Economia

Copa do Mundo 2026 no varejo: 99,2 milhões de consumidores devem ir às compras e gasto médio chega a R$ 619

Pesquisa da CNDL e do SPC Brasil mostra que 60% dos brasileiros planejam comprar produtos ou serviços durante o torneio, que começa em 11 de junho nos Estados Unidos, Canadá e México

Publicado

on

Copa do Mundo 2026 varejo

A Copa do Mundo 2026 é um fenômeno que vai além do futebol: é também um dos maiores aceleradores de consumo do calendário do varejo brasileiro. O torneio, que será realizado entre 11 de junho e 19 de julho nos Estados Unidos, Canadá e México, deve movimentar cerca de 99,2 milhões de consumidores no Brasil, segundo a pesquisa “Intenção de compras para Copa do Mundo 2026”, realizada pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e pelo SPC Brasil, em parceria com a Offerwise Pesquisas.

O gasto médio estimado para o período é de R$ 619 por consumidor, chegando a R$ 784 entre as classes A e B. Para o presidente da CNDL, José César da Costa, o evento deve funcionar como um “segundo Natal” para o comércio brasileiro, impulsionando vendas tanto no varejo quanto no setor de serviços.

O dado revela a escala do que está em jogo: com mais de 200 milhões de habitantes, o Brasil não é sede do torneio de 2026, mas segue sendo um dos mercados mais sensíveis ao evento em todo o mundo.

O que é a Copa do Mundo 2026 e por que ela importa para o varejo

A Copa do Mundo FIFA 2026 é a maior edição da história da competição. Pela primeira vez, o torneio conta com 48 seleções, com jogos distribuídos por três países anfitriões. Esse fato abre um novo patamar econômico que um evento esportivo global deve alcançar. Para o Brasil, mesmo não sendo país-sede, o impacto será relevante.

No contexto do varejo, a Copa do Mundo funciona como uma sazonalidade de médio prazo: ao contrário de datas como o Dia das Mães ou o Natal, que concentram o pico de consumo em poucos dias, o torneio de 2026 se estende por 39 dias, o que distribui o fluxo de compras ao longo de semanas. Esse formato exige do varejista tanto preparação antecipada quanto capacidade de sustentar o engajamento do consumidor durante toda a competição.

Categorias que lideram a Copa do Mundo 2026 no varejo

Nem todos os segmentos do varejo se beneficiam de forma igual durante a Copa. A distribuição do consumo é concentrada em categorias específicas, e o varejista que entende esse mapa pode posicionar estoque, preço e comunicação com mais precisão.

Segundo a pesquisa da CNDL e do SPC Brasil, 60% dos brasileiros devem gastar principalmente com bebidas não alcoólicas (68%), petiscos (62%), carnes para churrasco (60%) e cerveja (59%). Camisas da seleção brasileira e itens de torcida também aparecem entre os produtos mais procurados.

A Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP) identificou os segmentos com maior potencial de crescimento:

CategoriaOportunidade principalObservação
EletrônicosTVs, soundbars, cabos HDMITelas de 75″ ou mais cresceram 94%
Alimentos e bebidasCarnes, petiscos, cervejasConsumo coletivo em residências
Vestuário esportivoCamisas, bonés, bandeirasAlta por produtos licenciados
Delivery e food serviceBares, restaurantes, conveniênciasAumento de fluxo em dias de jogo
FarmáciasMaquiagens temáticas e medicamentosExploração das cores da Seleção


No segmento de eletrônicos, TVs já exibiram alta de 7% nos primeiros meses do ano, com as telas grandes (75 polegadas ou mais) crescendo 94%. Há também demanda elevada por soundbars, cabos HDMI, suportes de parede, estabilizadores, racks e poltronas confortáveis.

Eletrônicos: a Copa antecipa a Black Friday

O setor de eletrônicos vive um ciclo particular durante os anos de Copa do Mundo. Em anos de Copa, é tradicional que o varejo experimente um aumento expressivo de demanda pelos aparelhos. Em 2026, isso pode levar a uma alta de 10% nas vendas anuais, segundo estimativa da Associação Nacional dos Fabricantes de Produtos Eletroeletrônicos (Eletros). O evento antecipa o efeito da Black Friday, que ocorre em novembro.

