Comportamento

84% dos brasileiros buscam vídeos de produtos no YouTube antes de comprar

Pesquisa da Opinion Box mostra como vídeos, reviews, tutoriais e comparações passaram a fazer parte da pesquisa dos consumidores brasileiros

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YouTube e decisão de compra: 84% buscam vídeos antes de comprar

O YouTube e a decisão de compra estão cada vez mais relacionados no Brasil. Segundo a pesquisa YouTube no Brasil 2026, realizada pelo Opinion Box, 84% dos usuários procuram vídeos sobre produtos quando avaliam uma compra.

Entre os entrevistados, 58% afirmam fazer esse tipo de pesquisa sempre ou na maioria das vezes.

O levantamento ouviu 1.000 pessoas entre junho e julho de 2026. A plataforma tem 149 milhões de usuários no país, segundo os dados apresentados na pesquisa.

Além do entretenimento, o YouTube é utilizado para buscar informações, aprender e comparar produtos antes de uma decisão de consumo.

Como o YouTube influencia a decisão de compra?

O levantamento mostra que o uso da plataforma está distribuído por diferentes etapas da jornada do consumidor.

Para 59% dos entrevistados, música e videoclipes são o principal motivo para acessar o YouTube. Aprender coisas novas aparece para 53%.

Tutoriais são procurados por 49% do público. Já estudar ou fazer cursos é uma atividade citada por 46% dos entrevistados.

No contexto das compras, 45% afirmam recorrer ao YouTube para buscar informações sobre produtos.

Outros 30% assistem a reviews e avaliações. Os vídeos permitem conhecer características, observar produtos em funcionamento e comparar alternativas.

“Quando o consumidor chega ao vídeo com uma pergunta concreta, a relação com a marca muda. Ele não está necessariamente procurando uma propaganda, mas uma resposta. É nesse espaço entre informação, experiência e decisão que o conteúdo passa a ter um valor muito maior”, afirma o especialista em estratégia de crescimento e CEO da IDK Brasil, Eduardo de Barros.

O que os consumidores procuram antes de comprar?

A pesquisa também aponta quais formatos despertam maior interesse durante a busca por produtos.

Vídeos de pessoas comuns mostrando produtos em uso são o formato preferido por 56% dos entrevistados.

Na sequência aparecem os vídeos técnicos, mencionados por 55%, e as comparações entre marcas, citadas por 47%.

Conteúdos produzidos pelas próprias marcas são apontados por 30% dos entrevistados.

Vídeos de influenciadores mostrando produtos aparecem para 21% do público pesquisado.

Os números indicam que diferentes formatos podem participar da pesquisa do consumidor, especialmente quando apresentam informações práticas sobre os produtos.

“Existe uma diferença grande entre mostrar um produto e ajudar alguém a decidir se aquele produto faz sentido para a vida dela. O consumidor está procurando contexto, demonstração, comparação e experiência. Por isso, conteúdo que resolve uma dúvida tende a construir mais confiança do que uma mensagem que apenas tenta convencer”, diz.

A influência dos vídeos também aparece nas compras efetivamente realizadas.

Segundo o estudo, 56% dos usuários afirmam já ter comprado um produto ou contratado um serviço recomendado em um vídeo no YouTube.

Por outro lado, apenas 32% dizem que influenciadores exercem alta influência sobre suas decisões de compra.

A publicidade no Youtube interfere na decisão de compra?

A pesquisa também mostra uma percepção crítica dos usuários em relação aos anúncios exibidos na plataforma.

Entre os entrevistados, 63% consideram que os anúncios recebidos no YouTube não têm relação com seu perfil.

Além disso, 46% afirmam que as propagandas os irritam. Apenas 18% dizem ter interesse nos anúncios exibidos.

Os resultados apontam uma diferença entre exposição à publicidade e interesse pelo conteúdo comercial.

Para Eduardo de Barros, o contexto em que a mensagem aparece passa a ter importância na relação entre marcas e consumidores.

“Se a marca quer se destacar nesse ambiente, precisa começar menos pelo que quer falar e mais pelo que o consumidor precisa saber. Isso significa identificar as dúvidas que aparecem antes da compra e produzir conteúdo que responda a essas questões. A marca passa a disputar não apenas espaço publicitário, mas relevância nos momentos em que o consumidor está tentando tomar uma decisão”, afirma Eduardo.

A presença de conteúdo informativo não elimina a publicidade, mas cria outra possibilidade de contato entre marcas e consumidores.

Nesse cenário, vídeos voltados a dúvidas, demonstrações e comparações podem participar de diferentes momentos da jornada de compra.

“Hoje, a influência não termina na recomendação. O consumidor consegue verificar, comparar e buscar outras experiências em poucos minutos”, afirma Eduardo.

Shorts mudam a forma de consumir vídeos?

Os vídeos curtos também fazem parte do comportamento dos usuários do YouTube.

Segundo a pesquisa, o Shorts é consumido por 55% dos entrevistados.

Apesar disso, o formato curto não substituiu os vídeos tradicionais entre os usuários que utilizam o recurso.

Desse grupo, 74% afirmam passar mais tempo assistindo a vídeos longos na plataforma.

Outros 26% dizem passar mais tempo consumindo Shorts.

Os dados apontam para o uso dos formatos em situações diferentes. Vídeos curtos podem apresentar rapidamente um tema, enquanto conteúdos longos permitem maior aprofundamento.

Para marcas, essa diferença pode influenciar a forma de organizar conteúdos voltados à descoberta, à pesquisa e à avaliação de produtos.

“Um erro comum é tratar o vídeo curto como uma versão reduzida do conteúdo longo. São formatos com comportamentos e funções diferentes. Para as marcas, a oportunidade está em construir uma estratégia em que cada um cumpra um papel: o conteúdo curto pode abrir uma porta para a marca, enquanto o conteúdo mais aprofundado trabalha consideração, demonstra valor e ajuda a responder às dúvidas que surgem antes da compra. Não é uma escolha de formato, mas de função dentro da estratégia”, avalia Eduardo.

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Imagem: Magnific

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