brasileiras, mas o uso da tecnologia ainda não foi incorporado de forma ampla aos processos das empresas.
É o que aponta a pesquisa “Lideranças Orquestradoras na Era da IA”, realizada pelo Talenses Group com 171 profissionais brasileiros.
Do total, 137 ocupam posições de liderança. A maioria trabalha em empresas de médio e grande porte.
Segundo o levantamento, 59% dos líderes afirmam usar inteligência artificial diversas vezes ao dia. Outros 23% recorrem à tecnologia pelo menos uma vez diariamente.
Entre os principais usos estão pesquisa e síntese de informações, citadas por 85% dos entrevistados. O resumo de documentos aparece com 69%, enquanto 64% usam IA para criar apresentações.
Os resultados percebidos também estão relacionados à produtividade. A economia de tempo foi apontada por 89% dos líderes, enquanto 86% relatam aumento de produtividade.
Como está o uso de IA nas empresas?
Apesar da frequência de uso entre líderes, a maturidade das organizações ainda é baixa, segundo os dados da pesquisa.
Entre as empresas analisadas, 44% estão na fase de experimentação individual da inteligência artificial. Nessa etapa, o uso ocorre principalmente por iniciativa dos próprios profissionais.
Outros 17% já avançaram para workflows governados. Apenas 2% das empresas alcançaram o estágio de sistemas adaptativos, considerado o nível mais avançado apresentado no levantamento.
“O dado que mais me chama atenção é o contraste entre entusiasmo da liderança e maturidade organizacional”, diz Denise Rendtorff, sócia e diretora-geral da Talenses Human Capital.
Segundo a executiva, “a tecnologia avançou mais rápido do que a governança e a capacitação” dentro das empresas.
Para Denise, essa diferença ajuda a explicar por que o uso da tecnologia pelos profissionais avançou mais rapidamente do que a estrutura organizacional necessária para sustentá-lo.
Processos com a tecnologia
A pesquisa também relaciona a adoção da inteligência artificial à qualidade dos processos internos.
“Não é sobre implementar a IA em cima da estrutura existente; essa estrutura precisa ser refinada e melhorada para receber a IA. A IA só vai alavancar aquilo que você já tem: se seus processos estão impecáveis, a IA vai acelerar muita coisa. Se os seus processos estão ruins e com gargalos, a IA só vai expor isso ainda mais”, diz a executiva.
Os números indicam que os efeitos percebidos pelos líderes não se limitam à redução do tempo gasto nas tarefas.
Segundo o levantamento, 64% relatam redução de atividades repetitivas após a adoção da IA. Outros 60% afirmam perceber melhora na qualidade das entregas.
A geração de conteúdo também aparece entre as aplicações utilizadas pelos profissionais. Nesse caso, 55% dos líderes dizem recorrer à tecnologia para essa finalidade.
Os dados mostram, portanto, uma concentração do uso em atividades de apoio ao trabalho, como pesquisa, síntese, produção de apresentações e elaboração de conteúdo.
O que falta para ampliar o uso de IA nas empresas?
Os próprios líderes entrevistados apontam mudanças que consideram necessárias para ampliar a adoção da inteligência artificial.
A aprendizagem contínua aparece como principal prioridade cultural, citada por 72% dos participantes. A experimentação foi apontada por 58%, enquanto 55% defendem o compartilhamento de conhecimento entre equipes.
A percepção sobre a tecnologia também é predominantemente positiva entre os profissionais ouvidos.
Do total, 72% afirmam sentir entusiasmo em relação à IA. Outros 71% relatam curiosidade. Ao mesmo tempo, 39% dizem ter medo de ficar para trás diante dos avanços tecnológicos.
O levantamento também indica que os líderes enxergam possibilidades de aplicação ainda não incorporadas à rotina.
Para 46% dos entrevistados, algumas atividades que atualmente são realizadas por humanos já poderiam ser executadas por inteligência artificial. Outros 40% consideram que muitas atividades poderiam ser automatizadas.
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Imagem: Magnific
