Economia

Varejo cai pelo 14º mês seguido e tem pior julho desde 2020

ICVA aponta queda real de 1,4% no mês, com consumidor priorizando itens essenciais; e-commerce cresce quase oito vezes mais que lojas físicas

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analistas de mercado reduzem expectativa para inflação; ICVA

O varejo brasileiro registrou queda de 1,4% em termos reais em julho, na comparação com o mesmo mês de 2025, já descontada a inflação, segundo o Índice Cielo do Varejo Ampliado (ICVA). É o 14º mês consecutivo sem variação positiva no indicador. O último avanço do setor ocorreu em maio de 2025, quando o varejo cresceu 1,4%, com a sequência negativa iniciada em junho daquele ano.

O resultado é o pior desempenho do ICVA para o mês de julho desde 2020. Em julho de 2021, ainda sob efeito da base de comparação da pandemia, o varejo havia crescido 7,2%. Em 2022, avançou 0,7%. Depois, registrou quedas de 0,8% em 2023, 1,3% em 2024 e 0,8% em 2025. Apenas julho de 2020 teve desempenho inferior ao de 2026 no período.


ICVA mostra consumo recorrente mais resistente em julho

A retração não ocorreu de forma uniforme entre as categorias. Bens não duráveis, grupo que reúne itens de consumo mais recorrente, avançaram 1,7% em termos reais, com destaque para supermercados e hipermercados, seguidos por drogarias e farmácias. Já bens duráveis e semiduráveis recuaram 4,8%, pressionados por vestuário, artigos esportivos e materiais para construção. Serviços tiveram a maior queda, de 6,3%, puxada por turismo e transporte e por alimentação em bares e restaurantes.

“Os dados de julho mostram um consumidor mais seletivo. As compras continuam acontecendo, mas categorias ligadas a necessidades mais recorrentes apresentam maior resistência, enquanto gastos que podem ser adiados ou reduzidos seguem mais pressionados”, afirma Carlos Alves, vice-presidente de Tecnologia e Negócios da Cielo.

O e-commerce cresceu 9,7% em termos nominais na comparação com julho de 2025, enquanto o varejo físico avançou 1,3%, sem descontar a inflação no período.


Na análise regional, o Norte foi a única região com crescimento real em julho, com alta de 1,7%. O Nordeste caiu 1,2%, o Sul recuou 1,5%, e o Sudeste, 2,2%. O Centro-Oeste teve o resultado mais fraco, com queda de 3,1%.

Entre os estados, os melhores desempenhos foram Amapá (5,4%), Rondônia (4,4%), Acre (2,8%), Tocantins (1,7%) e Sergipe (1,5%). As maiores quedas ocorreram no Rio Grande do Norte (-4,3%), Distrito Federal (-3,6%), Mato Grosso (-3,4%), Goiás (-3,2%) e Rio de Janeiro (-2,8%).

O IPCA-15 registrou variação de 0,06% em julho e alta de 4,5% em 12 meses, com energia elétrica residencial subindo 3,0% no mês, enquanto alimentação e bebidas recuaram 0,7%.

Infográficos gerados com auxílio de inteligência artificial
Imagem: Freepik

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