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WGSN aponta estratégias para varejo da América Latina em cenário de transformação digital

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O varejo da América Latina passa por mudanças relacionadas à digitalização do consumo, novas formas de pagamento, produção regional e uso de inteligência artificial. A análise é da consultoria WGSN, que aponta estratégias para marcas e varejistas acompanharem a transformação do setor nos próximos anos.

Segundo a consultoria, consumidores latino-americanos têm demandado experiências de compra mais conectadas ao ambiente digital e maior integração entre comércio eletrônico, sustentabilidade e identidade local. A expectativa é que o e-commerce na região alcance US$ 200 bilhões em vendas até o final de 2026.

A WGSN também destaca mudanças no ambiente competitivo, impulsionadas pela atuação de plataformas internacionais de comércio eletrônico e pelo fortalecimento de políticas de proteção à produção local em países como Brasil, Chile e Argentina.

Nesse contexto, a consultoria aponta que o varejo regional tem buscado combinar inovação digital com produção local e novos modelos de relacionamento com consumidores.

Entre as estratégias identificadas está o avanço do comércio social. Segundo a WGSN, redes sociais tendem a assumir papel cada vez maior no processo de compra, com formatos como vídeos compráveis, transmissões ao vivo e lançamentos de produtos conduzidos por criadores de conteúdo.

Outro movimento destacado é a regionalização das cadeias de suprimentos. A consultoria aponta que marcas e varejistas têm investido em produção local e parcerias de nearshoring para reduzir prazos de entrega e ampliar a integração com fornecedores regionais. A narrativa associada à origem dos produtos também aparece como elemento relevante na relação com consumidores.

Dados citados pela análise indicam que a inflação de alimentos na América Latina alcançou 14% em 2024, enquanto o crescimento do PIB regional foi de 2,3% no mesmo período. Segundo a WGSN, esse cenário tem levado consumidores a revisar hábitos de consumo e buscar alternativas que equilibrem preço e valor percebido.

O uso de inteligência artificial também aparece como um dos eixos de transformação do varejo. A tecnologia pode ser aplicada para prever demanda, personalizar recomendações de produtos e otimizar operações ao longo da cadeia.

A consultoria também aponta a expansão das redes de mídia de varejo como uma nova frente de monetização para empresas do setor. Nesse modelo, canais como sites, aplicativos, redes sociais e telas em loja passam a ser utilizados como espaços publicitários voltados a marcas.

Segundo a WGSN, plataformas de vídeo têm papel relevante nesse processo. Cerca de 31,5% dos consumidores da América Latina descobrem novos produtos por meio de serviços de compartilhamento de vídeo, como YouTube (16,3%) e TikTok (15,2%).

O crescimento do streaming também amplia o alcance de campanhas publicitárias conectadas ao varejo. No Brasil, a televisão conectada atinge 64% da população digital, enquanto na Argentina 44% dos usuários de internet consomem esse tipo de conteúdo. Na região, o número de espectadores de TV conectada ultrapassa 150 milhões de pessoas.

Outro ponto destacado pela consultoria é o papel das marcas próprias. Segundo a análise, essas linhas cresceram 14,2% em valor na América Latina em 2025, superando médias globais. A expansão ocorre em um contexto de busca por produtos com preços mais acessíveis e produção regional.

Para a WGSN, o desenvolvimento de cadeias produtivas locais, a integração entre canais digitais e físicos e o uso de dados para personalizar experiências de compra devem influenciar as estratégias de crescimento do varejo latino-americano nos próximos anos.

Informações: WGSN
Imagem: Farm Rio

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