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Pix para empresas atinge 64% das transações de PMEs em 2026, mostra Asaas
Levantamento da plataforma financeira analisou pagamentos entre 2021 e 2026 e mostra que o instantâneo virou maioria já em 2022, mesmo perdendo participação desde o pico de 2023
O Pix responde hoje por 64% da quantidade de pagamentos feitos por pequenas e médias empresas no Brasil, segundo estudo do Asaas, plataforma financeira e operacional para empresas. O levantamento analisou pagamentos processados na base da companhia, que soma mais de 300 mil clientes ativos, entre 2021 e os primeiros nove meses de 2026.
Em 2021, o Pix respondia por apenas 12% das transações das empresas na base do Asaas. A participação saltou para 60% já em 2022 e chegou ao pico de 80% em 2023. Depois disso, houve uma acomodação gradual: 78% em 2024, 69% em 2025 e 64% até a última semana de setembro de 2026.
Segundo o Asaas, a mudança também altera processos internos das empresas. A liquidação imediata e a confirmação automática do Pix reduzem o atrito na conciliação bancária.
O sistema também encurta o intervalo entre a aprovação de um pagamento e sua efetivação, etapa que em vários setores historicamente era vista como cara e lenta.
Pix para empresas segue à frente do boleto mesmo após acomodação
O boleto, por sua vez, responde hoje por 19% das transações das empresas analisadas pelo Asaas.
A modalidade se mantém mais relevante em associações e organizações sem fins lucrativos, onde chega a representar entre 30% e 46% dos pagamentos.
Isso reflete rotinas de cobrança mais formais nessas entidades, com necessidade de vencimento programado e instrumentos de cobrança adaptados a processos tradicionais.
“Quando o Pix passa a ser a principal forma de pagamento, o que muda não é só a velocidade do pagamento, é a velocidade do caixa de empresas e das decisões dos negócios”, afirma Israel Guerra, VP de Finanças do Asaas.
Segundo Guerra, a PME que recebe mais rápido reduz a dependência de antecipação de recebíveis e ganha previsibilidade no capital de giro, mas passa a precisar de mais automação para acompanhar o ritmo de entrada e saída de caixa.
O volume total transacionado na plataforma do Asaas, somando todos os meios de pagamento, saltou de R$ 5 bilhões em 2021 para R$ 67 bilhões em 2025, alta de mais de 1.200%.
Já o volume movimentado só em Pix passou de R$ 237 milhões para R$ 38 bilhões no mesmo intervalo, um aumento de 162 vezes, ante 13,3 vezes da base total de pagamentos.
O crescimento do Pix superou, portanto, o próprio ritmo de expansão da base de clientes da companhia.
“É difícil imaginar hoje, quase seis anos depois do lançamento do Pix, negócios funcionando sem essa tecnologia”, afirma Guerra.
Para o executivo, o debate agora está em como as empresas equilibram o uso de Pix e boleto para reduzir custo e fricção sem perder controle sobre a cobrança.
O movimento identificado pelo Asaas acompanha a tendência nacional descrita pelo Banco Central. Segundo o Relatório de Gestão do Pix 2023-2025, divulgado pela autoridade monetária em agosto, o país fechou 2025 com 920 milhões de chaves Pix cadastradas.
Dessas chaves, 44,7 milhões pertencem a pessoas jurídicas, quase o dobro das 25,2 milhões registradas em 2022.
Em volume, o Banco Central contabilizou cerca de 80 bilhões de transações via Pix em 2025, alta de 25,7% sobre 2024, movimentando R$ 35 trilhões, 33,8% a mais que no ano anterior.
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