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Plano Brasil Soberano 3 libera R$ 18,5 bilhões para empresas afetadas pelo tarifaço dos EUA

Após o tarifaço dos EUA, o governo liberou uma verba bilionária para ajudar empresas que serão afetadas pela medida de Donald Trump

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Plano Brasil Soberano 3 libera R$ 18,5 bilhões para empresas afetadas pelo tarifaço dos EUA

O governo federal anunciou o lançamento do Plano Brasil Soberano 3, nova etapa do programa de apoio a empresas exportadoras e setores considerados estratégicos para a economia nacional. A iniciativa prevê R$ 18,5 bilhões em linhas de crédito com juros subsidiados para empresas impactadas pelo aumento das tarifas de importação impostas pelos Estados Unidos e por conflitos internacionais.

O anúncio foi feito no mesmo dia em que entrou em vigor a tarifa adicional de 25% aplicada pelo governo norte-americano sobre parte dos produtos brasileiros exportados para aquele mercado. Segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic), a medida deverá atingir aproximadamente 15% da pauta exportadora brasileira destinada aos Estados Unidos, o equivalente a US$ 5,8 bilhões em exportações.

Para viabilizar a nova etapa do programa, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou uma medida provisória (MP) e sancionou o Projeto de Lei de Conversão nº 7, originado da Medida Provisória nº 1.345, de março deste ano. A nova MP autoriza a utilização conjunta de recursos do Tesouro Nacional e do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para financiar as novas linhas de crédito.

Além de manter o apoio aos exportadores de bens industriais e seus fornecedores, a legislação amplia o alcance do programa para incluir setores considerados estratégicos para o comércio exterior brasileiro.

Recursos serão destinados a crédito e investimentos

O Plano Brasil Soberano 3 contará com R$ 18,5 bilhões em recursos, sendo R$ 13,5 bilhões provenientes do Tesouro Nacional e R$ 5 bilhões do BNDES.

As linhas de financiamento poderão ser utilizadas para capital de giro, aquisição de máquinas e equipamentos, investimentos produtivos, inovação tecnológica, adaptação de produtos e processos e abertura de novos mercados internacionais.

As taxas de financiamento variam de acordo com a finalidade do crédito. Conforme o governo, os juros podem chegar a 3% ao ano para projetos relacionados a minerais críticos e a 9,80% ao ano para operações de capital de giro destinadas a grandes empresas.

Programa amplia número de beneficiários

Além das empresas diretamente afetadas pelas tarifas impostas pelos Estados Unidos, o programa passa a atender exportadores prejudicados por conflitos internacionais, especialmente aqueles com operações no Golfo Pérsico.

Entre os segmentos contemplados estão agricultura, pecuária, florestas plantadas, pesca e aquicultura, cooperativas e associações do setor, mineração, fertilizantes, indústria química, farmacêutica, setor têxtil, automotivo, fabricantes de máquinas e equipamentos e empresas de materiais elétricos e eletrônicos.

A legislação também autoriza o uso dos recursos para adequações exigidas pelo comércio internacional, incluindo requisitos sanitários, ambientais, de rastreabilidade e conformidade.

Durante o anúncio, o vice-presidente Geraldo Alckmin afirmou que o programa inclui medidas além das linhas de crédito.

“O Brasil Soberano 3, além de garantir crédito para as empresas envolvidas, traz outro benefício, que é o seguro garantia para pequenas empresas”, declarou.

Segundo o governo, caberá ao BNDES elaborar o plano de aplicação dos recursos, que será submetido à aprovação de um conselho interministerial responsável por definir as prioridades de financiamento de acordo com os impactos enfrentados por cada setor.

Governo aponta setores mais afetados

O ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, informou que os segmentos mais impactados pelas novas tarifas norte-americanas incluem madeira, móveis, produtos cerâmicos, máquinas e equipamentos, calçados e açúcar.

Ele afirmou que a terceira etapa do programa também foi estruturada para atender empresas que possam ser afetadas por futuras medidas protecionistas dos Estados Unidos.

“A linha 3 do Brasil Soberano vai acolher não só quem já estava sofrendo pelos conflitos geopolíticos e pelas tarifas já adotadas, como também para as que vierem, como as esperadas para sexta-feira, de trabalho forçado.”

Governo mantém negociação com os Estados Unidos

Apesar do anúncio do novo pacote de financiamento, o governo informou que continuará buscando uma solução negociada para o impasse comercial com os Estados Unidos.

Segundo integrantes da equipe econômica e diplomática, o Brasil manteve conversas com representantes da Casa Branca até os dias que antecederam a entrada em vigor das novas tarifas, mas não houve avanço nas negociações. O governo brasileiro avalia que a decisão norte-americana teve motivação política e informou que pretende manter o diálogo diplomático.

Na véspera do anúncio, o vice-presidente Geraldo Alckmin voltou a descartar medidas imediatas de retaliação comercial.

“A ideia não é retaliação. Diz que olho por olho pode acontecer de os dois ficarem cegos. A reciprocidade é: nós estamos sendo injustiçados e queremos corrigir isso”, afirmou Alckmin na terça-feira.

Criado em 2025 para apoiar empresas exportadoras diante das barreiras comerciais impostas pelos Estados Unidos, o Plano Brasil Soberano já passou por duas etapas anteriores, que destinaram R$ 30 bilhões em agosto de 2025 e R$ 21 bilhões em março de 2026. Com a terceira fase, o programa soma R$ 69,5 bilhões em recursos voltados ao financiamento de exportadores e setores estratégicos da economia brasileira.

*Com informações de Agência Brasil

Imagem: Magnific

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