Operação
Pix é a principal forma de pagamento dos pequenos negócios
Sebrae aponta que 96% dos pequenos negócios aceitam Pix; ferramenta movimentou R$ 35,4 trilhões em 2025 e é citada por investigação comercial americana sobre “práticas desleais”
O Pix se consolidou como a principal forma de pagamento dos pequenos negócios brasileiros, e sua relevância agora está no centro de uma disputa comercial internacional. Segundo pesquisa do Sebrae e do Instituto de Pesquisas Sociais, Políticas e Econômicas (Ipespe), 96% dos pequenos negócios aceitam o Pix como forma de pagamento, e quase seis em cada dez donos de pequenos negócios têm a ferramenta como principal meio de recebimento de vendas. Outros 53% preferem o Pix para pagar seus parceiros comerciais.
Entre os microempreendedores individuais (MEI), a adesão é ainda maior: 97% utilizam a plataforma. Para 28% desses empreendimentos, o Pix responde por mais de 75% do faturamento total, e para outros 20%, a modalidade representa cerca de 51% dos recebimentos.
O sistema foi citado pelos Estados Unidos em uma investigação comercial sobre “práticas desleais”, sob o argumento de que representaria concorrência estatal aos cartões de crédito privados. O país avalia a imposição de uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros, com decisão prevista para até 15 de julho.
“É uma avaliação injusta e infundada por parte do governo dos Estados Unidos porque o sistema de pagamento não interfere no comércio e nas relações das empresas do setor de cartões de crédito. Mais do que isso, é uma forma de pagamento que não tem mais volta e se tornou a queridinha dos pequenos negócios pelo rápido recebimento e para a manutenção do fluxo de caixa dessas empresas. No fundo, é uma das formas que o setor utiliza para criar mais oportunidades de crescimento e aumentar a geração de empregos”, afirma Rodrigo Soares, presidente do Sebrae.
O executivo vai além na análise do contexto geopolítico por trás da investigação. “Este é o tamanho do mercado que seria disputado pelas Big Techs (Apple Pay, Google Pay, Amazon Pay, Meta Pay e Microsoft), se o Banco Central não oferecesse esse serviço de forma gratuita e referência de eficiência mundial. Não se trata de prática desleal de comércio, alegado por Trump para impor aumento de tarifas sobre nossas exportações. Mas sim, disputa de mercado”, afirma Soares.
Números do Pix
Lançado em 2020, o Pix alcançou universalização em menos de quatro anos. Segundo o Banco Central, a ferramenta conta com cerca de 170 milhões de usuários pessoas físicas, equivalente a 80% da população brasileira, e mais de 24 milhões de usuários pessoas jurídicas. Em 2025, o Pix bateu seu recorde histórico anual, movimentando R$ 35,4 trilhões e registrando quase 80 bilhões de transações, crescimento de 33,6% no volume de valores transferidos em relação ao ano anterior. Anualmente, o sistema movimenta mais de R$ 30 trilhões, equivalente a quase três vezes o PIB brasileiro.
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