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Menu digital: adoção, lei e o que muda no foodservice
Uma pesquisa da Abrasel mostra que 38% dos bares e restaurantes já usam menu digital por QR Code, mas 11% abandonaram a tecnologia após a pandemia
Menu digital é a versão eletrônica do cardápio, acessada por QR Code, link ou tablet, sem depender de impressão em papel. No Brasil, a tecnologia avançou a partir da pandemia e hoje divide espaço com o modelo impresso.
Segundo pesquisa da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel), realizada no segundo semestre de 2022, 38% dos estabelecimentos já haviam implementado o menu digital por QR Code. Outros 25% planejavam adotar a tecnologia.
O mesmo levantamento identificou que 11% dos estabelecimentos chegaram a adotar o cardápio digital e depois abandonaram o formato, após o fim das restrições sanitárias da pandemia.
O que é menu digital e como ele funciona
O menu digital substitui o papel por uma versão acessada pelo celular do cliente, geralmente via QR Code fixado na mesa. Também pode rodar em tablets fornecidos pelo próprio estabelecimento.
A atualização de preços e itens acontece em tempo real, sem custo de reimpressão. Um prato esgotado pode ser removido do cardápio em segundos, e uma promoção pode entrar no ar sem qualquer intervenção física na loja.
Em operações maiores, o menu digital também vira canal de mídia. A Goomer lançou uma plataforma de publicidade digital em 50 mil telas de restaurantes espalhadas por 570 cidades brasileiras, com anúncios exibidos dentro da própria interface do cardápio, segundo reportagem da Central do Varejo.
Por que restaurantes ainda resistem ao cardápio digital
Entre os estabelecimentos que não adotaram o menu digital, o motivo mais citado é a exigência dos próprios clientes pelo cardápio físico, apontada por 40% dos entrevistados na pesquisa da Abrasel.
Outros 25% disseram que o atendimento feito pelo garçom gera mais vendas do que o autoatendimento via QR Code. Já 21% relataram dificuldade dos clientes em fazer pedidos usando o cardápio digital.
A Abrasel também usou os dados para se posicionar publicamente contra a obrigatoriedade legal do cardápio físico, defendendo que a escolha do formato deveria ser uma questão de mercado, não de lei.
O que a lei já exige sobre menu digital e cardápio físico
O tema virou pauta legislativa em vários estados. Em dezembro de 2025, a Assembleia Legislativa de São Paulo aprovou um projeto de lei que obrigava bares, restaurantes, lanchonetes, hotéis e casas noturnas a oferecer cardápio físico, mesmo quando o estabelecimento já usasse menu digital.
Em janeiro de 2026, o governador Tarcísio de Freitas vetou o projeto integralmente. Segundo o texto do veto, a legislação já em vigor garante o direito à informação do consumidor, e a obrigatoriedade adicional feriria o princípio da livre iniciativa.
O veto, porém, não encerrou o tema em todo o estado. O município de Taubaté aprovou lei própria, a Lei 6.114, que proíbe o uso exclusivo de QR Code e exige cardápio físico disponível na entrada do estabelecimento, sob multa de R$ 1.347,10 em caso de descumprimento.
Em nível federal, tramita na Câmara dos Deputados o Projeto de Lei 1.245/2023, que recebeu parecer favorável à constitucionalidade. O texto permite o menu digital, mas exige que o cliente também possa consultar uma versão impressa, sem cadastro prévio obrigatório.

Riscos e limites do menu digital
A concentração da fiscalização sobre esse tema em nível municipal, e não estadual ou federal, cria um cenário fragmentado. Uma rede com unidades em diferentes cidades pode estar em conformidade em uma unidade e em risco de multa em outra.
Para o varejo de foodservice, o ponto prático é mapear a legislação municipal de cada praça de operação antes de eliminar o cardápio impresso.
Do lado da experiência do cliente, a dependência de conexão à internet e de bateria do celular segue como limitação estrutural do menu digital, especialmente entre consumidores mais velhos ou em locais com sinal instável.
A pesquisa da Abrasel já havia identificado esse ponto em 2022. Entre os motivos para não adotar o cardápio digital, 21% dos estabelecimentos citaram a dificuldade dos próprios clientes para concluir o pedido pelo QR Code, um problema técnico que antecede qualquer debate legislativo sobre o tema.
Perguntas frequentes sobre menu digital
O que é menu digital?
É a versão eletrônica do cardápio de um restaurante, bar ou lanchonete, acessada pelo cliente via QR Code, link ou tablet, sem depender de impressão em papel. Permite atualizar preços, remover itens esgotados e incluir fotos dos pratos em tempo real, sem o custo de reimpressão que o cardápio físico exige a cada mudança.
Quantos estabelecimentos no Brasil já usam menu digital?
Segundo pesquisa da Abrasel realizada no segundo semestre de 2022, 38% dos bares e restaurantes já haviam implementado o menu digital por QR Code, e outros 25% planejavam adotar a tecnologia. O mesmo levantamento apontou que 11% dos estabelecimentos abandonaram o formato depois do fim das restrições sanitárias da pandemia.
É obrigatório oferecer cardápio físico além do menu digital?
Depende do município. Em São Paulo, o governador Tarcísio de Freitas vetou, em janeiro de 2026, o projeto de lei estadual que exigia cardápio físico em todo o estado. Mas o município de Taubaté aprovou lei própria que proíbe o uso exclusivo de QR Code, com multa de R$ 1.347,10 para quem descumprir. Cada rede precisa checar a legislação municipal de cada cidade onde opera.
Por que alguns restaurantes abandonaram o menu digital?
Segundo a pesquisa da Abrasel, o principal motivo citado pelos estabelecimentos que não adotam ou abandonaram o menu digital é a exigência dos próprios clientes pelo cardápio físico, apontada por 40% dos entrevistados. Outros 25% relataram que o atendimento pelo garçom gera mais vendas, e 21% citaram dificuldade dos clientes para fazer pedidos pelo QR Code.
Menu digital pode ser usado como canal de publicidade?
Sim. A Goomer lançou uma plataforma de publicidade digital que opera dentro de telas de cardápio já instaladas em restaurantes, com anúncios exibidos em pontos como a tela de início do tablet e páginas específicas dentro do menu. A plataforma alcança 50 mil telas em 570 cidades brasileiras, segundo reportagem da Central do Varejo sobre o lançamento do produto.
Qual a multa para quem não oferecer cardápio físico onde a lei exige?
O valor varia por município, já que não existe lei estadual ou federal em vigor sobre o tema até o momento. Em Taubaté, a Lei 6.114 prevê multa de R$ 1.347,10 para o primeiro descumprimento, valor que pode dobrar em caso de reincidência. Redes com unidades em várias cidades precisam verificar a legislação local de cada praça, já que o cenário legal do menu digital segue fragmentado no Brasil.
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