Comportamento

Anvisa aprova cinco novas canetas emagrecedoras; entenda o impacto

A Febrafar avalia como as cinco novas medicações podem impactar a economia e o varejo farmacêutico. A Federação também entendeu com médicos o impacto no consumidor.

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Canetas emagrecedoras: anvisa aprova cinco novas; entenda impacto

A aprovação, pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), do registro de cinco novas canetas emagrecedoras à base de semaglutida deve ampliar a concorrência no mercado brasileiro de agonistas do receptor de GLP-1 e aumentar a expectativa de redução gradual dos preços desses tratamentos.

A medida também pode favorecer o acesso de pacientes com diabetes tipo 2 e obesidade, segundo avaliação de médicos ouvidos em pesquisa nacional realizada pela Federação Brasileira das Redes Associativistas e Independentes de Farmácias (Febrafar).

Os novos medicamentos aprovados são Zempneo (Brainfarma), Semavy (Cosmed), Orsema (Ranbaxy), Seemasun (Sun Farmacêutica) e Owozy (Ávita Care). Eles passam a integrar um mercado que já havia registrado a entrada do Ozivy, da EMS, primeiro concorrente nacional autorizado após o fim da patente da semaglutida no Brasil.

Com o aumento do número de fabricantes autorizados pela Anvisa, cresce a expectativa de maior disponibilidade desses medicamentos nas farmácias e de redução gradual dos preços nos próximos anos. Embora a chegada dos produtos ao mercado dependa das estratégias comerciais de cada empresa, a ampliação da concorrência é apontada como um fator que pode facilitar o acesso aos tratamentos.

Novas canetas emagrecedoras: como isso impacta o consumidor?

Essa perspectiva é reforçada pelos resultados de uma pesquisa realizada pela Febrafar, em parceria com o Instituto IFEPEC, em maio de 2026. O levantamento ouviu 1.067 médicos de todas as regiões do país e identificou que o principal obstáculo para a ampliação do uso dos medicamentos da classe GLP-1 continua sendo o custo do tratamento.

Segundo os dados, apenas 28% dos pacientes considerados aptos conseguem manter financeiramente a terapia. Além disso, 65% interrompem o tratamento ou deixam de seguir corretamente a posologia devido às limitações financeiras. Na avaliação dos profissionais entrevistados, uma redução de aproximadamente 35% nos preços poderia elevar a viabilidade da terapia para cerca de 45% dos pacientes.

Para Edison Tamascia, presidente da Febrafar e da Farmarcas, a aprovação dos novos medicamentos representa uma nova fase para esse segmento no Brasil.

“A aprovação de cinco novos medicamentos demonstra que o mercado brasileiro de GLP-1 está entrando em uma nova fase. A ampliação da concorrência cria um ambiente mais favorável para que esses tratamentos se tornem cada vez mais acessíveis. Nossa pesquisa mostra que o desafio para essa classe terapêutica já não está na confiança dos médicos sobre sua eficácia, mas em permitir que um número maior de pacientes consiga iniciar e manter o tratamento. Quanto maior a oferta de medicamentos aprovados pela Anvisa, maiores são as perspectivas de ampliação do acesso para a população”, afirma.

Pesquisa aponta confiança dos médicos nos novos tratamentos

O estudo reuniu médicos das especialidades de Clínica Médica, Cardiologia, Medicina de Família e Comunidade e Endocrinologia. Segundo a Febrafar, trata-se de um dos maiores levantamentos realizados no Brasil sobre a percepção médica em relação aos medicamentos agonistas do receptor de GLP-1.

Os resultados indicam que a maioria dos profissionais pretende incorporar novas alternativas terapêuticas à prática clínica, desde que apresentem comprovação de qualidade, segurança e eficácia equivalentes às opções já disponíveis.

Para Tamascia, a ampliação da concorrência pode representar um avanço importante para o setor.

“Os médicos enxergam com otimismo a chegada de novos fabricantes ao mercado. Ainda é cedo para medir qual será o impacto sobre os preços, mas a ampliação da concorrência tende a aumentar a oferta de medicamentos e favorecer um acesso mais amplo aos tratamentos ao longo dos próximos anos. É exatamente essa expectativa que aparece de forma consistente na pesquisa.”

Quais benefícios clínicos das canetas emagrecedoras?

Embora os medicamentos da classe GLP-1 tenham ganhado notoriedade pelos resultados relacionados ao emagrecimento, os médicos entrevistados apontaram outros benefícios observados na prática clínica. Entre eles estão o controle glicêmico em pacientes com diabetes tipo 2, redução da compulsão alimentar, perda significativa de peso e proteção cardiovascular, renal e hepática.

Os profissionais também relataram melhora em condições associadas à obesidade, como hipertensão arterial, apneia obstrutiva do sono, dores articulares e alterações metabólicas.

Segundo Tamascia, esses resultados reforçam a importância de ampliar o acesso aos tratamentos.

“Quando falamos sobre GLP-1, não estamos tratando apenas de perda de peso. Os médicos relatam benefícios importantes para o controle de doenças crônicas que afetam milhões de brasileiros. Isso torna ainda mais relevante a ampliação da oferta de medicamentos seguros, eficazes e aprovados pelos órgãos reguladores, permitindo que mais pacientes tenham acesso a esses tratamentos.”

O uso sem prescrição e a preocupação médica

A pesquisa também identificou preocupação dos profissionais de saúde com o uso dos medicamentos sem acompanhamento médico. Em média, 7% dos pacientes chegam aos consultórios relatando já ter utilizado medicamentos da classe GLP-1 sem prescrição antes da primeira consulta.

Para Tamascia, o cenário reforça a necessidade de combater a comercialização irregular desses produtos.

“Os medicamentos da classe GLP-1 exigem prescrição médica e as farmácias seguem rigorosamente essa determinação. O combate aos canais irregulares de comercialização é fundamental para proteger a saúde da população. O lugar desses tratamentos é dentro do canal farmacêutico regular, com acompanhamento médico e orientação farmacêutica adequada”, afirma.

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