Economia
Mercado eleva projeção de inflação pela 5ª semana seguida e passa a prever estouro da meta em 2026
Boletim Focus aponta IPCA em 4,71% no ano, acima do teto de 4,5% do sistema de metas; guerra no Oriente Médio e alta do petróleo pressionam estimativas
Analistas do mercado financeiro elevaram pela quinta semana consecutiva a estimativa para a inflação brasileira em 2026 e passaram a projetar estouro da meta pela primeira vez desde maio de 2025. Os dados constam do Boletim Focus divulgado nesta segunda-feira (13) pelo Banco Central, com base em pesquisa realizada na semana anterior com mais de 100 instituições financeiras.
A nova projeção para o IPCA é de 4,71% no ano, ante 4,36% registrados na semana anterior, superando o teto do sistema de metas contínuas, estabelecido em 4,5%. O objetivo central é manter a inflação em 3%, com tolerância entre 1,5% e 4,5%.
O movimento é atribuído à alta no preço do petróleo, que opera acima de US$ 100 o barril em função da guerra no Oriente Médio, com potencial de pressionar os preços dos combustíveis no Brasil. O IPCA de março, divulgado na semana passada pelo IBGE, já registrou aceleração, com alta de 0,88% no mês, acima das projeções do mercado financeiro.
Para os anos seguintes, a projeção de 2027 subiu de 3,85% para 3,91%. As estimativas para 2028 e 2029 foram mantidas em 3,60% e 3,50%, respectivamente.
Juros
Mesmo com a revisão das projeções de inflação, o mercado manteve as estimativas de queda da taxa Selic, atualmente em 14,75% ao ano após o primeiro corte em quase dois anos. Para o fim de 2026, a projeção permanece em 12,50% ao ano. Para 2027, em 10,50%, e para 2028, em 10% ao ano.
PIB
A estimativa de crescimento do PIB para 2026 foi mantida em 1,85%, abaixo da expansão de 2,3% registrada em 2025. Para 2027, a projeção segue em 1,8%.
Câmbio
O mercado reduziu sua estimativa para a taxa de câmbio ao fim de 2026, de R$ 5,40 para R$ 5,37 por dólar. Para o fechamento de 2027, a projeção caiu de R$ 5,45 para R$ 5,40.
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