E-commerce
Mês do Consumidor impulsiona buscas por eletrônicos, moda e beleza no e-commerce
O Mês do Consumidor deve ampliar o volume de vendas no e-commerce brasileiro, com maior procura por eletroeletrônicos, moda e beleza, segundo diagnóstico das plataformas Tray e Bling. Dados do estudo CX Trends 2026, produzido por Octadesk e Opinion Box, mostram que os marketplaces seguem como o canal de compra mais utilizado pelos consumidores, enquanto frete alto, preço e desconfiança ainda figuram entre os principais motivos de abandono de carrinho.
Em março de 2025, as vendas do período cresceram 14% e somaram R$ 6,208 bilhões em lojas próprias e marketplaces transacionados nas plataformas de e-commerce do ecossistema LWSA, que reúne marcas como Bling, Tray e Bagy.
Segundo Thiago Mazeto, diretor da Tray, março costuma marcar uma retomada no comércio digital após os primeiros meses do ano. “Março costuma ser um ponto de virada depois de semanas mais lentas. Quem combina estratégia comercial e marketing com uma experiência de compra sem atrito consegue capturar volume e elevar ticket médio”, afirma.
Mazeto diz que ações voltadas à conversão tendem a ter maior efeito quando reduzem o custo percebido da compra. “Kits de produtos, cashback e benefícios que melhorem custo total da compra o ajudam a decidir comprar. E quando a jornada é fluida, esse consumidor tende a voltar a comprar com o lojista”, diz.
O período ocorre após janeiro e fevereiro, meses em que parte do orçamento das famílias costuma ser direcionada a despesas como IPVA, IPTU e gastos com o retorno escolar.
Mês do Consumidor: origem e evolução da data no varejo
O Mês do Consumidor tem como referência o Dia do Consumidor, celebrado em 15 de março. A data foi estabelecida a partir de um discurso do então presidente dos Estados Unidos, John F. Kennedy, ao Congresso norte-americano em 15 de março de 1962. Na ocasião, Kennedy destacou a importância dos consumidores para a economia e apresentou princípios que mais tarde seriam reconhecidos como direitos básicos do consumidor, como segurança, informação, escolha e possibilidade de ser ouvido.
A data passou a ser lembrada internacionalmente como o World Consumer Rights Day, organizado por entidades de defesa do consumidor em diversos países. Ao longo dos anos, a discussão sobre proteção ao consumidor também foi incorporada a políticas públicas e marcos regulatórios, como as Diretrizes das Nações Unidas para a Proteção do Consumidor, adotadas em 1985.
No Brasil, a proteção ao consumidor ganhou base legal com a criação do Código de Defesa do Consumidor, instituído pela Lei nº 8.078, de 1990. No varejo, a data de 15 de março acabou sendo ampliada pelo comércio para o chamado Mês do Consumidor, período em que empresas concentram campanhas promocionais e estratégias de relacionamento ao longo de todo o mês.
Mês do Consumidor no e-commerce: operação multicanal ganha importância
Para Marcelo Navarini, diretor do Bling, o varejo chega ao Mês do Consumidor diante de um consumidor que compra em mais de um canal e responde a estímulos diferentes ao longo da jornada.
“O brasileiro responde bem a promoções de desconto direto à mecânicas como ‘compre e ganhe’ e compra cada vez mais influenciado por canais como Instagram e TikTok Shop. Isso exige atuação multicanal com gestão centralizada, para o lojista não perder controle de pedidos, estoque, financeiro e entrega”, afirma.
Segundo ele, em períodos de maior volume, ferramentas de integração e automação ganham peso na operação. “Integração com marketplaces, automação de rotinas fiscais, estoque em tempo real, controle financeiro e conciliação automatizada reduzem erros, aceleram expedição e melhoram previsibilidade. O Mês do Consumidor é um teste de maturidade operacional”, diz.
Mês do Consumidor e comportamento do consumidor digital
Marketplaces lideram preferência
O estudo CX Trends 2026 mostra que 76% dos consumidores preferem comprar em marketplaces. Em seguida aparecem loja online, com 73%, e lojas físicas, com 69%. O levantamento também indica que 54% fazem compras à noite ou de madrugada.
