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“Julho teve efeito de Copa do Mundo”, diz economista da Stone sobre desaceleração de agosto

Em entrevista exclusiva à Central do Varejo, Guilherme Freitas, da Stone, atribui parte da desaceleração de agosto ao fim do efeito Copa do Mundo e à taxa de juros real ainda elevada

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Taxa de juros real ainda trava consumo, diz Stone

O setor de bares e restaurantes cresceu mais de 10% na comparação anual entre março e julho, segundo o Índice Abrasel-Stone, e desacelerou para 7,4% em agosto. Parte do movimento tem explicação pontual, mas a taxa de juros real elevada segue como o obstáculo de fundo, segundo Guilherme Freitas, economista e pesquisador da Stone.

Em entrevista exclusiva à Central do Varejo durante o Salão Abrasel, Freitas atribui o pico de julho a dois fatores. “Julho de 2025 foi fraco, então a base de comparação era menor. Mas principalmente, teve a Copa do Mundo”, afirma.

Segundo o economista, o efeito da Copa do Mundo não entra no ajuste sazonal padrão, que considera apenas feriados recorrentes. “É um evento sazonal de quatro em quatro anos, mas não entra nessa conta de tirar sazonalidade. E joga muito para cima”, diz.

Freitas também identifica sinais de desaceleração real, não apenas ajuste de base de comparação. A geração de emprego perdeu força nos dados mais recentes, mesmo com a taxa de desemprego em mínima histórica. “Esse impulso de emprego que segura muito o consumo em bar e restaurante tem diminuído um pouco”, afirma.

Peso maior que crédito

O ambiente de crédito segue como o principal fator de pressão, segundo o economista. “É o principal detrator da atividade econômica”, diz, citando dado recente do IBGE que mostrou queda no consumo das famílias, puxada pelo crédito.

Freitas aponta que o comprometimento de renda das famílias com dívidas está em máxima histórica, o que reduz o valor disponível para consumo discricionário, como jantares de fim de semana.

O economista também retoma um ponto citado pela Abrasel em junho, sobre o crescimento das apostas esportivas. Um estudo da Stone em parceria com um professor do Insper, mediu o efeito da primeira aposta sobre o comportamento financeiro do apostador. O trabalho foi publicado na Folha de S.Paulo.

“A gente vê uma queda em saldo bancário, aumento de inadimplência. Se esse efeito existe, como a gente mediu, isso com certeza afeta o consumo”, afirma Freitas.

Taxa de juros real é o indicador a observar até dezembro

Questionado sobre qual indicador o setor deve acompanhar até o fim do ano, Freitas aponta o comprometimento de renda das famílias como a métrica mais direta. “Enquanto isso não começar a cair de forma mais acentuada, é difícil imaginar bares e restaurantes decolando”, diz.

Em segundo lugar, cita a taxa de juros real. Para Freitas, a pressão de crédito não é exclusiva do foodservice.

“Essa questão do crédito pesa não só no setor de bar, mas também no varejo em geral”, afirma, referência ao Índice do Varejo Stone, que acompanha o comércio físico e digital com a mesma metodologia.

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Imagem: Divulgação

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