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Via Varejo: história e recuperação judicial da Casas Bahia

Antiga Via Varejo, o Grupo Casas Bahia declarou R$ 17,3 bilhões em dívidas e aguarda a Justiça decidir se processa o pedido protocolado em 16 de agosto

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O Grupo Casas Bahia, anteriormente conhecido como Via Varejo, é uma das maiores empresas do varejo brasileiro, com décadas de tradição na venda de eletrodomésticos, móveis e eletrônicos. A trajetória dessa gigante reflete tanto os desafios como as transformações do varejo nacional nas últimas décadas.

História da Casas Bahia antes da Via Varejo

A história da Casas Bahia começa em 1952, quando Samuel Klein, um imigrante polonês, abriu uma pequena loja na cidade de São Caetano do Sul, São Paulo. O nome “Casas Bahia” foi uma homenagem aos seus principais clientes da época: migrantes nordestinos, especialmente baianos, que buscavam oportunidades no sudeste do país.

O grande diferencial da empresa foi o foco no crediário popular. Em um período no qual o acesso ao crédito era extremamente limitado para as classes mais baixas, a Casas Bahia democratizou o consumo ao oferecer condições facilitadas de pagamento, o que rapidamente impulsionou seu crescimento.

Ao longo das décadas de 1970, 1980 e 1990, a rede expandiu-se de forma agressiva, principalmente em São Paulo e outros estados do sudeste, tornando-se referência nacional no setor de varejo de móveis e eletrodomésticos.

Como a Via Varejo foi criada

Entre 2009 e 2010, a empresa passou por um dos movimentos mais importantes da sua história: a fusão com o Grupo Ponto Frio, então controlado pelo Grupo Pão de Açúcar (GPA). Dessa união nasceu a Via Varejo, uma holding que reunia as operações das duas marcas.

O objetivo era claro: enfrentar a crescente competição, sobretudo no segmento de comércio eletrônico, e ampliar sua liderança no mercado físico. A integração, no entanto, não foi simples. A dificuldade de unificar sistemas, culturas e operações foi um desafio constante na década seguinte.

Por que a Via Varejo entrou em crise financeira

Em 2019, a família Klein, fundadora da Casas Bahia, recomprou o controle da Via Varejo. O movimento foi visto como uma tentativa de retomar os valores e a agilidade que fizeram a empresa crescer nas décadas anteriores.

Apesar do tamanho e da força das marcas Casas Bahia e Ponto Frio, a Via Varejo começou a enfrentar sérios problemas operacionais. A falta de investimentos significativos nesse período causou atraso na digitalização, perda de eficiência logística e dificuldade de acompanhar concorrentes que apostavam forte no e-commerce, como Magazine Luiza e Americanas.

Impacto da pandemia e aprofundamento da crise

Com a chegada da pandemia da Covid-19 em 2020, a situação se agravou. O fechamento temporário de lojas físicas, combinado com uma estrutura digital ainda em processo de transformação, resultou em perdas financeiras expressivas.

O cenário macroeconômico, com alta da inflação, queda no poder de compra das classes C e D, e aumento das taxas de juros, afetou diretamente a clientela tradicional da empresa, que é mais sensível a variações econômicas.

Em 2023, o Grupo Casas Bahia viu suas ações despencarem mais de 70%, reflexo da dificuldade em gerar caixa, reduzir endividamento e enfrentar a concorrência de marketplaces digitais.

As mudanças de nome

Diante desse cenário crítico, o Grupo Casas Bahia precisou repensar completamente sua estratégia de negócios. Em 2021, a empresa deixou oficialmente o nome Via Varejo para se chamar apenas Via, buscando reforçar sua imagem como uma plataforma de soluções digitais, não restrita ao varejo tradicional. 

Em setembro de 2023, a empresa decidiu reposicionar novamente suas operações, passando a se chamar Grupo Casas Bahia desde então.

Transformação digital

A transformação digital foi colocada no centro da estratégia de reposicionamento da empresa. Entre as principais ações estão o fortalecimento do e-commerce, o desenvolvimento de uma plataforma de marketplace, a criação de soluções financeiras, como o BanQi, e o lançamento do programa “Me Chama no Zap“, que conecta vendedores físicos aos clientes via WhatsApp.

Modernização das lojas físicas

Além disso, o Grupo Casas Bahia passou por um forte processo de modernização, com espaços mais interativos, ambientes tecnológicos e foco na experiência do cliente. O objetivo é tornar a loja física um complemento ao digital, e não um canal isolado.

Nova estratégia comercial

Nos últimos anos, a companhia também buscou diversificar seu público-alvo, oferecendo produtos e serviços que atendem não apenas às classes C e D, mas também aos consumidores das classes B e A, especialmente no segmento de eletrônicos, smartphones e linha branca.

Ajustes financeiros

Para enfrentar seu elevado endividamento, o grupo iniciou processos de renegociação de dívidas, venda de ativos não estratégicos, corte de custos operacionais e redução do número de centros de distribuição, buscando maior eficiência logística.

Recuperação extrajudicial de 2024 na Casas Bahia

Em 28 de abril de 2024, o Grupo Casas Bahia pediu recuperação extrajudicial para renegociar R$ 4,1 bilhões em dívidas financeiras, segundo fato relevante enviado à CVM. Bradesco e Banco do Brasil, que detinham 54,5% dos créditos, apoiavam o plano, de acordo com o Mercado&Consumo.

A Justiça de São Paulo homologou o plano em 19 de junho de 2024. O cronograma previa carência de 24 meses para os juros, 30 meses para o principal e prazo total de amortização de 78 meses, com remuneração de CDI mais 1% a 1,5%, segundo a companhia.

