Operação
Habib’s protocola pedido de recuperação judicial
Grupo Gennius formaliza o processo após não fechar acordo com credores dentro do prazo de proteção concedido pela Justiça em julho, com dívida de R$ 312,4 milhões
O Grupo Gennius, controlador do Habib’s, Ragazzo, Mita e Tendall Grill, protocolou pedido de recuperação judicial nesta quarta-feira (26). A medida ocorre após o grupo não conseguir fechar acordo definitivo com os credores dentro do prazo da tutela cautelar concedida pela Justiça em julho.
A recuperação judicial é um processo mais amplo que a tutela cautelar anteriormente obtida pela empresa. Ela exige a apresentação de um plano de reestruturação, a nomeação de um administrador judicial e a convocação de assembleia de credores para aprovação do plano, sob supervisão da 1ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais de São Paulo.
Relembre o histórico da crise do Grupo Gennius, dono do Habib’s, até a recuperação judicial
Em 1º de julho, o juiz Jomar Juarez Amorim concedeu ao Grupo Gennius uma tutela cautelar antecedente, que suspendeu por 60 dias, prazo improrrogável, as execuções de cobranças contra 174 empresas ligadas ao conglomerado, incluindo controladoras, cozinhas centrais e lojas próprias. A decisão também alcançou o fundador e presidente, Alberto Saraiva, e o administrador Belchior Saraiva Neto.
Na petição, o grupo atribuiu a crise financeira aos efeitos da pandemia de Covid-19 entre 2020 e 2022, à mudança nos hábitos de consumo com o avanço das plataformas de delivery e ao cenário macroeconômico marcado pela alta de juros. Dos R$ 312,4 milhões em dívidas informados, mais de R$ 300 milhões correspondem a compromissos bancários.
Antes de buscar a proteção judicial, o grupo já havia iniciado mediação com credores no Centro Judiciário de Solução de Conflitos e Cidadania (Cejusc) de Santo Amaro, em São Paulo. Durante o período de tutela cautelar, a companhia obteve na Justiça a liberação de R$ 3,3 milhões retidos pelo banco Daycoval em recebíveis de cartão e saldos de conta, mas seguiu enfrentando cobranças de outros credores, como a Bamko Importação, que reivindica R$ 4,5 milhões por fornecimento de produtos licenciados para campanhas promocionais, e um pedido de despejo de uma loja em São Bernardo do Campo, por dívida de R$ 393 mil.
A lista de credores citados no processo inclui empresas de alimentos, tecnologia e serviços, como Seara Alimentos, JBS/Friboi, Bunge Alimentos, Oracle, TOTVS e Google Brasil, além de instituições financeiras como Banco Inter e Ouribank.
O Habib’s foi fundado em 1988 por Alberto Saraiva e soma hoje cerca de 300 lojas da marca e 200 do Ragazzo, distribuídas por cerca de 90 cidades do país. Nos últimos meses, o grupo fechou unidades em cidades como São Paulo, São José do Rio Preto, Limeira e Passos (MG). A empresa afirma que as lojas seguem funcionando normalmente, mantendo o padrão de qualidade e atendimento aos clientes.
Leia também:
- Dona do Habib’s vai à Justiça para se blindar de credores
- Justiça aprova recuperação judicial do Grupo Toky, dono da Tok&Stok e da Mobly
- Casas Bahia planeja cortar 30% do quadro e fechar mais lojas
Com informações de Poder360
Imagem: Divulgação
