Operação
Roubo de medicamentos salta de 1,7% para 22,3% e Rio de Janeiro concentra 44% dos prejuízos nacionais no 1º trimestre
Relatório da nstech aponta migração do crime para cargas de alto valor e última milha urbana; tecnologia evitou mais de R$ 72 milhões em prejuízos no período
O cenário de roubo de cargas no Brasil passou por uma transformação profunda no primeiro trimestre de 2026, com o crime migrando de alvos tradicionais para cargas de maior valor e liquidez. É o que aponta o relatório “Report nstech de Roubo de Cargas”, elaborado pela nstech, empresa de software para supply chain, com base em dados das gerenciadoras de risco BRK, Buonny e Opentech.
O principal indicador da mudança é o salto expressivo nos roubos de medicamentos, que passaram de 1,7% dos prejuízos no primeiro trimestre de 2025 para 22,3% no mesmo período de 2026. Em paralelo, o roubo de cigarros despencou de 34,1% para apenas 3,7% na mesma comparação, evidenciando uma reorientação deliberada das quadrilhas para cargas de maior liquidez e valor de mercado.
Os dados mostram que 40,4% dos prejuízos do trimestre envolveram cargas avaliadas em mais de R$ 1 milhão, sendo quase metade dessas perdas (44,4%) do setor farmacêutico. As cargas fracionadas seguem como a base do risco, liderando o ranking geral com 36,6% e crescimento de 8,2% em relação ao primeiro trimestre de 2025.
“Diante dos dados, fica claro que o foco dos criminosos não é mais o volume e sim o valor da carga e sua liquidez. Essa migração tem implicações diretas para a segurança logística no Brasil. O risco se aproxima da última milha, se infiltra em operações urbanas e exige uma resposta cada vez mais baseada em inteligência, integração de dados, colaboração logística e capacidade de adaptação”, analisa Cristiano Tanganelli, VP de Inteligência de Mercado da nstech.
Concentração regional e risco urbano
O Sudeste voltou a dominar o mapa do risco, saltando de 61% no primeiro trimestre de 2025 para 78,2% dos prejuízos nacionais no mesmo período de 2026. O estado do Rio de Janeiro é o principal responsável por essa concentração, respondendo por 44% dos prejuízos nacionais, ante 16,4% no primeiro trimestre de 2025. No estado fluminense, 60,7% dos roubos ocorreram em trechos urbanos.
Em nível nacional, as ocorrências em trechos urbanos mais que dobraram, saltando de 18,9% para 38,5% do total de perdas, indicando a migração do crime dos corredores logísticos para a chamada última milha de distribuição. O Nordeste também cresceu, chegando a 20,2% dos prejuízos, com destaque para a Bahia, que passou de 0,7% para 9,2%.
Calendário e rotas
O calendário da criminalidade também mudou. A quinta-feira assumiu a liderança, concentrando 30% dos prejuízos, seguida pelas segundas (20,7%) e terças-feiras (16,5%). O domingo, que representava mais de 10% nos anos anteriores, caiu para 1,4%. Nos horários, a manhã (28,6%) e a madrugada (28%) foram os períodos mais críticos. Entre as rodovias, a BR-101 (21,6%) e a BR-116 (13%) lideraram os prejuízos rodoviários nacionais.
Tecnologia
Apesar do ambiente de risco mais dinâmico, investimentos em tecnologia preditiva e rastreamento avançado demonstraram resultados. Entre janeiro e março de 2026, as gerenciadoras do ecossistema nstech evitaram mais de R$ 72 milhões em prejuízos. O volume de mercadorias gerenciadas cresceu 13%, ultrapassando R$ 550 bilhões no período, com redução da sinistralidade e crescimento de 9% no volume de cargas recuperadas.
Imagem: Gervásio Batista/Agência Brasil
