Investimentos
Decisão de compra de veículos fica mais complexa com avanço dos híbridos
A decisão de compra de veículos no Brasil tem se tornado mais complexa diante da diversificação do mercado e do avanço tecnológico da frota. Se anteriormente fatores como preço e consumo de combustível eram determinantes, hoje o consumidor precisa avaliar uma combinação mais ampla de variáveis, como tipo de motorização, custo de manutenção, tecnologia embarcada e valor de revenda.
Esse movimento acompanha a transformação do setor automotivo no país. O Brasil conta com cerca de 60 milhões de carros de passeio, segundo dados do Departamento Nacional de Trânsito (Senatran), enquanto os veículos eletrificados avançam em ritmo acelerado. Informações da Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE) apontam crescimento superior a 90% no início de 2026, refletindo mudanças no comportamento de consumo.
Nas concessionárias, essa evolução tem gerado uma dúvida recorrente entre os consumidores: investir em novas tecnologias ou optar por modelos tradicionais. Para Richard Tsung, presidente do Grupo T-Line, a escolha está diretamente relacionada ao perfil de uso do motorista. “Em situações urbanas, especialmente no trânsito intenso, tecnologias mais eficientes conseguem reduzir significativamente o consumo”, afirma.
Compra de veículos: como acontece cada escolha?
Cada tipo de veículo apresenta características específicas que influenciam a decisão. Os SUVs, por exemplo, têm ganhado espaço no mercado por oferecerem maior área interna, posição de direção elevada e versatilidade. Por outro lado, esses modelos costumam apresentar consumo mais elevado e custo de aquisição superior em comparação com veículos menores.
Os híbridos, por sua vez, se destacam pela eficiência energética, especialmente em ambientes urbanos. Ao combinar motor a combustão com propulsão elétrica, esses veículos conseguem reduzir consumo e emissões. Ainda assim, o investimento inicial mais alto pode ser um fator limitante para parte dos consumidores.
Já os modelos tradicionais, movidos exclusivamente a combustão, continuam sendo uma opção relevante. Eles tendem a ter menor preço de entrada e podem ser mais adequados para quem percorre distâncias menores ou utiliza o carro principalmente em rodovias. “O mais importante é entender o próprio padrão de uso”, reforça Tsung.

Nesse contexto, veículos eletrificados, especialmente os híbridos, podem reduzir de 25% a 40% o consumo em comparação com modelos equivalentes a combustão. Para um motorista que percorre cerca de 15 mil quilômetros por ano, essa diferença pode representar economia relevante no abastecimento, sobretudo em trajetos urbanos.
No entanto, especialistas destacam que a análise não deve se limitar ao consumo. O custo total de propriedade (TCO) tem ganhado protagonismo na decisão de compra, ao considerar fatores como manutenção, seguro, depreciação e valor de revenda. “Alguns modelos apresentam menor desgaste, enquanto outros têm maior liquidez no mercado de usados”, explica o presidente do Grupo T-Line.
O investimento inicial também exige atenção. A diferença de preço entre um veículo híbrido e sua versão convencional pode variar significativamente conforme a categoria. Em alguns casos, essa diferença pode chegar a R$ 30 mil ou R$ 40 mil, o que impacta o tempo necessário para compensar o valor adicional.
“O erro é avaliar apenas o preço de aquisição. Quando são considerados consumo, manutenção, valor de revenda e tempo de permanência com o veículo, o cenário muda significativamente”, afirma Tsung. “Para muitos clientes, trata-se de uma decisão racional de médio prazo, não apenas de uma escolha tecnológica“, finaliza.
Com a evolução do setor automotivo e o avanço dos veículos eletrificados, a tendência é que o processo de compra continue se tornando mais estratégico. A escolha entre SUV, híbrido ou tradicional passa a depender menos de preferência e mais de análise, considerando o impacto financeiro e o perfil de uso ao longo do tempo.
Imagem: Grupo T-Line e Marcello Casal Jr./Agência Brasil/Arquivo