A Associação Nacional de Fabricantes de Produtos Eletroeletrônicos (Eletros) projeta aumento de cerca de 20% nas vendas de televisores em comparação com o mesmo período do ano passado, impulsionado pelo evento esportivo e também por datas sazonais.

Artigos esportivos: alta de 20% a 40% esperada

O segmento de artigos esportivos é um dos mais diretamente ligados ao impacto da Copa do Mundo 2026 no varejo. As vendas de artigos esportivos no varejo brasileiro costumam aumentar cerca de 20% a 40% no período, com base em dados consolidados do setor. Para 2026, o Grupo SBF, controlador da Centauro, espera vender cerca de 850 mil camisas oficiais e mais 150 mil itens relacionados ao torneio.

Alimentos: ticket médio sobe 24,4% nos dias de jogo

O impacto da Copa do Mundo 2026 no varejo alimentar é especialmente expressivo. As vendas podem se elevar em até 18,8%, com aumento de 24,4% no ticket médio por consumidor, que salta de R$ 44,55 para R$ 55,44 na véspera dos jogos da Seleção Brasileira. Na prática, isso significa mais dinheiro circulando no comércio em um curto período, impulsionado por compras maiores e mais planejadas.

Comportamento do consumidor na Copa do Mundo 2026

Entender como o brasileiro compra durante a Copa do Mundo é tão importante quanto saber o que ele compra. A pesquisa da CNDL e do SPC Brasil detalha um perfil de consumo com características bem definidas.

O estudo reforça que os brasileiros mantêm o hábito de transformar os jogos em experiências coletivas: 97% assistirão os jogos coletivamente, principalmente com a família (77%) e amigos (60%). Esse comportamento tem consequência direta sobre o mix de categorias consumidas, que prioriza itens de reunião, entretenimento doméstico e convivência.

Outro dado relevante diz respeito à antecipação das compras. 44% dos consumidores pretendem antecipar as compras em até uma semana, seja para aproveitar promoções, evitar filas ou garantir os itens desejados antes dos jogos. Para o varejista, isso significa que o pico de demanda antecede a estreia do Brasil, o que exige estoque e comunicação preparados com semanas de antecedência.

Em relação às formas de pagamento, o Pix aparece como principal opção para 57% dos consumidores. A pesquisa também mostra que 90% dos torcedores pretendem fazer compras à vista.

74% dos entrevistados afirmam dar preferência às marcas que apoiam a Seleção Brasileira, reforçando a importância das ações promocionais e do posicionamento das empresas durante o período. Cerca de 47% dos consumidores afirmam que pretendem comprar itens licenciados, motivados principalmente pela qualidade e durabilidade superiores em comparação aos produtos falsificados.

Copa do Mundo 2026 no varejo físico e digital: impactos distintos

Um ponto de atenção para o varejo é o comportamento do fluxo físico em dias de jogo. Em dias de jogo do Brasil, o varejo físico registra queda de 10% a 15% em fluxo. Esse volume não desaparece: ele migra para o digital.

Esse dado reforça a necessidade de uma estratégia omnichannel durante o torneio. O varejista que opera apenas no canal físico tende a registrar queda de movimento nos dias de partida da Seleção, enquanto operações com presença digital captura a demanda que se desloca para o e-commerce.

O varejo físico continua sendo o destino preferido para itens de consumo imediato, com 89% de preferência, especialmente em supermercados (70%) e lojas de bairro (33%). Já 67% dos consumidores farão compras pela internet.

Horários dos jogos favorecem o varejo

Um ponto positivo para o varejo brasileiro está nos horários das partidas. Como a maioria dos jogos deve ocorrer à noite, o funcionamento das lojas ao longo do dia tende a seguir normalmente. Na prática, esse detalhe reduz impactos operacionais em comparação com outras edições do torneio.

Nas edições em que os jogos ocorreram durante o horário comercial, como na Copa de 2014, o impacto negativo sobre o fluxo físico foi mais pronunciado. Em 2026, a concentração das partidas no período noturno representa uma vantagem operacional para o varejo presencial.

Segmentos que podem ter queda durante o torneio

O impacto da Copa do Mundo 2026 no varejo não é positivo para todos os segmentos. A análise histórica do Banco Santander, citada por especialistas do setor, aponta categorias que tendem a ter desempenho abaixo da média durante o torneio.

