Marketing
Bold e Hubla são as únicas marcas brasileiras no Contagious Brands Report 2026
A Contagious, empresa irmã do festival Cannes Lions, lançou o Contagious Brands Report 2026, elencando 45 marcas de diferentes países consideradas agentes de ruptura em suas categorias. O relatório é divulgado no Brasil pelo Estadão, representante oficial do Cannes Lions no país.
Duas marcas brasileiras aparecem na lista: a Bold, de barras de proteína, e a Hubla, plataforma de monetização de produtos digitais para criadores de conteúdo.
Segundo a Contagious, a seleção reúne marcas de diferentes portes, de startups a companhias multibilionárias, moldadas pelos principais desafios do mundo dos negócios atualmente: a fragmentação da mídia, o avanço da inteligência artificial, a economia dos criadores de conteúdo e a construção de universos de marca próprios.
Contagious Brands Report 2026 destaca o varejo físico como espaço de experiência
O relatório organiza as marcas em nove categorias. Uma delas, batizada de “Destination Designers”, reúne marcas que transformaram lojas físicas em destinos por si só, e não apenas pontos de venda.
Entre os exemplos estão a Gentle Monster, da Coreia do Sul, que converteu mais de 80 lojas em galerias de arte, a Dick’s Sporting Goods, dos Estados Unidos, que recriou seus espaços como playgrounds esportivos, e a Miniso Land, da China, que abriu 26 lojas com conceito de parque temático.
A japonesa Kura Sushi também está na categoria, por transformar o sistema de esteiras de seus restaurantes em uma experiência gamificada para os clientes.
Outra categoria, “Value Champions”, reúne marcas que competem por preço e valor percebido em um cenário de inflação e alto custo de vida.
A francesa Back Market vende eletrônicos recondicionados por 30% a 50% a menos que produtos novos, a lituana Vinted viabiliza economicamente a revenda de roupas usadas em pequeno valor, e o Mercado Livre, da Argentina, aparece na lista por transformar descontos em experiências de compra.
A Bold entra na categoria “Everyday Magic Makers”, que reúne marcas de categorias comuns que criam diferenciação por meio de design e ciência aplicada ao produto, ao lado da americana Scrub Daddy, esponja com rosto sorridente que gera conteúdo próprio nas redes sociais.
Segundo o relatório, as barras de proteína da empresa têm aparência e sabor de sobremesa, o que tem gerado vídeos virais produzidos pelos próprios consumidores.
Já a Hubla está na categoria “Community Builders”, ao lado de marcas como o jogo GTA Online e a rede social de cinema Letterboxd, todas reunidas por aproximar pessoas em torno de interesses e comunidades.
“O que une muitas dessas marcas tão diversas é que elas encontraram o sucesso ao deixar de simplesmente fabricar produtos ou oferecer serviços. Em vez disso, estão criando experiências que surpreendem e encantam”, afirma Sunil Bajaj, Lead Brand Analyst da Contagious.
As demais categorias do relatório são “Product Innovators”, “Creator Makers”, “Gen Z Magnets”, “Worldbuilders” e “AI Pioneers”.
Em “Product Innovators”, o relatório destaca a SharkNinja, dos Estados Unidos, que lança 25 produtos de lifestyle por ano com tecnologia premium a preços mais baixos, e a Oura, da Finlândia, fabricante de um anel de monitoramento de sono e recuperação sem tela. A indiana Ather Energy também aparece na categoria por sua tecnologia própria em scooters elétricas.
“Creator Makers” reúne marcas que transformam funcionários e consumidores em criadores de conteúdo.
Um exemplo é o programa Green Apron Creators, da Starbucks, que converte baristas em influenciadores da marca, ao lado da varejista indiana de beleza Nykaa, que transforma consumidoras jovens em embaixadoras.
Já “Gen Z Magnets” mapeia marcas que conquistaram esse público sem apelar para publicidade tradicional.
A sul-africana Bathu, de tênis, associa a marca à identidade africana e ao combate ao desemprego jovem, e a americana Poppi, de refrigerantes prebióticos, tornou a saúde intestinal um tema de tendência entre consumidores mais novos.
As categorias “Worldbuilders” e “AI Pioneers” completam a lista.
Em “Worldbuilders”, a Fanatics, dos Estados Unidos, aparece por ter se tornado um ecossistema esportivo para 140 milhões de clientes no mundo, e a britânica Jellycat expandiu sua linha de bichos de pelúcia para conquistar também o público adulto.
Em “AI Pioneers”, o relatório cita a Zapia, do Uruguai, assistente de inteligência artificial gratuito desenvolvido especificamente para a América Latina, capaz de executar tarefas como compras, agendamentos e reservas em restaurantes.
A americana Runway, avaliada em US$ 5,3 bilhões, também está na lista por transformar a criação de vídeos com IA em um processo de direção controlável pelo usuário.
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