Com o reperfilamento, a companhia projetou reduzir o desembolso de caixa até 2027 de R$ 4,8 bilhões para R$ 500 milhões. A recuperação extrajudicial alcançou apenas a dívida financeira com bancos e debenturistas, e não incluiu fornecedores, empregados nem tributos, conforme reportagem da Central do Varejo.

Recuperação judicial da Casas Bahia em 2026

O pedido de 16 de agosto veio no mesmo fim de semana em que a companhia divulgou o balanço do segundo trimestre. O resultado registrou prejuízo líquido de R$ 10,1 bilhões, segundo a empresa.

Desse total, R$ 9,1 bilhões vieram de efeitos contábeis não recorrentes ligados à segunda fase do Plano de Transformação, sem impacto no caixa do trimestre. O prejuízo líquido ajustado foi de R$ 978 milhões.

O patrimônio líquido ficou negativo em R$ 8,27 bilhões em 30 de junho, segundo o balanço. Em fato relevante enviado à CVM, a companhia atribuiu o pedido a juros elevados, restrição de crédito, aumento do custo financeiro e à não concretização de alternativas de liquidez que vinha estruturando.

Antes do pedido, a rede fechou 298 lojas em agosto, como parte da segunda fase do plano, segundo a companhia. A Casas Bahia tinha 1.034 lojas em junho, de acordo com levantamento do Broadcast, do Estadão, feito com base nos balanços das empresas.

Em 19 de outubro, acionistas ratificaram o pedido em assembleia geral extraordinária. A companhia informou que não há garantia de deferimento nos termos solicitados.

Situação atual do Grupo Casas Bahia

A companhia afirma que mantém lojas físicas, comércio eletrônico e demais canais de venda em funcionamento durante o processo. Renato Franklin, CEO do Grupo Casas Bahia, afirmou que a estratégia daqui em diante é operar uma companhia menor e mais seletiva, concentrada em atividades que geram retorno e caixa, segundo o Estadão Conteúdo.

O varejo registra 0,16 recuperação judicial para cada mil empresas ativas, abaixo da média nacional de 0,30, segundo o relatório Monitor RGF-BIZDOC.

Perguntas frequentes sobre a Via Varejo

O que aconteceu com a Via Varejo?

A Via Varejo mudou de nome e hoje se chama Grupo Casas Bahia. A holding, criada em 2010 com a união de Casas Bahia e Ponto Frio, adotou o nome Via em 2021 e a denominação atual em setembro de 2023. Em 16 de agosto de 2026, a companhia protocolou pedido de recuperação judicial com passivo declarado de R$ 17,3 bilhões, segundo a petição apresentada à Justiça de São Paulo.

Via Varejo e Casas Bahia são a mesma empresa?

Via Varejo e Casas Bahia designam a mesma companhia em momentos diferentes. Via Varejo foi o nome da holding criada em 2010, dona das redes Casas Bahia e Ponto Frio. Em setembro de 2023, a empresa passou a se chamar Grupo Casas Bahia, e suas ações são negociadas na B3 com o código BHIA3. A Casas Bahia segue como bandeira do grupo, ao lado da Ponto Frio.

Quando a Via Varejo mudou de nome para Grupo Casas Bahia?

A Via Varejo mudou de nome para Grupo Casas Bahia em setembro de 2023. Antes disso, em 2021, a empresa havia trocado o nome Via Varejo por Via. A mudança de 2023 devolveu a marca Casas Bahia à denominação da holding, que reúne as redes Casas Bahia e Ponto Frio, a fabricante de móveis Bartira e o comércio eletrônico do grupo.

A Casas Bahia faliu?

A Casas Bahia não faliu. Em 16 de agosto de 2026, o Grupo Casas Bahia pediu recuperação judicial, instrumento previsto em lei para empresas tentarem reorganizar dívidas sem encerrar as atividades. Até 19 de outubro, o juízo ainda não havia decidido sobre o processamento do pedido, informou a companhia. Segundo a empresa, lojas físicas, e-commerce e demais canais seguem em funcionamento durante o processo.

Qual a diferença entre a recuperação extrajudicial e a recuperação judicial da Casas Bahia?

Na recuperação extrajudicial de 2024, a Casas Bahia renegociou R$ 4,1 bilhões em dívidas financeiras com um grupo de credores, e a Justiça homologou o plano em 19 de junho de 2024. Na recuperação judicial de 2026, o pedido abrange R$ 17,3 bilhões e dez empresas do grupo, segundo a petição. A Lei 11.101 prevê que, após o deferimento, a empresa tem 60 dias para apresentar o plano aos credores.

Quantas lojas a Casas Bahia fechou em 2026?

A Casas Bahia fechou 298 lojas em agosto de 2026, como parte da segunda fase do Plano de Transformação, segundo a companhia. A rede tinha 1.034 lojas em junho, de acordo com levantamento do Broadcast, do Estadão, feito com base nos balanços das empresas. O fechamento antecedeu o pedido de recuperação judicial, protocolado em 16 de agosto.

As lojas da Casas Bahia continuam funcionando durante a recuperação judicial?

As lojas da Casas Bahia continuam funcionando durante a recuperação judicial, segundo o Grupo Casas Bahia. A companhia afirmou em fato relevante que lojas físicas, comércio eletrônico e demais canais de venda operam sem interrupções relevantes. Segundo o portal Acionista.com.br, a recuperação judicial não suspende a garantia de produto nem a obrigação de entrega ao consumidor.

Leia também:

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  3. Americanas deixa a recuperação judicial 1.369 dias depois do pedido

Imagem: Divulgação/Casas Bahia

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