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Fraude de identidade no varejo cresce 120% em 2026

Levantamento da Serasa Experian aponta 2,8 milhões de tentativas de fraude de identidade no 1º semestre, com Meios de Pagamento à frente do ranking

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Fraude de identidade no varejo

As tentativas de fraude de identidade no varejo brasileiro cresceram 120,7% no primeiro semestre de 2026 em comparação com o mesmo período de 2025, segundo o Mapa da Fraude da Serasa Experian. O avanço foi o maior entre os dez segmentos analisados pela empresa no período.

O levantamento identificou 2.860.957 tentativas de fraude em processos de cadastro e validação de identidade entre janeiro e junho de 2026, alta de 32,9% em relação ao primeiro semestre do ano anterior. O volume equivale a uma tentativa a cada cinco segundos e meio, segundo a Serasa Experian.

O que é fraude de identidade no varejo

Fraude de identidade no varejo ocorre quando um criminoso usa dados pessoais de terceiros, como CPF, RG, e-mail, fotos e endereço, para abrir cadastros, aprovar compras ou acessar contas em nome da vítima. A definição consta de levantamento da Serasa Experian sobre fraudes de identidade, divulgado em fevereiro de 2024.

Nesses casos, a vítima costuma perceber o golpe meses depois, ao receber cobranças de compras que não fez. Para o varejista, o prejuízo aparece no chargeback, o estorno da venda solicitado pelo titular do cartão junto à operadora quando reconhece a fraude.

Cada R$ 100 em compras no e-commerce brasileiro reúnem R$ 3,47 em tentativas de fraude, segundo dados da ClearSale, empresa de prevenção a fraudes digitais.

Por que o varejo lidera o crescimento das tentativas em 2026

O Mapa da Fraude da Serasa Experian mostra que, entre os segmentos analisados no primeiro semestre de 2026, o varejo teve o maior avanço percentual de tentativas de fraude de identidade, com alta de 120,7% sobre o mesmo período de 2025. Telefonia veio em seguida, com aumento de 51,4%, e Serviços, com 40,2%.

Apesar do avanço do varejo, o setor financeiro segue concentrando a maior fatia das ocorrências totais. Meios de pagamento, bancos e cartões e financeiras somaram 61,1% das tentativas identificadas no período, segundo a mesma fonte.

Rodrigo Sanchez, diretor de Autenticação e Prevenção à Fraude da Serasa Experian, associa parte do movimento ao avanço de categorias de maior valor agregado no comércio eletrônico. A categoria Saúde concentrou 35.314 tentativas de fraude no primeiro semestre, atrás de Beleza, com 67.782, e Calçados, com 56.193.

Fraude de identidade no varejo

Como o golpe chega ao varejo físico e online

A Serasa Experian descreve a fraude de identidade como um processo com várias etapas. Ele pode começar com uma mensagem de isca, seguir para o uso de dados de terceiros e a abertura de um cadastro digital falso.

Depois vêm a manipulação de documentos ou o uso de contas laranja, até chegar à transação fraudulenta, segundo Eric Dhaese, vice-presidente de Autenticação e Prevenção à Fraude da empresa.

No varejo digital, o avanço da inteligência artificial adicionou uma camada ao golpe. Grupos de circulação de conteúdo fraudulento cresceram 139% no período analisado pela Serasa Experian, o que indica maior organização na origem dos ataques.

A biometria facial, usada para validar a identidade do comprador, também virou alvo. Fraudadores recorrem a deepfakes que clonam rosto, voz e maneirismos da vítima para enganar sistemas de reconhecimento em videochamadas e ligações, segundo levantamento da Central do Varejo sobre biometria facial.

A empresa de segurança digital Nethone informa que seu sistema evita 95,3% das tentativas de roubo de conta. O método usa análise em tempo real do dispositivo, da rede e da biometria comportamental do usuário.

Setores e regiões concentram o maior volume de fraude de identidade

O Sudeste concentrou 31,7% das tentativas de fraude de identidade no primeiro semestre de 2026, a maior participação entre as regiões, segundo a Serasa Experian.

Na percepção do consumidor, o quadro se confirma. Pesquisa da Mastercard sobre fraudes na América Latina aponta que, no Brasil, as fraudes mais recorrentes ocorrem em compras e varejo, citadas por 37% dos entrevistados, à frente de golpes de investimento e criptomoedas, com 30%, e de roubo de identidade isolado, com 31%.

A mesma pesquisa mostra que 74% dos consumidores brasileiros confiam mais em bancos do que em instituições governamentais para proteger seus dados, e 64% confiam mais nos provedores financeiros do que em si próprios para evitar transações fraudulentas.

Fraude de identidade no varejo

Como o varejo pode se proteger do golpe

A validação de identidade no primeiro contato do cliente reduz o risco de fraude ao longo da jornada, segundo Leandro Bartolassi, diretor de Autenticação e Prevenção a Fraude da Serasa Experian. Quando uma identidade falsa passa pelo cadastro sem barreira, o criminoso ganha acesso a outros produtos e amplia o prejuízo.

Entre as ferramentas usadas pelo varejo estão a autenticação multifator, a análise comportamental do dispositivo e da rede, e sistemas de chargeback guarantee, modelo no qual a empresa antifraude assume a responsabilidade financeira por fraudes aprovadas em sua análise.

O Pix também entrou como mecanismo de prevenção no checkout. Dados da Pagsmile mostram que o método respondeu por US$ 1,73 bilhão em volume transacionado na operação da empresa entre janeiro de 2025 e julho de 2026, cerca de 75% do total movimentado por meio de pagamento na plataforma.

Compartilhar dados de transações entre varejistas e empresas antifraude é outra frente citada pelo setor. A prática permite identificar um padrão de ataque em uma loja e gerar alerta para outras operações antes que o golpe se repita.

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Imagens: Magnific

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