Comportamento

Mercado global de luxo deve chegar a € 640 bilhões até 2035 com crescimento mais seletivo e orientado para bem-estar

Relatório da WGSN aponta que qualidade supera nome de marca na decisão de compra e que 83,4% das vendas online de luxo serão feitas em plataformas nacionais até 2027

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O mercado global de bens de luxo pessoais deve atingir entre € 525 bilhões e € 640 bilhões até 2035, com crescimento anual composto entre 4% e 6%, segundo o relatório “Opiniões do Consumidor Global 2027: Luxo”, da WGSN. A próxima fase de expansão do setor, no entanto, será mais deliberada e seletiva, impulsionada pela transferência de riqueza dos Baby Boomers para as gerações seguintes e pela mudança no perfil do consumidor abastado.

Um dos dados mais relevantes do levantamento é que a qualidade já supera o nome da marca como fator de decisão de compra tanto na moda quanto na beleza, de acordo com a Statista Consumer Insights do quarto trimestre de 2025. O prestígio, portanto, precisa ser sustentado por elementos tangíveis — materiais, serviços, durabilidade e valor de longo prazo — em vez de apenas pela força do logo.

O segmento de luxo acessível é apontado como o mais dinâmico do mercado. Segundo a consultoria Bain, cerca de 50% das marcas de luxo acessível devem registrar crescimento de receita em 2025, contra 35% das marcas de luxo absoluto e 25% das aspiracionais. Ao mesmo tempo, cerca de 35% dos consumidores aspiracionais reduziram ou pausaram os gastos com luxo pessoal no ano anterior a junho de 2025, redirecionando o orçamento para poupança, bem-estar, longevidade e produtos de luxo de segunda mão, segundo a BCG.

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E-commerce e lojas físicas

O comércio eletrônico ganha relevância no luxo, mas com características distintas do varejo de massa. Até 2027, estima-se que 83,4% das compras de luxo online sejam realizadas em plataformas nacionais, ante 79,6% em 2025, refletindo o movimento das marcas de adaptar suas operações digitais aos mercados locais. Ainda assim, a loja física deve seguir como canal dominante, respondendo por 84,8% do total das vendas de luxo, segundo a Statista.

O relatório destaca que consumidores de luxo valorizam a avaliação presencial dos produtos: 37% afirmam querer ver e tocar um item antes de comprar, ante 35% do mercado em geral. Marcas classificam a atualização das experiências na loja e os programas de fidelidade como principal prioridade de crescimento para 2026, à frente de fusões e aquisições e inovação em pesquisa e desenvolvimento, segundo a Deloitte.

Bem-estar como novo luxo

O relatório aponta uma redefinição do que os consumidores abastados consideram luxo. Bem-estar, longevidade, hospitalidade, alimentação, viagens e serviços personalizados passam a dividir espaço com os bens tradicionais do setor. Dados da Forbes indicam que 90% dos viajantes de alta renda buscam experiências com propósito e foco em saúde, e 84% esperam serviços de bem-estar sob medida. Segundo a Hilton, 60% priorizam hospedagem em hotéis com bons restaurantes.

Beleza e óculos de prestígio são apontados como categorias de destaque, com projeção de ultrapassar 1,5 bilhão de usuários até 2029, segundo a Statista. As fragrâncias de nicho também impulsionam a demanda como ponto de entrada para o universo do luxo.

Casos práticos

Entre os exemplos citados no relatório está a Ferrari, que abriu uma flagship em Londres focada em moda e lifestyle, permitindo ao público se aproximar da marca sem a compra de um veículo. A Zara Home expandiu sua atuação para o segmento de fitness doméstico com a Gym Collection 2, reunindo pesos, tapetes de ioga e ferramentas de recuperação com estética sofisticada a preços mais acessíveis. O Dover Street Parfums Market criou uma pop-up em parceria com a marca Monastery, unindo cuidados com a pele, fragrâncias e tratamentos em um único espaço de varejo sensorial.

Imagens: Death to Stock (Franco Dupuy e Debora Spanhol)

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