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Testes de escala alternativa à 6×1 no foodservice levaram de três a seis meses, diz presidente do IFB
Em entrevista exclusiva, presidente do IFB diz que testes de escalas alternativas em poucas unidades levaram de três a seis meses, com custo igual ou abaixo do projetado
O presidente do Instituto Foodservice Brasil (IFB), Alessandro Rios, afirmou em entrevista à Central do Varejo que 60 dias não bastam para as empresas de foodservice (alimentação fora do lar) cumprirem a primeira etapa do fim da escala 6×1, prevista na emenda constitucional promulgada na sexta-feira (16).
Segundo Rios, empresas que testaram escalas alternativas em poucas unidades levaram, na maioria dos casos, de três a seis meses, com custo igual ou abaixo do projetado. “Se adaptar poucas unidades já leva esse tempo, adaptar toda a operação em 60 dias é outra conta”, disse.
Prazo de 60 dias
A primeira etapa começa 60 dias após a publicação da emenda, quando a jornada máxima cai de 44 para 42 horas semanais e o trabalhador passa a ter dois dias de descanso por semana. A jornada de 40 horas vem 12 meses depois.
“O setor pedia mais tempo do que o texto aprovado”, afirmou Rios.
No foodservice, a Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel) calcula alta de cerca de 20% nos custos dos restaurantes.
Quadro e folha do foodservice com o fim da escala 6×1
“Para quem opera sete dias por semana, a escala 6×1 é a espinha dorsal do funcionamento”, disse Rios. Entre os operadores de estabelecimentos, 91% do quadro está nessa escala, segundo o levantamento do IFB.
Para manter o mesmo horário de atendimento, a redução de 44 para 42 horas semanais exige cerca de 5% mais pessoas, e a jornada de 40 horas, cerca de 10%, calculou Rios. As empresas ouvidas estimam alta de cerca de 11% na folha, ponderada pelo número de pessoas em 6×1, com mediana entre 5% e 10%, segundo ele.
A mudança também alcança quem já trabalha de segunda a sexta. Para parte da indústria e dos fabricantes de equipamentos, com 44 horas e compensação do sábado, a redução para 40 horas representa quatro horas a menos por semana por funcionário, cerca de 9% da jornada atual, segundo o IFB.
O que mostra o levantamento do IFB sobre o fim da escala 6×1
No levantamento, 9% das empresas já definiram como vão se adaptar, e 64% pretendem decidir depois da definição legal ou ao longo de 2027. Mais de dois terços veem urgência alta ou crítica por clareza regulatória.
O IFB reúne 132 associadas, que empregam mais de 440 mil pessoas. A pesquisa começou em 22 de setembro, e a coleta seguiu depois da votação no Senado, em 14 de outubro, e da promulgação.
“As empresas responderam enquanto o texto ainda era uma expectativa e continuaram respondendo quando virou regra”, disse Rios. Segundo ele, o levantamento ouviu parte das associadas, em perfil de médias e grandes empresas, e um terço das participantes fatura acima de R$ 1 bilhão. Ele não informou o número de respondentes.
Mais de três quartos das empresas já têm dificuldade de recrutar, antes de qualquer mudança legal, segundo Rios. Para ele, o efeito sobre o emprego tem duas faces: “a nova escala pode segurar quem já está, mas exige contratar num mercado já apertado”.
Entre as medidas de adaptação, o aumento do quadro é a mais citada, por quase metade das empresas, segundo Rios. Automação, renegociação por convenção coletiva e redução do horário de funcionamento aparecem em seguida.
Mais de um terço das empresas diz que mais de 75% de suas unidades não podem reduzir um dia de funcionamento sem perda relevante de receita, segundo o IFB.
Margem e preços no foodservice após o fim da escala 6×1
“O IFB não tem uma estimativa de repasse ao preço final, e seria precipitado ter”, disse Rios. Segundo ele, a pressão deve aparecer primeiro na margem, e a perda de um a três pontos percentuais é a faixa mais citada pelas empresas.
Cerca de uma em cada seis empresas já negocia com clientes e fornecedores. “Quando a conta chegar, o peso tende a recair sobre quem produz e serve”, afirmou o presidente do IFB.
O que o IFB pede para o foodservice
“O IFB não combate a medida”, disse Rios. Ele defende uma mesa técnica com o Executivo e o Congresso, além de regras diferenciadas de compensação e jornada para operações contínuas, por segmento e por porte.
Segundo Rios, a diferenciação depende agora da regulamentação e das negociações coletivas, conduzidas pelos sindicatos. O instituto orienta as associadas sobre transição, banco de horas, compensação, horas extras e jornadas em operações ininterruptas.
Entre os pontos sem definição, Rios lista o cronograma efetivo e o risco de judicialização; as jornadas e folgas em operações de sete dias; banco de horas, compensação e convenções regionais; e salário-hora, horas extras e exceções setoriais.
“O foodservice quer que os 2 dias de folga nasçam para durar”, afirmou.
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Imagem: Divulgação
