Comportamento
Pressão econômica muda relação dos brasileiros com saúde e consumo
Estudo da Worldpanel by Numerator mostra que um em cada três lares já não consegue cobrir os gastos mensais, enquanto GLP-1 avança entre as classes A e B
Um em cada três lares brasileiros integra hoje o grupo Struggling, formado por famílias que são mais impactadas pela pressão econômica: destinam toda a renda às despesas mensais ou cujos ganhos não cobrem os gastos. A participação desse perfil subiu de 25% em 2025 para 33% em 2026, segundo o estudo The Health Effect – LATAM 2026, da Worldpanel by Numerator.
No mesmo período, o grupo Managing, que precisa planejar compras e controlar parte dos gastos, recuou de 45% para 37%. Juntos, os dois perfis somam 70% dos lares brasileiros, mas a composição indica piora: em um ano, oito pontos percentuais migraram do grupo que ainda administra o orçamento para o que já não tem sobra financeira.
A pressão econômica acompanha deterioração na percepção de saúde. A parcela de brasileiros que considera saudável o próprio bem-estar físico caiu de 64% em 2024 para 57% em 2025 e 55% em 2026.
Busca por saúde resiste à pressão sobre o orçamento
Apesar do cenário financeiro, o cuidado com a saúde não perdeu espaço. Os chamados Health Actives, consumidores que adotam com frequência práticas ligadas à alimentação e ao estilo de vida, passaram a representar 30% dos lares brasileiros, alta de quatro pontos percentuais em relação ao ano anterior.
Produtos essenciais ainda concentram 43% dos gastos com bens de consumo massivo na região, mas as categorias de autocuidado e bem-estar respondem por 19% do desembolso e cresceram 12% em relação ao ano anterior, três vezes o avanço dos itens essenciais, de 4%. Produtos premium e marcas próprias responderam por 85% do crescimento das unidades de bens de consumo massivo vendidas na América Latina.
Levantamento mais recente da Worldpanel by Numerator, realizado entre julho e agosto de 2026 com consumidores das classes A e B, mostra que 12,9% dos domicílios pesquisados têm atualmente pelo menos um usuário de medicamentos GLP-1. Outros 6,9% relatam uso passado, e 9,5% afirmam que alguém da casa considera iniciar o uso. O conhecimento sobre a categoria é praticamente universal nesse público: 96,7% dos consumidores das classes AB afirmam conhecer as canetas para perda de peso.
A redução do açúcar também avançou entre os lares brasileiros. Segundo o levantamento, 46% são classificados como Sugar Reducers, consumidores que procuram opções com menos açúcar e evitam produtos com açúcar adicionado. Entre as mudanças declaradas, 45% reduziram o consumo de refrigerantes, 44% diminuíram chocolates e doces, e 44% cortaram alimentos ultraprocessados.
O estudo The Health Effect – LATAM 2026 ouviu cerca de 15,4 mil pessoas na América Latina, incluindo 3.350 no Brasil. O levantamento sobre GLP-1 entre as classes A e B ouviu 1.282 respondentes no país.
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