Tecnologia
Pagar por anúncio no ChatGPT não garante que a IA recomende a marca, alerta professor da ESPM
OpenAI testa formato visual nos EUA, e pesquisa de Wilson Silva mostra que 57% de 552 marcas brasileiras não foram citadas por ChatGPT, Gemini, Perplexity ou Claude
A OpenAI anunciou em 5 de outubro um novo formato de anúncios no ChatGPT, exibido enquanto o usuário gera imagens. O teste começa em outubro nos Estados Unidos, com um grupo inicial de anunciantes. Segundo a empresa, os anúncios são identificados, ficam separados da imagem gerada e não influenciam as respostas.
No Brasil, o ChatGPT exibe anúncios desde 4 de agosto, mas o formato visual não tem teste anunciado no país.
Anúncios no ChatGPT compram atenção, mas não recomendação
Para Wilson Silva, professor da ESPM São Paulo, CEO da WS Labs e criador da Escala Will, o novo formato escancara a diferença entre dois tipos de presença nas plataformas generativas: a paga, comprada em mídia, e a orgânica, quando a IA reconhece a marca e a cita na resposta.
“A publicidade compra espaço, mas não compra recomendação”, afirma Silva.
Segundo ele, uma marca pode aparecer como anunciante e perder a decisão logo depois, se o consumidor perguntar à própria IA se a empresa é confiável e o sistema não encontrar evidências suficientes.
A OpenAI não informou que o anunciante precise ter bom desempenho orgânico para comprar mídia, nem que isso reduza o preço. A plataforma suporta compra por CPC e CPM, e não há tabela pública de preços.
A tese de Silva se apoia em pesquisa feita por ele na ESPM, com orientação de Erika Camila Buzo Martins. O estudo fez 6.611 consultas ao ChatGPT, Gemini, Perplexity e Claude sobre 552 marcas de 22 setores, sem citar nomes nas perguntas.
Do total, 57% das marcas não foram citadas por nenhuma das quatro plataformas, e só 35, cerca de 6%, chegaram à faixa máxima da Escala Will, a de Autoridade. A pesquisa também aponta que bom desempenho em SEO não garante presença nas respostas de IA.
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Imagem: Pexels
