Comportamento
Com orçamento apertado, brasileiros mudam hábitos de consumo e impulsionam clubes de compra por assinatura
O endividamento elevado e a inflação acumulada nos últimos anos estão mudando a forma como os brasileiros consomem. Dados da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), mostram que 79,5% das famílias brasileiras estavam endividadas em janeiro de 2026, incluindo dívidas de cartão de crédito, carnês, empréstimos pessoais, cheque especial e financiamentos. Nesse contexto, pesquisas recentes indicam mudanças no comportamento de compra.
O estudo Consumer Outlook: Guide to 2026, da NIQ (NielsenIQ), aponta que 44% dos consumidores brasileiros adotam hábitos mais cautelosos ao realizar compras para casa. Já a pesquisa sobre Experiência do Cliente PwC 2025 revela que 52% dos consumidores deixaram de comprar de uma marca após uma experiência negativa com seus produtos ou serviços.
Diante desse cenário, modelos de clubes de compra por assinatura têm ganhado espaço por oferecer previsibilidade de preços. O Clube Vestcasa, que reúne cerca de 1,5 milhão de sócios, opera com assinatura anual a partir de R$ 70 e oferece descontos de até 70% em relação ao varejo tradicional em categorias como itens para casa, limpeza, cama, mesa e banho, além de vinhos e queijos.
“O brasileiro não deixou de consumir, ele passou a comprar melhor. Hoje, cada compra precisa ter propósito, precisa valer a pena. Quando o orçamento aperta, o consumidor procura previsibilidade. Ele quer saber que está pagando um preço justo hoje e que não vai se arrepender amanhã”, afirma Ahmad Yassin, CEO da Vestcasa.
A empresa também registra um uso secundário do modelo: parte dos sócios adquire produtos em condições vantajosas e os revende em marketplaces ou no comércio local. “Muita gente encontrou no Clube uma forma de fazer o dinheiro render mais, seja economizando dentro de casa, seja gerando renda extra. Isso é reflexo direto do momento econômico: as pessoas estão buscando soluções reais, não promessas”, avalia Ahmad.
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