Operação
O que é RFID e como funciona no varejo
A etiqueta com chip e antena responde ao leitor por ondas de rádio, e a RAIN Alliance registrou 42,7 bilhões de chips despachados em 2025 para a tecnologia
RFID, sigla em inglês para identificação por radiofrequência, é a tecnologia em que uma etiqueta com chip e antena recebe o sinal de um leitor e devolve a informação gravada nela, sem necessidade de contato visual.
A RAIN Alliance, entidade do setor que consolida dados de fabricantes de chips, informou em abril de 2026 que quatro empresas (EM Microelectronic, Impinj, NXP e Shanghai Quanray) despacharam 42,7 bilhões de chips RAIN RFID em 2025.
O volume ficou abaixo do recorde de 2024, em razão da incerteza tarifária e da redução de estoques no varejo dos Estados Unidos, segundo a entidade. Em quatro anos, o mercado cresceu 50%.
O que é RFID e para que serve no varejo
No varejo, o uso mais citado do RFID é o controle de estoque. Horta afirma que a tecnologia é a evolução do código de barras, que exige contato visual e um feixe infravermelho para ler cada item. No RFID, o leitor aciona a etiqueta por radiofrequência, e ela devolve os dados.
Segundo o executivo, o inventário que antes exigia várias pessoas contando item por item durante horas, com a loja fechada, passa a ser feito apontando o coletor para as áreas da loja.
Dean Frew, ex-diretor de tecnologia (CTO) da SML Group e sócio da Gold Hill Strategic Partners, escreveu no RFID Journal em novembro de 2025 que o RFID de nível de item, que identifica cada peça e não apenas o tipo de produto, cresceu nos últimos 15 anos em cadeias de varejo.
Ele cita como adotantes da tecnologia Walmart, Zara, Nike, H&M, Uniqlo, Macy’s e Marks & Spencer, em categorias como vestuário, calçados, bens gerais, eletrônicos e cosméticos.
Como funciona?
Um sistema de RFID reúne etiquetas, impressoras, leitores, antenas e portais, além de software que integra as leituras aos sistemas da empresa, segundo a Zebra Technologies, em material publicado no Brasil.
A impressora codifica os dados na etiqueta embutida e imprime as informações visíveis no rótulo. O leitor se comunica com a etiqueta para ler e, em alguns casos, gravar dados.
O funcionamento segue três etapas:
- Codificação. A etiqueta recebe um identificador. Segundo a GS1 Brasil, que administra os padrões globais no país, o EPC (Código Eletrônico de Produto) é o padrão que dá significado e estrutura às informações capturadas pelo RFID.
- Leitura. O leitor emite um sinal que ativa a etiqueta, e ela devolve a informação ao emissor da onda, conforme descreve Horta.
- Processamento. O software atualiza o estoque. Frew observa que sistemas de gestão como WMS, OMS e ERP geralmente não têm modelo de dados nativo para RFID e dependem de um software próprio para a tecnologia.
Que tipos de leitor o varejo usa
Frew descreve quatro formatos de leitura no varejo. Os coletores portáteis se distinguem pelo suporte à leitura de longa e de curta distância, diferença que Frew associa ao retorno do investimento.
Os leitores fixos incluem os de ponto de venda, que têm uso mais difundido, e os de provador e de teto, menos desenvolvidos. Túneis e estações atendem centros de distribuição e fábricas. Robôs de contagem em loja, segundo o autor, estão em testes limitados de poucos fornecedores.

RFID e código de barras: o que muda na prática
A primeira diferença está na leitura. O código de barras depende de contato visual, e o RFID, de radiofrequência, segundo Horta. A segunda está na granularidade. Frew descreve o RFID de nível de item como um avanço sobre sistemas baseados em SKU e código de barras.
A terceira aparece na acuracidade do estoque, que mede quanto o saldo registrado no sistema corresponde ao que existe fisicamente.
Frew afirma que a acuracidade de itens em lojas continua entre 55% e 80%.
Natalino Franciscato, gerente de Projetos da Gouvêa Consulting, escreveu em 27 de outubro de 2026 que, segundo fontes do setor varejista, a acuracidade pode passar de 65% a 80% em operações manuais para mais de 95% a 99% com RFID bem implementado.
Que resultados traz para o estoque?
Segundo Frew, a acuracidade de 55% a 80% resulta em ao menos US$ 500 bilhões (cerca de R$ 2,5 trilhões, na cotação de 15 de outubro) em estoque registrado de forma incorreta, com efeito sobre lucros de mais de US$ 100 bilhões no mundo. O dado se refere ao mercado de vestuário.
Horta afirma que a Pernambucanas alcançou 100% de exatidão no estoque com a tecnologia da Beontag. O número é informado pelo fornecedor, e a varejista não detalhou a metodologia na reportagem.
Frew relata períodos de retorno do investimento (payback) de 9 a 18 meses em lojas e de 18 a 30 meses em automação de armazéns. Ele também cita erros de embalagem de 2% a 10% nas mais de 5 bilhões de caixas de vestuário enviadas por ano, o que gera distorções de US$ 1 bilhão a US$ 5 bilhões anuais no estoque.
RFID e inteligência artificial no varejo
A programação da NRF 2026, em janeiro, incluiu uma palestra sobre como o RFID forma a base para análises com inteligência artificial em cadeias de suprimentos e experiências em loja, segundo o Mercado&Consumo.
Horta diz que RFID e IA se complementam, porque a IA depende da qualidade dos dados. A Beontag tem projetos fora do Brasil com software que alimenta agentes de IA com informações lidas por radiofrequência, segundo o executivo. Frew questiona como um modelo de IA para estoque pode gerar resultado com uma base de apenas 70% de acuracidade.
Quais os desafios para implantar RFID no varejo
Franciscato descreve a adoção no Brasil como seletiva e ainda não massificada. O custo das etiquetas e dos leitores caiu, segundo ele, mas o investimento precisa ser justificado pelo valor do item, pelo volume de SKUs e pelo índice de perdas.
Horta recomenda implantação gradual, com início em poucos produtos ou em uma parte da operação. Ele afirma que o processo depende da organização dos processos internos e de investimento em infraestrutura, e que existe uma barreira cultural na América Latina, que só será superada com informação e suporte.
Frew aponta riscos técnicos. Mesmo fornecedores de ponta têm erros de codificação de etiquetas de até 1%, e alguns grupos chegam a 20% em lotes. A escolha do tipo de etiqueta para cada uso pode definir o sucesso do projeto, e as falhas são mais comuns quando integradores de código de barras tratam o RFID como venda de hardware. Segundo ele, a adoção está abaixo de 10% das cerca de 500 mil lojas de vestuário do mundo.
Onde mais o RFID é usado além do vestuário
A RAIN Alliance informa que programas já estabelecidos ampliam o escopo do varejo e da logística para saúde e indústria. Frew afirma que o setor farmacêutico, os supermercados e o fast food ainda ficam atrás do varejo de vestuário na adoção.

FAQ
O que é RFID?
RFID é a sigla em inglês para identificação por radiofrequência, tecnologia em que uma etiqueta com chip e antena é ativada pelo sinal de um leitor e devolve a informação gravada nela. Segundo Thiago Horta, da Beontag, a leitura dispensa contato visual, diferença em relação ao código de barras. No varejo, o uso mais citado é a contagem de estoque, feita ao apontar o coletor para as áreas da loja.
Como funciona o RFID?
O RFID funciona com etiquetas, leitores e software. A impressora grava o identificador na etiqueta, o leitor emite um sinal de radiofrequência que a ativa, e ela devolve a informação, conforme descreve Thiago Horta, da Beontag. O software então atualiza o estoque. Dean Frew, do RFID Journal, observa que sistemas como ERP e WMS geralmente dependem de software próprio para RFID, pois não têm modelo de dados nativo para a tecnologia.
Qual a diferença entre RFID e código de barras?
A diferença entre RFID e código de barras está na forma de leitura. O código de barras exige contato visual e um feixe infravermelho sobre cada item, segundo Thiago Horta, da Beontag, enquanto o RFID lê a etiqueta por radiofrequência. Dean Frew, do RFID Journal, descreve o RFID de nível de item como um avanço sobre sistemas baseados em SKU e código de barras, porque identifica cada peça.
Para que serve o RFID no varejo?
O RFID no varejo serve sobretudo para controle de estoque. Thiago Horta, da Beontag, afirma que o inventário de uma loja inteira passa a ser feito apontando o coletor para as áreas, sem contagem manual item por item. Dean Frew, do RFID Journal, cita ainda o uso na auditoria de envios e em categorias como vestuário, calçados, eletrônicos e cosméticos.
Quanto custa implantar RFID no varejo?
O custo de implantar RFID no varejo varia conforme o projeto, e as fontes consultadas não apontam um preço fechado. Natalino Franciscato, da Gouvêa Consulting, afirma que o preço das etiquetas e dos leitores caiu, mas que o investimento precisa ser justificado pelo valor do item, pelo volume de SKUs e pelo índice de perdas. Thiago Horta, da Beontag, recomenda começar por poucos produtos ou por uma parte da operação.
Em quanto tempo o investimento em RFID se paga?
O investimento em RFID se paga em 9 a 18 meses em lojas e em 18 a 30 meses em automação de armazéns, segundo períodos de retorno relatados por Dean Frew, do RFID Journal, em novembro de 2025. A justificativa do investimento depende do valor do item, do volume de SKUs e do índice de perdas, de acordo com Natalino Franciscato, da Gouvêa Consulting.
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Imagens: Magnific
