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Gigantes de tecnologia da China avançam na corrida do “comércio agêntico” com uso de IA

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Empresas de tecnologia da China intensificaram investimentos em inteligência artificial para transformar chatbots em ferramentas completas de compras e pagamentos, em um movimento conhecido como “comércio agêntico”. Companhias como Alibaba, Tencent e ByteDance disputam espaço para consolidar superapps baseados em IA capazes de executar tarefas em nome dos usuários.

Na semana passada, a Alibaba atualizou seu chatbot de IA Qwen, permitindo que usuários realizem transações diretamente na interface, como pedidos de comida e reservas de passagens aéreas. A atualização conecta o Qwen ao ecossistema de comércio eletrônico da companhia, possibilitando a comparação de recomendações personalizadas de plataformas como Taobao e do site de viagens Fliggy, com finalização do pagamento pelo Alipay, sem que o usuário precise sair do chatbot.

Antes da mudança, o Qwen oferecia recomendações com base em comandos dos usuários, mas exigia navegação manual entre diferentes plataformas para concluir compras. A atualização acompanha uma tendência mais ampla do setor de IA, que passa do foco em modelos fundacionais para a chamada “IA agêntica”, capaz de executar tarefas com supervisão limitada.

“A transformação agêntica dos serviços comerciais permite a integração máxima dos serviços ao usuário e aumenta a retenção”, afirmou Shaochen Wang, analista de pesquisa da Counterpoint Research, ao se referir ao fortalecimento do engajamento de longo prazo. Segundo ele, essa integração contribui para a construção de vantagens competitivas sustentáveis.

Embora aplicações comerciais da IA agêntica também envolvam áreas como direção autônoma e cibersegurança, o comércio eletrônico surge como um dos primeiros e mais difundidos casos de uso, com empresas de tecnologia e pagamentos dos Estados Unidos lançando iniciativas semelhantes nos últimos meses.

Na China, a Alibaba é vista como uma das empresas com melhor posicionamento para avançar no comércio agêntico, em razão de suas capacidades em modelos de linguagem de grande porte e de sua ampla rede de comércio eletrônico, que abrange categorias como vestuário, alimentação, habitação e transporte, segundo Wang.

Leia também: A ascensão do agentic commerce: o que a IA muda no futuro das compras

Concorrência entre superapps na China

A estratégia da Alibaba ocorre em meio à competição com superapps rivais, como o WeChat, da Tencent, plataforma que integra mensagens, pagamentos, comércio eletrônico e outros serviços e conta com mais de 1 bilhão de usuários.

Outras empresas chinesas também aceleram iniciativas. Em dezembro, a ByteDance atualizou o chatbot Doubao para realizar tarefas de forma autônoma, como reservas de ingressos, por meio de integrações com recursos de comércio eletrônico do Douyin, versão chinesa do TikTok.

O modelo aprimorado do Doubao foi apresentado em um smartphone protótipo desenvolvido pela ZTE Corp, com a proposta de funcionar como assistente de IA capaz de executar tarefas em todo o dispositivo. Parte das funcionalidades previstas, no entanto, foi reduzida após concorrentes levantarem preocupações relacionadas à privacidade e à segurança.

Durante a teleconferência de resultados da Tencent em maio de 2025, o presidente da empresa, Martin Lau, afirmou que agentes de IA podem se tornar componentes centrais do ecossistema do WeChat.

“Os agentes de IA serão fundamentais para a evolução dos superapps, e o sucesso dependerá de uma integração profunda entre pagamentos, logística e engajamento social”, disse Charlie Dai, vice-presidente e analista principal da Forrester, em entrevista à CNBC.


Segundo Dai, Alibaba, Tencent e ByteDance competirão para incorporar agentes de IA em suas plataformas, mas todas se beneficiam de ecossistemas integrados, grande volume de dados comportamentais e da familiaridade dos consumidores com superapps. Em contraste, empresas ocidentais, apesar de liderarem em modelos fundacionais de IA e alcance global, enfrentam dados mais fragmentados e regulações de privacidade mais rígidas, o que dificulta a integração entre serviços.

Entre as companhias dos Estados Unidos que exploram o comércio agêntico estão OpenAI, Perplexity e Amazon. A Google também avalia formas de se posicionar como intermediária entre varejistas, consumidores e agentes de IA.

“A China deve priorizar a integração doméstica e a expansão estratégica em regiões selecionadas, enquanto empresas dos EUA tendem a focar em escalabilidade global e governança”, acrescentou Dai.

De acordo com um estudo da McKinsey publicado em 2025, cerca de metade dos consumidores já utiliza IA ao realizar buscas online. O relatório estima que agentes de IA podem gerar mais de US$ 1 trilhão em valor econômico para empresas dos Estados Unidos até 2030, ao simplificar etapas rotineiras da tomada de decisão dos consumidores.

Imagem: Reprodução
Informações: Dylan Butts e Matthew Chin para CNBC
Tradução livre: Central do Varejo

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