Os segmentos mais afetados negativamente são: vestuário de moda, com queda mais acentuada nas vendas; farmácias, com impacto menor, mas ainda abaixo da média; e lojas físicas em geral, com redução de fluxo em dias de jogos.

O planejamento estratégico é o fator que distingue os varejistas que aproveitam a sazonalidade daqueles que sofrem com ela. Para segmentos sem ligação direta com o universo esportivo, a Copa pode ser uma janela para ações criativas, como tematizar o ambiente, adaptar o mix de produtos ou investir em canais digitais como alternativa ao fluxo físico reduzido.

Como o varejo pode se preparar para a Copa do Mundo 2026

Com base no comportamento do consumidor e nos dados setoriais disponíveis, é possível identificar ações práticas para que o varejista extraia o máximo do período.

Antecipe o estoque e a comunicação. Como 44% dos consumidores planejam comprar antes da estreia do Brasil, campanhas iniciadas apenas após o primeiro jogo perdem parte relevante da janela de oportunidade.

Invista em produtos licenciados. A preferência por itens oficiais, declarada por 47% dos consumidores entrevistados pela CNDL e pelo SPC Brasil, indica que qualidade e autenticidade são atributos valorizados durante a Copa.

Reforce o canal digital para dias de jogo. A queda de fluxo físico de 10% a 15% em dias de partida da Seleção pode ser compensada com operações digitais ativas, incluindo promoções programadas e logística de entrega rápida.

Adapte o mix às categorias líderes. Alimentos e bebidas, eletrônicos e vestuário esportivo concentram a maior parte da demanda. Varejistas de outros segmentos podem criar conexões temáticas com o torneio para atrair atenção.

Ofereça facilidades de pagamento. Com 90% dos consumidores planejando comprar à vista e o Pix como método preferencial de 57% do público, a fluidez no processo de pagamento é um fator de conversão relevante.


FAQ: Copa do Mundo 2026 e o varejo brasileiro

Quantos brasileiros devem comprar durante a Copa do Mundo 2026? Segundo pesquisa da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e do SPC Brasil, em parceria com a Offerwise Pesquisas, cerca de 99,2 milhões de consumidores pretendem realizar compras relacionadas ao torneio. Isso representa 60% dos consumidores brasileiros.

Qual é o gasto médio estimado por consumidor na Copa do Mundo 2026? O gasto médio estimado é de R$ 619 por consumidor. Entre os consumidores das classes A e B, esse valor sobe para R$ 784. Os dados são da pesquisa “Intenção de compras para Copa do Mundo 2026”, da CNDL e do SPC Brasil.

Quais categorias do varejo mais crescem durante a Copa do Mundo? As categorias com maior crescimento são eletrônicos (especialmente televisores), alimentos e bebidas (bebidas não alcoólicas, petiscos, carnes para churrasco e cerveja) e vestuário esportivo (camisas, bonés e bandeiras). A FecomercioSP aponta eletrônicos e alimentos como os segmentos de maior oportunidade.

O varejo físico perde vendas nos dias de jogo do Brasil? Sim. Em dias de partida da Seleção Brasileira, o varejo físico registra queda de 10% a 15% no fluxo de clientes. Esse volume tende a migrar para o canal digital. No entanto, como a maioria dos jogos da Copa de 2026 ocorre à noite, o impacto durante o horário comercial é menor do que em edições anteriores.

Qual é a forma de pagamento preferida pelos consumidores durante a Copa? O Pix é a forma de pagamento escolhida por 57% dos consumidores entrevistados, segundo a pesquisa da CNDL e do SPC Brasil. Além disso, 90% dos torcedores pretendem realizar compras à vista.

As marcas que apoiam a Seleção têm vantagem comercial durante a Copa? Sim. A pesquisa da CNDL e do SPC Brasil indica que 74% dos consumidores afirmam dar preferência a marcas que apoiam a Seleção Brasileira. Esse dado reforça a importância de ações promocionais e de posicionamento de marca durante o período do torneio.


Com informações de CNDL, FecomercioSP, Eletros, Banco Safra, XP Investimentos e BTG Pactual
Imagem: Magnific

Continue Reading
Comente aqui

Leave a Reply

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *