Moda
Beleza premium no Brasil cresce 10% no primeiro trimestre de 2026
Mercado de produtos de beleza premium cresce 10% no Brasil e mostra potência das marcas de luxo.
O mercado de beleza premium no Brasil registrou crescimento de 10% no primeiro trimestre de 2026, desempenho superior à média global do setor. Os dados são da Circana, consultoria especializada em tecnologia, inteligência artificial e inteligência de mercado, e indicam que o país segue entre os principais mercados de beleza da América Latina, concentrando aproximadamente um terço das vendas regionais.
Entre os fatores que marcaram o início do ano estão a expansão do comércio eletrônico, o avanço das fragrâncias árabes, a consolidação das marcas nativas digitais e o crescimento acelerado da categoria de haircare premium.
O e-commerce foi um dos principais motores do desempenho do setor. Atualmente, quase um terço das vendas das lojas especializadas de beleza no Brasil ocorre por canais digitais. No primeiro trimestre, as vendas online cresceram 21%, impulsionadas principalmente pelos marketplaces, que ampliaram o acesso dos consumidores a marcas nacionais e internacionais.
Beleza Premium segue ascendendo no Brasil
Segundo Ana Seccato, especialista no mercado de beleza, o ambiente digital vem assumindo papel central na jornada de compra dos consumidores. “O Brasil possui uma penetração digital significativa em beleza na América Latina, e esse avanço não é casual. Os marketplaces se tornaram mais democráticos, permitindo que marcas de nicho e de influenciadoras cheguem a consumidores de todas as regiões, inclusive em mercados emergentes como o Centro-Oeste e o Norte, que registraram os maiores crescimentos em maquiagem neste trimestre. “O digital deixou de ser complemento e virou o principal vetor de descoberta e conversão no setor”, afirma Ana Seccato.
As fragrâncias seguem como a principal categoria da beleza premium no país, respondendo por pouco menos da metade das vendas nas lojas especializadas. O segmento apresentou crescimento de 9% no trimestre. O desempenho foi puxado principalmente pelas fragrâncias femininas, que avançaram 12%, enquanto os produtos masculinos cresceram 3% e registraram queda em volume de unidades vendidas.
Destaques que fizeram a diferença
Dois movimentos ajudaram a sustentar a expansão da categoria. O primeiro foi o crescimento contínuo do segmento de nicho e alto luxo. Mesmo em um cenário de maior atenção ao custo-benefício, fragrâncias com ticket médio próximo de R$ 1.400 continuaram ganhando espaço, impulsionadas pela ampliação da oferta de produtos exclusivos.
O segundo destaque foi a expansão das fragrâncias árabes. De acordo com a Circana, o número de marcas disponíveis no Brasil aumentou 89% entre o primeiro trimestre de 2025 e o mesmo período de 2026. A presença nas redes sociais e os preços mais acessíveis em comparação a outras marcas internacionais contribuíram para a ampliação da participação desse segmento no mercado.
Na maquiagem, o crescimento foi de 8% no trimestre. A categoria representa cerca de um terço das vendas da beleza premium e tem sido impulsionada pelas marcas nativas digitais. Atualmente, marcas criadas por celebridades e influenciadoras já respondem por 25% das vendas totais da categoria. Os rótulos brasileiros lideraram esse segmento no início de 2026, apoiados pelo engajamento de suas criadoras e pela frequência de lançamentos.

Regiões de mais sucesso do mercado de beleza premium
Embora São Paulo concentre 37% das vendas físicas nacionais, os maiores avanços em maquiagem foram observados nas regiões Centro-Oeste e Norte. Entre os produtos, os kits para lábios lideram o mercado de sets, representando 60% das vendas desse formato. A procura acompanha a popularização da tendência conhecida como lip combo, que combina gloss ou balm com lápis labial.
O segmento de skincare apresentou crescimento mais moderado, de 2%, e representa cerca de 10% do mercado de beleza premium. Apesar da desaceleração em relação aos anos anteriores, algumas tendências continuam em evidência. Marcas com preços de até R$ 70, incluindo empresas nativas digitais e marcas coreanas, ampliaram sua participação. Além disso, conceitos ligados à K-beauty seguem influenciando lançamentos, especialmente aqueles voltados para proteção da barreira cutânea e prevenção.
O skincare também possui a maior participação digital entre todas as categorias do setor. Atualmente, 37% das vendas ocorrem por e-commerce, canal que avançou 14% no período analisado. Em contrapartida, o varejo físico registrou retração tanto em faturamento quanto em volume de unidades comercializadas.
O principal destaque do trimestre foi o haircare premium. A categoria cresceu 30% e passou a representar 12% das vendas totais do mercado de beleza de prestígio. O avanço foi impulsionado pela procura por produtos complementares, como máscaras, tônicos, óleos e esfoliantes capilares, além de itens básicos, como condicionadores. A expansão também alcançou acessórios, incluindo escovas e secadores.
Para Ana Seccato, o resultado reflete mudanças no comportamento de consumo. “O crescimento de 30% em haircare é um dos sinais mais claros de que o consumidor brasileiro está mais aberto à experimentação e disposto a investir em cuidados capilares. A beleza capilar sempre foi parte da cultura do país, mas o segmento premium ainda tinha uma presença relativamente pequena. O que vemos agora é uma sofisticação da cesta de compras, com consumidores buscando rotinas mais completas e produtos de maior performance”, conclui.
