Eventos

“Cashier number AI”: o futuro do varejo passa por IA e personalização

Na live exclusiva do LinkedIn, o veículo trouxe novas visões para o futuro do varejo e como utilizar novas estratégias para se moldar na era da IA.

Publicado

on

Cashier number AI WGSN

A inteligência artificial vem ampliando sua presença no setor varejista e já aparece como uma das principais apostas para transformar a experiência de compra nos próximos anos. O tema ganhou destaque com a divulgação do conteúdo “Cashier number IA, please! Welcome to the future of retail”, apresentado pela WGSN London no LinkedIn Live por Carla Buzasi, CEO da empresa, e Laura Saunter, Head de Retail Forecasting.

A live, acompanhada pela Central do Varejo, reuniu análises sobre o avanço da IA no varejo e seus impactos em áreas como atendimento, fidelização, personalização e precificação. A discussão acompanha um movimento já observado em grandes empresas do setor, que vêm investindo em automação, análise de dados e integração entre canais físicos e digitais.

Entre os pontos abordados está a mudança no comportamento do consumidor diante do excesso de promoções e descontos. Laura Saunter afirmou que “os consumidores estão ficando saturados de descontos”. Segundo ela, em um cenário de crise do custo de vida, o conceito de valor vai além do preço mais baixo: “Em uma crise de custo de vida, o valor não é mais apenas sobre o menor preço; é sobre se um produto vale o tempo, o esforço e a atenção do consumidor”, disse.

A análise aponta para um cenário em que consumidores passam a avaliar conveniência, praticidade e relevância antes da decisão de compra. Esse movimento ocorre ao mesmo tempo em que varejistas buscam novas formas de retenção e relacionamento.

Evolução das marcas na era da IA

Durante a discussão, Carla Buzasi destacou que o papel das marcas também está mudando diante da complexidade do consumo atual: “Não se trata mais apenas de vender um produto; trata-se de como você ajuda seu consumidor a navegar em um mundo que está se tornando cada vez mais complexo e caro”, afirmou.

O debate apresentado pela WGSN também explorou como a inteligência artificial pode alterar a forma como consumidores pesquisam produtos. Laura Saunter descreveu a transição da busca tradicional por palavras-chave para um modelo mais contextualizado, chamado por ela de “comércio baseado em metas”.

“Estamos mudando da busca por palavras-chave para o que chamamos de ‘comércio baseado em metas’. Em vez de procurar por ‘vestido preto’, o consumidor dirá à sua IA: ‘Vou a um casamento na Toscana em setembro, visto tamanho 40 e preciso de algo que não amasse na minha mala’”, explicou.

Além da personalização, a discussão também abordou mudanças em programas de fidelidade. Segundo Laura Saunter, o relacionamento entre marcas e clientes tende a deixar de ser exclusivamente baseado em transações financeiras.

“A fidelidade está deixando de ser puramente transacional. Os programas de sucesso estão recompensando o estilo de vida e o engajamento — como uma marca te dar pontos não por comprar tênis, mas por completar uma corrida”, afirmou.

O futuro do varejo com a tecnologia

A utilização de inteligência artificial nesse cenário permite que empresas acompanhem comportamento de consumo, hábitos e interação em diferentes canais. Grandes varejistas já utilizam ferramentas desse tipo em aplicativos, marketplaces e programas de relacionamento.

Outro ponto levantado pela WGSN é a transformação do papel das lojas físicas. Laura Saunter afirmou que o varejo tende a se dividir entre operações focadas em conveniência extrema e espaços voltados para experiência de marca.

“Veremos o fim da ‘loja média’. As marcas precisam decidir se querem ser de ultra-conveniência — velocidade e facilidade — ou se querem ser destinos de experiência. O meio-termo é onde as marcas estão morrendo”, disse.

A análise acompanha tendências observadas em mercados asiáticos e em grandes centros de inovação do varejo, em que empresas investem em lojas autônomas, atendimento digital e integração entre ambiente físico e online.

O avanço da IA no varejo, no entanto, também levanta preocupações relacionadas ao uso de dados pessoais. Durante a conversa, Laura Saunter alertou para os riscos da chamada “precificação por vigilância”, modelo em que empresas poderiam utilizar inteligência artificial para definir preços individualizados com base em informações privadas dos consumidores.

“Existe um risco real com a precificação por vigilância. Se as marcas usarem a IA para cobrar preços diferentes baseados em dados privados e na ‘disposição de pagar’ de um indivíduo, elas correm o risco de destruir permanentemente a confiança do consumidor”, afirmou.

O debate sobre privacidade, transparência e confiança vem acompanhando o crescimento do uso de IA em setores ligados ao consumo e publicidade digital. Especialistas apontam que a adoção dessas tecnologias deve continuar crescendo, mas dependerá também da forma como empresas lidam com ética e proteção de dados.

Banner IA no varejo
Continue Reading
Comente aqui

Leave a Reply

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *