Inovação
Ações de IA caem 40% na China, Nasdaq recua após balanço da Alphabet e reabre o debate sobre bolha
STAR50 perdeu US$ 480 bilhões em menos de quatro meses, enquanto o Nasdaq caiu 1,38% na quinta-feira (29) após balanço da Alphabet
A queda das ações de IA na China levou gestores e analistas a falar em estouro da bolha da IA no país. O índice STAR50, que reúne empresas de inteligência artificial e semicondutores, caiu 40% em menos de quatro meses e eliminou cerca de US$ 480 bilhões em valor de mercado.
Em Nova York, o Nasdaq Composite fechou a quinta-feira (29) em baixa de 1,38%, aos 26.184,72 pontos. O S&P 500 recuou 0,30% e o Dow Jones, 0,25%. A pressão veio da Alphabet, controladora do Google, que caiu 12,64% após divulgar resultado do terceiro trimestre abaixo do esperado e fluxo de caixa livre negativo.
A queda foi a maior da história da empresa e retirou cerca de US$ 500 bilhões de seu valor de mercado. Na sexta-feira (30), antes da abertura, as ações da Amazon recuavam 6,85% e as da Intel, 25,42%, após resultados e projeções aquém do esperado.
O recuo ficou concentrado no setor de tecnologia. Cerca de 81% dos papéis do S&P 500 subiram na quinta, e o Nasdaq vinha de alta de 2,3% nas três sessões anteriores. Em 26 de outubro, o índice estava cerca de 6% abaixo do recorde registrado três semanas antes.
Por que a bolha da IA entrou no radar
Na China, operadores do mercado citam o preço alto das ações, impostos e o risco de que Estados Unidos e outros países restrinjam o uso de equipamentos chineses em data centers.
Segundo o Goldman Sachs, os papéis ligados à IA chegaram a representar 42% do valor de mercado e 57% do volume negociado na China continental e em Hong Kong.
O CSI300, que acompanha as maiores companhias do país, recuou cerca de 20% desde o pico de junho. O STAR50 ainda é negociado a cerca de 100 vezes o lucro dos últimos 12 meses, ante quase 250 vezes no ponto mais alto.
Wang Zhuo, sócio da Zhuozhu Investment Management, de Xangai, afirmou que fabricantes de chips e fornecedores de IA enfrentarão guerra de preços e que todas as bolhas acabam estourando. O Goldman Sachs, por outro lado, incluiu empresas chinesas de IA em lista atualizada de recomendações.
Nos Estados Unidos, Daniela Hathorn, analista da Capital.com, afirmou em análise que o mercado deixou de premiar apenas o volume de investimento em IA e passou a exigir sinais de que o gasto gera receita, margem e fluxo de caixa sustentáveis.
No varejo brasileiro, 59% das empresas já usam soluções de IA e 90% pretendem ampliar o uso ou o investimento nos próximos meses, segundo pesquisa da Central do Varejo em parceria com a Zucchetti Brasil.
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Com informações de Reuters, Olhar Digital, TheStreet, InfoMoney e ADVFN
Imagem: Reprodução/X
