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Reforma tributária exige gestão financeira mais estratégica nas franquias
A reforma tributária brasileira é a maior transformação no ambiente de negócios das últimas décadas. E o mercado já sente o peso dessa transição: 55% dos varejistas acreditam que as mudanças terão um impacto significativo no dia a dia das empresas, conforme aponta uma pesquisa da Zucchetti Brasil em parceria com a Central do Varejo. Para redes de franquias, que gerenciam múltiplas unidades e regimes complexos, o recado é claro: o impacto vai muito além do departamento fiscal. É hora de abandonar a visão reativa e migrar para uma gestão financeira verdadeiramente estratégica.
A principal mudança está na simplificação dos tributos sobre o consumo, com a substituição de impostos como PIS, Cofins, ICMS e ISS por dois novos modelos: CBS e IBS. Essa unificação traz mais clareza e reduz distorções, além de adotar o modelo de IVA (Imposto sobre Valor Agregado), que evita a cumulatividade de impostos ao longo da cadeia. Na prática, isso muda a forma como as empresas calculam preços, gerenciam créditos tributários e estruturam suas operações.
O impacto vai muito além da contabilidade
Para o franqueador e o franqueado, a reforma não é apenas uma questão técnica. Ela impacta diretamente margem, precificação e fluxo de caixa. Com a mudança da tributação para o destino, ou seja, onde ocorre o consumo, redes que operam em diferentes estados precisarão revisar suas estratégias logísticas e comerciais.
Além disso, a promessa de simplificação não elimina a complexidade no curto prazo. Pelo contrário, durante o período de transição, que se estende até 2033, empresas terão que conviver com dois sistemas tributários simultaneamente. Isso exige controle rigoroso de dados, processos bem estruturados e uma gestão financeira muito mais integrada.
Outro ponto relevante é a mudança na lógica de créditos tributários. Com o modelo de IVA, o aproveitamento de créditos tende a ser mais amplo e transparente, o que pode gerar ganhos relevantes, desde que a empresa tenha visibilidade e controle sobre suas operações. Sem isso, o risco deixa de ser apenas pagar mais imposto e passa a ser perder margem por falta de gestão.
O novo papel do financeiro nas franquias
Nesse cenário, o financeiro deixa de ser uma área operacional e passa a assumir um papel protagonista na tomada de decisão. É preciso interpretar dados, simular cenários e apoiar o crescimento sustentável da rede.
Para as franquias, isso significa padronizar indicadores, integrar sistemas e garantir que todas as unidades operem com o mesmo nível de controle e previsibilidade. A reforma também reforça a importância do planejamento tributário contínuo, já que o impacto das mudanças pode variar conforme o modelo de negócio, mix de produtos e estrutura de custos.
Outro ponto crítico é a tecnologia. A adaptação aos novos modelos fiscais exigirá atualização de sistemas, revisão de processos e capacitação das equipes. Empresas que ainda operam com controles descentralizados ou manuais tendem a enfrentar mais dificuldades e, consequentemente, mais riscos.
Preparação é vantagem competitiva
Se existe um consenso sobre a reforma tributária, é que ela não necessariamente reduz a carga de impostos, mas muda completamente a forma como ela é distribuída e gerida. Isso significa que empresas que se anteciparem terão uma vantagem competitiva relevante.
Para redes de franquias, o momento é de organização e estratégia. A reforma mexe diretamente na estrutura operacional e econômica das redes. Revisar processos, investir em tecnologia e fortalecer a inteligência financeira são caminhos para ganhar eficiência, proteger margens e crescer de forma mais estruturada.
A reforma tributária é uma oportunidade de evolução na forma como as empresas enxergam e utilizam a gestão financeira. E, para quem souber aproveitar, pode ser o início de um novo ciclo de crescimento mais saudável e sustentável.

Maurício Galhardo, sócio da F360 e especialista em gestão financeira para franquias, é responsável pela estratégia de capacitação de clientes, empreendedores e profissionais, com iniciativas que promovem uma gestão financeira mais eficiente. Autor de livros sobre finanças e gestão de vendas no varejo, ele contribui para o desenvolvimento de habilidades estratégicas no setor. É formado em Engenharia Mecânica e pós-graduado em Administração de Empresas pela FAAP/SP.
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