Segundo Paola Dias, diretora de Negócios da Octadesk, a liderança dos marketplaces está associada à percepção de segurança e variedade. “Vimos no estudo que os marketplaces são os preferidos dos consumidores por transmitirem variedade e confiança. Outro dado interessante é que 88% o consideram um meio seguro para compras, reflexo de um consumidor cada vez mais híbrido e exigente”, afirma.
Mês do Consumidor também expõe desafios de conversão no e-commerce
Apesar disso, 67% dos consumidores disseram ter desistido de uma compra uma ou mais vezes no último ano por problemas nos canais digitais. Entre os motivos mais citados estão frete muito alto, mencionado por 65%, falta de confiança na empresa ou suspeita de golpe, com 56%, e preços elevados, também com 56%.
Ao comentar o dado, Paola afirma que a conversão depende de elementos além da oferta. “Esse volume de abandono mostra que o problema não é só oferta, é experiência. Quando o consumidor percebe que o frete pesa demais, desconfia da loja ou compara e conclui que o preço não vale, ele simplesmente não termina a compra. A concretização da venda online depende de transparência no custo total, sinais claros de confiança e uma jornada de checkout rápida, sem surpresas”, diz.

Mês do Consumidor e o crescimento do e-commerce brasileiro
Em entrevista exclusiva à Central do Varejo, Fernando Mansano, presidente da Associação Brasileira de Inteligência Artificial e E-commerce (ABIACOM), afirma que o e-commerce brasileiro passou por um processo de consolidação nos últimos anos, com avanços em logística, tecnologia, marketing e atendimento.
“O setor como um todo amadureceu nos últimos anos, alavancado principalmente pela pandemia, e passou a ser tratado como prioridade pelas companhias”, afirma. “Naturalmente, datas promocionais são grandes alavancas de vendas, como Black Friday, Natal, Dia das Mães e outras. Além disso, nos últimos anos vimos o surgimento de datas que se consolidaram, como as datas duplas.”
Ao comentar a projeção de faturamento de R$ 259,8 bilhões para o e-commerce brasileiro em 2026, Mansano afirma que o avanço do setor combina crescimento da base de consumidores e evolução das operações. “Tivemos crescimento em todos os indicadores, como pedidos, consumidores, ticket médio e, consequentemente, faturamento”, diz.
Segundo ele, a inteligência artificial também ampliou o acesso de pequenos e médios lojistas a ferramentas antes restritas a grandes empresas. “Eu digo que a inteligência artificial está democratizando o que antes era possível apenas para grandes empresas”, afirma. “Hoje a IA está presente em diversos estágios de um e-commerce, do planejamento ou cadastro de produto até a automação de processos.”

Data sazonal é usada para aquisição e recompra
Também em entrevista exclusiva à Central do Varejo, Clovis Souza, CEO e fundador da Giuliana Flores, afirma que o Dia do Consumidor passou a ser utilizado pelas empresas como uma ferramenta de aquisição de clientes e estímulo à recompra.
“O Dia do Consumidor deixou de ser apenas uma data promocional. Hoje, para nós, é uma alavanca estratégica de aquisição qualificada e fortalecimento de relacionamento”, afirma.
Segundo ele, a empresa trabalha o período com ofertas segmentadas e ações omnichannel. “Mais do que gerar pico de vendas, utilizamos o momento para ampliar nossa base de clientes, ativar recompra e testar novas jornadas de consumo”, diz.
Souza afirma que a operação da empresa é orientada por dados de comportamento de compra. “A inteligência de dados orienta desde sortimento e precificação dinâmica até previsibilidade de demanda e personalização de ofertas”, afirma. “A omnicanalidade não é apenas presença em múltiplos canais; é integração real de estoque, CRM, campanhas e experiência do cliente.”
Ele também afirma que a inteligência artificial tem sido aplicada na previsão de demanda e na personalização de recomendações. “Na ponta do consumidor, a personalização aumenta relevância. Recomendações baseadas em comportamento, histórico de compra e ocasião elevam ticket médio e taxa de conversão, especialmente em datas como Dia das Mães, Namorados e Dia do Consumidor”, afirma.
Imagens: Divulgação e Envato
